Há diferença entre o investidor de fundos europeu e o americano? Sim, mas não tanta quanto pensa


Há apenas um ano, o ânimo do investidor que não estivesse em liquidez era negativo. E não era para menos se se tivesse em conta que o nefasto comportamento que o mercado teve no último trimestre do ano foi suficiente para anular o rally que o mesmo mercado tinha protagonizado durante os nove meses anteriores. Não só isso, mas a quebra de fim de ano fez com que 2018 fechasse como um dos piores exercícios da história recente superando até 2008, o ano da quebra da Lehman Brothers, já que 90% dos ativos acabaram em números vermelhos.

Naquela altura, a mensagem das gestoras de ativos era clara e nas suas previsões de fim de ano recalcavam três ideias principais: encontrávamo-nos num momento de fim de ciclo e não tanto de recessão, as quedas vistas nos mercados tinham de ser interpretadas como oportunidades e as ações apresentavam-se em termos gerais mais atrativas para os investidores, tendo em conta que o mapa dos bancos centrais naquela altura apontava para uma normalização progressiva das taxas de juro.

Acertaram nas duas primeiras, mas não na última. A mudança dovish que poucos esperavam há um ano tornou-se num dos grandes catalisadores do bom comportamento dos mercados deste ano e dos fundos que neles investem, já que, segundo dados da Morningstar, 95% dos fundos que se comercializam na Península Ibérica obtêm rentabilidades positivas em euros a menos de um mês do fim do ano.

Por tipos de fundos, as maiores rentabilidades estão a ser registadas tanto em áreas de ações como os emergentes, o mercado norte-americano ou os metais preciosos, com rentabilidades médias que superam os 30% e duplicam as obtidas pelos fundos de obrigações. Não obstante, os fundos de obrigações voltaram a ser os que ficaram com a larga maioria dos fluxos, não só na Europa, mas também no mercado norte-americano. De facto, segundo dados da Morningstar, os fluxos líquidos em fundos de obrigações nos EUA este ano já ascendem aos 412.000 milhões de dólares (incluindo ETF) enquanto na Europa essa quantidade se ficou pelos 258.000 milhões de euros.

Pelo contrário, são poucos os investidores de fundos que beneficiaram do rally que os mercados acionistas protagonizaram já que tanto os fundos europeus como os norte-americanos acumularam mais reembolsos do que subscrições nos três primeiros trimestres de 2019. Por exemplo, saíram dos fundos americanos de ações mais de 83.000 milhões de dólares, segundo dados da Morningstar, e no caso dos fundos europeus o número ronda os 43.000 milhões de euros.

Não obstante, ainda que a tendência que se vê em ações e obrigações seja muito semelhante quando se fala do investidor europeu ou americano, não é assim tanto quando nos fixamos no comportamento dos chamados fundos multiativos também conhecidos como fundos mistos. De facto, enquanto na Europa entraram 4.000 milhões de euros neste tipo de produtos, nos EUA verificaram-se reembolsos líquidos que superam os 30.000 milhões de dólares. E essa divergência no que a fluxos se refere apoia-se também na pouco presença que têm os produtos mistos nos EUA. Segundo dados da Inverco, estes representam apenas 6,6% do património nos EUA no fecho de 2018 (últimos dados disponíveis) enquanto na Europa esse número é de 19,6% em média.

Para onde está a ir o dinheiro em 2019

EUA     EUROPA  
Dados em dólares   Dados em euros 
Allocation -30.398.610.149   Allocation 4.787.411.870
Alternative -8.539.263.341   Alternative -46.548.591.773
Commodities 9.699.845.323   Commodities 4.971.128.022
Money Market 443.185.587.055   Money Market 91.755.772.748
*Fixed income 411.913.436.530   Fixed Income 256.800.180.441
**Equity -83.119.627.356   Equity -42.946.978.314
      Property 11.347.702.991

*Incluem-se as categorias de taxable bond e municipal bond.

** Incluem-se US Equity, Sector Equity e International Equity

Fonte: Morningstar Direct. Dados do fecho de outubro de 2019

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