Hawkclaw Capital Advisors: "Aceleração exponencial da inflação e a emergência de uma guerra comercial serão os principais riscos para o segundo semestre"


São vários os factores a ter em conta para o que resta do ano. Na perspetiva da Hawkclaw Capital Advisors, a economia norte-americana deverá continuar a apresentar um crescimento robusto, enquanto que na Europa e nos mercados emergentes os dados parecem indicar para o abrandamento das respetivas economias. Estas são as perspetivas da entidade para os próximos seis meses de 2018, reveladas em entrevista à Funds People. 

A segunda metade de 2018 será marcada pela manutenção de um crescimento robusto da economia americana e acompanhado de uma pressão inflacionista que conduzirá o Fed a manter a sua política de subida gradual das taxas de juro. Quanto à Europa, os últimos dados têm apontado para um abrandamento da economia. O “core” da Europa não se conseguiu destacar sendo que a recente tensão das relações comerciais com os EUA, a instabilidade política e o ressurgimento de governos eurocépticos, a falta de uma política fiscal comum e a potencial alteração de posicionamento do BCE poderão afectar desempenho económico da zona euro. O Reino Unido continua a ser uma economia refém do tema “Brexit” e por tal não consideramos que a recuperação se materialize até ao final do ano.

Relativamente aos mercados emergentes, na Ásia e América Latina, estes também demonstraram um alinhamento em termos de abrandamento mas sem dúvida que o posicionamento em termos de contas públicas e o potencial de crescimento lhes é mais favorável em nosso entender por comparação com grande parte das economias desenvolvidas. No curto prazo, a apreciação do dólar americano poderá ser um factor negativo para a performance económica destas regiões mas a manutenção do preço das matérias-primas em níveis elevados é para a grande parte favorável.

Oportunidades em obrigações... apreensão no segmento acionista

Tendo em conta a nossa especialização na componente obrigacionista, vemos oportunidades de investimento em alguma dívida de mercados emergentes, corporativa e soberana, denominada em moeda local assim como em "hard currency" dado que nas últimas semanas a subida do dólar americano e as questões políticas levaram ao alargamento exagerado, em nosso entender, dos “spreads” de crédito. No que toca a emitentes Europeus e dívida denominada em euros, consideramos que o alargamento de “spreads” que se verificou desde o início do ano no “investment grade” e no “high yield” reflecte em parte as expectativas do anúncio do “tapering” do BCE e as consequências da implementação do MIFID II que afectam directamente a liquidez dos instrumentos de dívida. Dada a nossa perspectiva macroeconómica para a região entendemos que a “duration” das carteiras deverá situar-se entre 5 a 7 anos. Quanto a emissões denominadas em Dólar Americano privilegiamos uma “duration” mais curta entre os 2 e os 3 anos com um enfoque especial em “investment grade” dado que a subida dos juros poderá afectar os custos de refinanciamento e financeiro no curto prazo dado que grande parte delas tem uma quota-parte relevante da sua dívida via empréstimos bancários e linhas de crédito com taxa variável.

Embora o crescimento económico continue actualmente robusto, estamos um pouco apreensivos para a evolução da classe accionista, principalmente para regiões desenvolvidas, dado o curso da política monetária, actual nível de valorização e potenciais impactos das tensões no comércio internacional na performance e margem das empresas. As matérias-primas, tais como petróleo e complexo energético, assim como metais industriais, deverão continuar sustentadas em alta devido ao reequilíbrio da dinâmica da oferta sendo que o curso da inflação, em termos globais, ainda deverá proporcionar retornos positivos para esta classe. 

Principais riscos

 Actualmente consideramos a potencial aceleração exponencial da inflação e a emergência de uma guerra comercial como os principais riscos. A introdução de estímulos por via de política fiscal nos EUA conjugado com a imposição de tarifas alfandegárias reduzindo a competitividade numa altura em que o ciclo do crescimento económico está em fase de maturação e o Fed em ciclo de subidas de taxa de juro poderá ter efeitos nefastos no médio prazo. Como é óbvio o corte de impostos pretende aumentar o poder de compra que poderá facilmente ser anulado pelo efeito inflacionista provocado pela redução da competitividade induzido pela guerra comercial sendo que o resultado será uma diminuição da receita pois a base de incidência não aumentará pelo efeito multiplicador. Por outro lado, a subida dos juros impactam negativamente a situação das contas públicas provocando um desequilíbrio que será certamente reflectido ao nível da economia como um todo. Em termos globais, a guerra comercial, por si só, terá também efeitos de pressão inflacionista e desaceleração do crescimento económico.

Estratégias recomendadas

Embora a nossa abordagem não inclua uma percentagem significativa de alocação a fundos de investimento, consideramos que a remanescente parte do ano poderá ser marcada por uma recuperação dos mercados emergentes sendo que consideramos interessante o investimento quer na componente obrigacionista "hard currency" via iShares JP Morgan $ EM Bond EUR Hedged quer em tendências de longo prazo na componente accionista via Pictet Global Megatrend Selection.

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