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H2O AM acumula 2.018 milhões de euros em reembolsos pelas dúvidas sobre a iliquidez de algumas das suas obrigações


À medida que a semana avança vão sendo conhecidas as consequências que pode ter para a gestora H2O AM o investimento que tinham vários dos seus fundos, H2O Allegro, H2O Adagio e H2O Multibonds, em obrigações ilíquidas de várias empresas ligadas ao empresário alemão Lars Windhorts. Esta concentração e o facto de Bruno Crastes, o CEO da gestora (uma das filiais da Natixis IM) ter entrado no conselho de uma das empresas de Windhorts, do qual se demitiu, disparou o alarme de que a empresa estivesse a incorrer num conflito de interesse, como o Financial Times publicou num artigo que horas mais tarde a Morningstar utilizou para colocar o rating do H2O Allegro sob revisão.

Ainda que tanto a H2O AM como a Natixis IM tenham sido muito ativas no momento de comunicar com os seus clientes, a quem explicaram a posição que os seus fundos têm nessas obrigações – hoje é inferior a 500 milhões de euros o valor dessas obrigações sem classificação creditícia – e também o impacto que a venda parcial dos mesmos pode ter no valor liquidativo dos produtos, não puderam evitar a saída de alguns dos seus investidores.

De facto, segundo os dados da Morningstar Direct, desde que se publicou o artigo na imprensa inglesa na passada quarta-feira, dia 18 de junho, até sexta-feira, dia 21 de junho, os fundos da H2O AM sofreram reembolsos líquidos no valor de 2.018 milhões de euros, o que representa 6,5% dos 31.000 milhões de euros de património com o qual contava no fim de março, segundo o número apresentado pela Natixis IM. Por tipo de produto, as maiores saídas aconteceram no H2O Adagio, que sofreu reembolsos no valor de 873 milhões de euros, quase a mesma quantidade de saídas que tiveram em conjunto os outros dois produtos afetados, já que o H2O Allegro acumula saídas líquidas de 476 milhões de euros e o H2O Multibonds, de 498 milhões de euros.

Por sua vez, a Natixis IM, que apoiou sempre a H2O IM, perdeu 12% do seu valor em bolsa desde a publicação da notícia ainda que as quedas se tenham moderado à medida que a empresa foi aclarando a situação da sua filial, que representa 3,7% dos ativos sob gestão que a Natixis IM controla atualmente.

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