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“Governo tem tempo no próximo ano para trabalhar numa solução de longo prazo”


Em entrevista à Funds People Portugal, Preussner adianta que as empresas norte-americanas estão a ponderar investimentos para 2013 e que o ‘stock picking’ privilegiará grandes ou mega capitalizações, independentemente de o segmento ser de crescimento ou de valor. As financeiras estão entre as apostas.
 
As vossas expectativas para os EUA não incluem um cenário de ‘fiscal cliff’, mas antes de ‘fiscal ladder’. Em concreto o que representa?

Acreditamos que haverá um acordo até final do ano, dados os dois partidos reconhecerem que é essencial que os EUA não voltem a ciar em recessão. O cenário mais provável passa por vermos alguns dos cortes de impostos que era suposto terminarem no final deste ano serem prolongados até ao próximo ano; não conseguimos dizer por quanto tempo, mas acreditamos que seja durante os próximos dois trimestres, pelo menos. É expectável que sejam mantidos os cortes nos impostos para rendimentos inferiores a 250 mil dólares, ou seja nos escalões médio e baixo, mas não creio que haja uma extensão nos mais elevados. Provavelmente haverá também cortes nos gastos com cuidados de saúde e na defesa. O Governo tem tempo no próximo ano para trabalhar numa solução de longo prazo, porque é necessária.
 
Há empresas norte-americanas que têm actualmente muito dinheiro para gastar. Acredita que já há confiança no cenário macro para investirem?

Penso que é um processo gradual. Falamos com as empresas quase numa base diária e o que vemos, como tendência, é que estão a planear investimentos no próximo ano. Nomeadamente em tecnologia, para concorrer no longo prazo, porque praticamente não investiram nos últimos quatro anos, porque estava tudo ficado em cortar custos, e algumas estavam até a ficar para trás. O que é interessante nos EUA é que, pela primeira vez, tem agora grandes vantagens competitivas, por causa do gás natural, com a produção de energia a ser muito mais barata que em outras partes do mundo.  Não deverá haver muitos investimentos nas industriais porque, para estas se sentirem confortáveis a gastar mais, precisam de ver um aumento da capacidade.
 
No processo de ‘stock picking’ a preferência vai para as maiores capitalizações?

Sem dúvida.  Há duas razões para tal: as ‘small caps’ têm um beta mais elevado, portanto quando o mercado dá a volta aí então têm um desempenho superior. Sentimos que o próximo ano ainda será focado em empresas de grandes, ou até mega capitalizações, porque muitas empresas nos EUA são, de longe, maiores – a média de capitalização do S&P 500 é de 101 mil milhões de dólares -, e estão também mais baratas que as ‘small caps’. Agora, dentro das grandes capitalizações, falando de valor vs crescimento, consideramos que em ambos há sectores específicos que parecem muito interessantes; diria tecnologia e IT, ao mesmo tempo que consideramos que as financeiras estão muito atractivas. Portanto, a questão não é tanto valor vs crescimento, porque ambas podem ter bons desempenhos tendo em conta os pesos dos sectores, mas sim ficar pelas grandes capitalizações.
 
Qual a expectativa de evolução do mercado norte-americano em 2013?

Não temos uma previsão para o S&P 500. Mas o que diria é que esperamos um crescimento dos resultados das empresas norte-americanas de cerca de 8%, 8,5%, no próximo ano e, como tal, se se combinar com o facto de as avaliações estão baratas, diria que entre um dígito elevado e dois dígitos mais baixos deverá ser um aumento alcançável no próximo ano. Destacaria ainda que consideramos que, 2013, será ainda um ano um pouco volátil.

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