GS ART: a abordagem ao universo de hedge funds da Goldman Sachs


Embora o Goldman Sachs Absolute Return Tracker Portfolio, da Goldman Sachs AM, tenha como objetivo entregar o retorno de um hedge fund com um portefólio amplamente diversificado, tenta fazê-lo com uma abordagem que foge ao padrão existente na indústria, no que toca a fundos deste género. Em entrevista à Funds People, Michael Rhodes, Client Portfolio Manager da equipa de Quantitative Investment Strategies, começa por explicar que este produto “não investe em nenhum hedge fund”, nem mandata a gestão a terceiros, como acontece com alguns fundos UCITS que visam este universo de investimento.

O que se propõe a fazer então o GS ART? O especialista da entidade conta que o fundo “visa o retorno médio de um grupo de 3.700 hedge funds do espetro de toda a indústria, e combina as ideias de investimento e os estilos de negociação da maioria das classes de hedge funds: Equity Long Short, Macro, Relative Value, and Event Driven”. Isto sem investir efetivamente em nenhuma outra estratégia, o que faz com que não tenha associado o “risco-gestor”.

A diversificação é um dos pontos fortes da estratégia. Na entidade optam por “estudar os retornos e comportamentos de 19 estilos diferentes de hedge funds, de forma a desenvolver estratégias de investimento sistemáticas e um prémio de risco alternativo long/short entre múltiplas classes de ativos”. Muitas dessas estratégias têm lugar no universo de quem já está familiarizado com os hedge funds: estratégias de market neutral, ‘trend following’ ou ‘volatility carry’. O desenvolvimento destas estratégicas exige da equipa um trabalho em várias frentes. Exige “um research muito profundo, a combinação de dados quantitativos e qualitativos de forma a perceber como é que se pode representar de forma mais fidedigna possível o universo dos hedge funds”. Tudo isto, segundo o profissional, enquanto se mantém “um perfil de liquidez elevado e se minimiza o custo de implementação”.  

In-House: valor acrescentado

Como já referido, o fundo da Goldman Sachs não privilegia o know-how de terceiros, e opta por uma abordagem “mais caseira”, que, para a entidade, é sinónimo de diversas vantagens. “A nossa equipa gestora de portefólios desenvolve todas as estratégias de investimento do fundo ‘in-house’, e pondera-as de acordo com a performance da indústria. Isto permite que o fundo estenda a diversificação de gestão bastante além das capacidades entregues por uma abordagem de mandatos, em que são usados 10-15 gestores”, começa por dizer.

O GS ART alarga claramente o espetro em que trabalha. O fundo “captura os retornos e a performance de 3.700 gestores”, não sendo necessário “negociar separadamente acordos relativos a comissões com cada um dos gestores, nem existem performance fees”. A conclusão acaba por ser óbvia: “o fundo oferece aos investidores uma comissão de gestão relativamente mais baixa do que outros fundos que oferecem uma abordagem de mandatos”, assinalam.

Construção da carteira

A construção do portefólio começa com a equipa de gestão a analisar os retornos dos hedge funds, fazendo a alocação tanto a estratégias tradicionais direcionais como às estratégias risk premia alternativas long/short, “de forma a entregar a performance da indústria de hedge funds, em termos genéricos”. À medida que novos dados referentes à performance de 19 estilos de hedge funds distintos se tornam disponíveis, Michael explica que “o fundo ajusta as alocações às estratégias de trading de forma a seguir as tendências da indústria”.

Este é um processo que levanta duas questões importantes, com as quais a equipa tem obrigatoriamente de lidar. A primeira delas é a “existência de um intervalo de tempo entre a altura em que a performance do hedge fund é lançada para o mercado e o momento em que fica disponível para análise”. Da gestora recordam que “a exposição líquida a temas e ativos entre todo o universo da indústria de hedge funds move-se muito lentamente”. Contudo, “ajustando a alocação às estratégias do portefólio, o GS ART tem mantido elevadas correlações (90%) aos índices de hedge funds desde o seu lançamento”. A segunda questão importante salientada tem que ver com as mudanças estruturais no comportamento da indústria de hedge funds. A equipa de gestão, indica, “está constantemente a pesquisar padrões de investimento dos hedge funds”, e “irá desenvolver novas estratégias de investimento necessárias para acompanhar as grandes tendências”. De uma perspetiva de construção do portefólio isto significa que a equipa irá introduzir “novas ideias ao portefólio, à medida que estas se vão tornando mais significativas entre os maiores grupos de hedge funds”.

De forma semelhante ao que acontece nos hedge funds per si, a alocação da carteira desta estratégia pouco tem variado. “Aproximadamente metade do portefólio está alocado a estratégias long/short de ações, 25% a estratégias macro, e o restante divide-se entre ‘relative value’ e ideias ‘event driven’”, detalha. O que efetivamente mudou, atesta o profissional, foi a alocação entre estilos. “Uma das últimas tendências tem sido sobreponderar estratégias de ações americanas, com o objetivo de capturar o forte crescimento da economia norte-americana, enquanto que nos estilos de investimento macro temo-nos movimentado para posições curtas líquidas nas ações, entre vários mercados”, sintetiza.

Porquê esta estratégia?

Da equipa da GS sabem que a entrada na suposta fase final do ciclo económico tem feito com que as questões referentes à alocação de capital se tenham tornado muito importantes, o que despertou um novo interesse sobre os alternativos. “Os dados históricos dão algumas informações sobre como é que os hedge funds se têm comportado. Durante os bear markets nas ações desde 1990, por exemplo, os hedge funds tiveram uma outperformance média de 31%. Igualmente, em períodos de subidas de taxas a outperformance média comparativamente com as obrigações foi de 15%. É interessante como desde os anos 90 temos vivenciado ambos os cenários – um bear market e um ambiente de subida de taxas – em 43% do tempo, o que coloca ênfase no facto de um portefólio diferenciado, que inclui uma alocação a alternativos, possa ser capaz de ajudar os investidores em quase metade dos períodos”, justifica.

O GS ART em concreto “tem vindo a manter uma volatilidade que ronda os 6%”, - em linha com o universo dos hedge funds -  um número “ligeiramente mais elevado do que nas obrigações e materialmente mais baixo do que nas ações”. Da entidade contam que o “segredo” está na “inexistência de posições grandes e concentradas”, o que “faz com que este, genericamente, experencie menos perdas abruptas do que os índices de hedge funds durante fortes quedas de mercado”.

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