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Grupo Espírito Santo na ordem da semana


Problemas no Grupo Espírito Santo marcam a actualidade em Portugal, com a filial Luxemburguesa e Suiça debaixo de fogo.

O Banco Espírito Santo foi o único banco grande a não ser intervencionado dentro do programa de ajuda financeira recebido por Portugal e o recente aumento de capital colocou a descoberto uma série de problemas que o Grupo enfrenta nas mais variadas frentes. Problemas com a sucessão, as relações com o BESA, uma auditoria que revelou "irregularidades relevantes", assim como a redefinição accionista, foram alguns dos temas que de repente foram colocados em praça pública e que colocaram o GES no epicentro das noticias e das preocupações dos portugueses. A ausência do tão falado "risco sistémico" aquando do caso do BPN é sem dúvida um dos temas que mais desperta curiosidade.

Apesar do tema da sucessão estar mais ou menos resolvido, com o nome de Vitor Bento aceite pelo Banco de Portugal e à espera de oficialmente se tornar o presidente (o que acontecerá a 31 de julho na reunião do conselho de administração) os problemas continuam a surgir em catadupa e a desvalorização bolsista já se acerca dos 50% face a um mês atrás. Nesse seguimento, o regulador deliberou a suspensão de negociação das ações do BES. 

O receio de um problema privado passar a ser público atemoriza todos e torna-se mais grave conforme se vão conhecendo mais alguns contornos. O agravamento do perfil de risco de crédito para a Espiríto Santo Financial Group, com a falta de transparência sobre a verdadeira situação financeira do GES associada à amplitude das ligacões entre o grupo levou a Agência de Notação Financeira Moody's a descer o rating para Caa2 (três níveis acima do default), e claramente penaliza a dívida pública portuguesa. 

Dada a grandeza do banco e o seu envolvimento com o tecido empresarial português cada dia que passa sem uma solução aparentemente viável vai continuar a penalizar as acções e obrigações da praça nacional e adensa o mistério sobre o futuro do Banco Espirito Santo.

Lá fora

Numa semana calma em termos de relevância dos indicadores publicados, o destaque vai para a publicação das actas da última reunião da Reserva Federal dos Estados Unidos. Com os últimos indicadores a surpreenderem em alta, diga-se que o mercado esperava alguma pista sobre uma possível subida de taxas de juro, mas que nada transpareceu a esse respeito e, assim sendo, o mercado seguiu o seu curso normal e típico da época estival com poucos interesses em fazer mais do que o necessário.

NOTA: Na manhã de hoje, 11 de julho, a CMVM determinou o levantamento da suspensão da negociação das ações do Banco Espírito Santo, "por terem cessado  os motivos que justificaram a suspensão". 

(Imagem: Artemuestra, Flickr, Creative Commons)

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