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Guerra para ganhar escala em ESG: os maiores fundos socialmente responsáveis do mercado


O investimento com critérios ambientais, sociais e de bom governo (ESG) ganha adeptos... e património, ainda que de forma lenta. Segundo dados da Morningstar, no primeiro semestre do ano registaram entradas líquidas a nível global no valor de 8.900 milhões de dólares. Ainda que continue a ser um volume de captações relativamente baixo em comparação com os fluxos que recebem as categorias mais tradicionais, o interessante é a tendência.

Isto acontece por duas razões. Em primeiro lugar, porque representa uma aceleração de fluxos muito forte se o compararmos com 2018, visto que no ano passado as entradas recebidas por estes produtos no conjunto do exercício ficaram-se pelos 5.500 milhões de dólares. Em segundo lugar, porque se o ano acabar assim, estes quase 9.000 milhões de dólares captados representariam um novo recorde histórico, o terceiro consecutivo. Mas... quais são os maiores fundos com um foco ESG?

De acordo com os dados da empresa de análise, que tem em conta os produtos que aplicam um filtro ESG nos seus processos de seleção de ativos, o fundo ESG com maior património é um grande conhecido em Portugal e na Europa: o Nordea 1 – Stable Return, produto com mais de 10.000 milhões de euros em ativos sob gestão. É o único fundo ESG que, por agora, conseguiu superar essa barreira patrimonial.

A Nordea está a registar captações líquidas, ainda que não com o seu fundo bandeira. Saíram do Nordea 1 – Stable Return quase 1.200 milhões de euros. A boa notícia para a empresa nórdica é que esta tendência negativa está a ser compensada com as entradas que o Nordea 2 – Global Sustainable Enhanced Equity (2.350 milhões) está a ter no mesmo período.

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Curiosamente, isto faz da empresa nórdica aquela que tem o produto ESG que está a despertar maior interesse e também a que tem a estratégia da qual está a sair mais dinheiro. Trata-se de um ranking no qual aparecem fundos de gestão ativa de entidades com a Vontobel, NN Investments Partners ou a Candriam, mas também estratégias ESG de gestão passiva, incluindo centradas no mercado de obrigações, de empresas como a BlackRock ou a State Street.

De volta às estratégias ESG que contam com o maior património, a lista dos 10 produtos com mais volume de ativos é composta fundamentalmente por fundos de gestão ativa, em particular de ações de entidades pouco conhecidas do mercado português, a maioria sediadas no norte da Europa.

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A corrida para a escala

No fim de junho, existiam 2.232 fundos registados na Europa que, de acordo com a ficha de produto, seguiam critérios ambientais, sociais e de bom governo no seu processo de seleção de ativos, que aderiram a uma temática relacionada com a sustentabilidade ou procuravam, em conjunto com o retorno financeiro, um impacto positivo medível. Muitas gestoras estão a optar por modificar os mandatos para situar o foco principal das estratégias ESG, refletindo esta transformação ao darem novos nomes aos fundos de investimento.

Fazem-no principalmente por três motivos: em primeiro lugar, para mostrar aos seus clientes que estão a seguir critérios ESG, cumprindo assim a procura de cada vez um número maior de clientes; em segundo lugar, para ir na mesma linha de Bruxelas; e por último –e talvez mais importante para o negócio – para ganhar escala. “A transformação de fundos numa oferta sustentável é uma forma das gestoras aproveitarem os ativos existentes para construir o seu negócio de produtos sustentáveis, evitando assim ter de a criar do zero, e permitindo acelerar o tempo requerido para alcançar a escala”, explicam na Morningstar. Ao fim e ao cabo, para ser uma entidade de referência em ESG, há melhor estratégia do que pegar num fundo best-seller e colocar-lhe um rigoroso e convincente filtro ESG para se posicionar entre as gestoras líderes  neste âmbito?

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