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Grécia e China mexem os mercados


No que diz respeito à Europa, a Grécia continua a merecer a atenção do mercado, numa altura em que depois de alcançado um acordo entre o governo grego e os seus credores, as atenções estão viradas para a apresentação das 35 medidas negociadas no parlamento em Atenas. Espera-se que sejam aprovadas ainda hoje.

O calendário ideal aponta para que o acordo seja aprovado hoje, 13 de agosto, no parlamento grego, de modo a que o Eurogrupo o valide no dia 14, dando assim luz verde ao terceiro resgate. Esse resgate muito dificilmente irá ajudar a Grécia a sair da crise em que se encontra.

Atenas espera que a primeira tranche do resgate seja entre os 20 e os 25 mil milhões de euros, para que seja possível devolver 3.400 milhões ao BCE no dia 20 de agosto e 10.000 milhões do crédito concedido pela União Europeia. Dessa primeira tranche irão sair, também, perto de 10.000 milhões para recapitalizar a banca.

Deixando de lado a situação na Grécia, o grande destaque vai para as desvalorizações efectuadas pelo Banco da China à sua divisa. Com a explicação oficial do Banco Central a apontar no sentido de garantir uma maior flexibilidade ao câmbio e assim permitir à moeda chinesa ganhar maior credibilidade no mercado internacional, o facto desta intervenção surgir num momento particularmente difícil da economia Chinesa pode e deve ter outras leituras.

Com uma queda superior a 8% nas exportações, com o sector industrial a dar sinais de debilidade e com uma forte crise na sua bolsa, o Banco da China está neste momento a enviar sinais claros de advertência às outras economias, nomeadamente às dos países vizinhos, que viram as suas moedas recentemente desvalorizadas, e aos Estados Unidos e à Europa. Sinais claros de que não terá problema algum em entrar numa guerra de divisas e desvalorizar a sua divisa de modo a impulsionar a sua "máquina" exportadora.

Depois de vários meses de relativa estabilidade na cotação do CNY, o Banco Central interveio por três vezes, avançando com um novo sistema para o fixing da sua moeda e permitindo que nos últimos três dias o Yuan tenha descido perto de 5% face ao Dólar Americano.

Esta mudança de atitude serve duas intenções: em primeiro ajudar a tornar as exportações mais competitivas e é também do agrado do FMI que no processo de inclusão do Yuan no seu pacote SDR se pretenda que a moeda tenha um uso liberal e que seja o mercado a ditar as suas leis na cotação.

Uma outra questão que se levanta é se o Banco Central Chinês, deste modo, se vai antecipar à Reserva Federal dos Estados Unidos, exportando deflação, o que poderá provocar um adiamento da primeira subida de taxas de juro nos Estados Unidos.

A forte depreciação do Yuan face ao Dólar e ao Euro coloca pressão não só sobre Yellen mas também sobre Mario Draghi. Se a Fed não subir já as taxas é natural que o Dólar não se valorize face à Moeda Única Europeia e uma subida do Euro irá com certeza penalizar a competitividade da indústria europeia face à americana.​

 

(imagem: keila k., Flickr, Creative Commons)

 

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