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Gestores que investem em equipas de futebol: sim, eles existem


O Stoxx Europe Football é um índice criado em 2002 que agrupa 22 equipas de futebol de toda a Europa. É composto principalmente por clubes de França, Alemanha, Itália, Portugal, Dinamarca, Holanda e Turquia. Não é um índice que reúne todas as equipas de futebol cotadas. Existem clubes que não aparecem. É o caso, por exemplo, do Manchester United. A equipa, que José Mourinho treina atualmente, é uma das poucas cujas ações registaram uma forte subida nos últimos cinco anos. Os títulos da equipa inglesa revalorizaram cerca de 23% neste período… e isso quando a equipa não ganhou nenhum título importante desde a temporada 2012-2013, altura em que ganhou a sua última Premier League.

A evolução bolsista registada pelo Manchester United é muito semelhante ao que o Stoxx Europe Football registou, índice que nos últimos cinco anos subiu cerca de 25%, extremamente em sintonia com o comportamento registado pelo EuroStoxx 50. Contudo, o futebol parece ser um investimento do qual os gestores de fundos fogem. É difícil encontrar produtos conhecidos que invistam em algum clube. Isso não quer dizer que não existam. Existem, embora alguns não estejam registados no mercado português. A tendência nacional representa um papel importante. Por exemplo, os fundos que investem no Manchester United são, principalmente, fundos com domicílio anglo-saxónico (Reino Unido e Estados Unidos). Entre os que investem no Borussia Dortmund aparecem muitos gestores de fundos alemães, enquanto os que se expõe a equipas como a Juventus Turín contam com acionistas com uma clara tendência italiana.

Não obstante, em todas elas é possível encontrar também gestores de fundos com domicílio luxemburguês e, sobretudo, americano, os quais contam com posições relevantes nestes três clubes. Normalmente, as posições que os gestores têm não são muito grandes. Ou melhor tendem a ser muito pouco significativas. Existem, isso sim, exceções que são interessantes mencionar. Por exemplo, a importância acima de 5% que o Baron Focused Growth Fund e o Baron Partners Fund têm no Manchester United, equipa em que também dois produtos da Jupiter mantêm posições importantes, o Jupiter UK Growth Fund e o Jupiter UK Dynamic Growth, em ambos os casos na ordem dos 3% da carteira, segundo dados da Morningstar.

No que diz respeito ao Borussia Dortmund, os fundos que atualmente têm uma maior preponderância em carteira são dois produtos domiciliados em Luxemburgo – o HAIG MB Max Global e o HAIG MB Max Value, que têm uma exposição ao título de de 3,8% e de 3,5%, respetivamente – e um do Japão – o Nissay World Sport Mother Fund, com uma ponderação em carteira de 3%. Por último, os gestores que mantêm uma posição mais elevada em carteira na equipa Vechhia Signora mostram uma convicção menos forte, com uma exposição de 1,8% no Bluevalor Sustainable Lifestyle Brand e de 1,4% no Lindsell Train Global Equity Fund. Todos os restantes produtos que têm posições na Juventus são-lhes atribuídos uma importância em carteira abaixo de 1%.

O investimento dos gestores nestes clubes é residual. A importância média que os 72 fundos, que atualmente investem no clube italiano, lhes atribuem é de 0,016%. No caso do Borussia investem 80 fundos e a média é de 0,03%, enquanto no Manchester United o número de produtos que mantêm exposição ao clube ultrapassa apenas os trintas e poucos, embora a importância média seja algo de superior (0,53%). Para além disso, há que ter em conta que a inclusão destes valores em carteira nem sempre responde a uma decisão voluntária, como evidencia o facto de na lista aparecerem vários ETF da iShares, Lyxor, Amundi ou UBS AM, que reproduzem índices como o FTSE Italia Mid Cap PIR ou o FTSE Italia Mid-Small Cap ETF, dos quais fazem parte equipas como a Juventus.

Quem tenha comprado ações da equipa de Turim há cinco anos e as tivesse mantido até hoje teria triplicado o seu dinheiro. No caso do Borussia, a rentabilidade obtida teria sido de 87%. O facto de não ganhar nenhum troféu importante europeu nos últimos cinco anos não impediu que as três equipas tenham subido. 

Os 10 fundos que mais investem na Juventus

Ranking Fundo Peso na carteira (%) Domicílio do fundo
1. Bluevalor Sustainable Lifestyle Brand Eq 1,83% Suíça
2. Lindsell Train Global Equity Fund 1,40% Irlanda
3. Wasatch World Innovators Fund 0,86% Estados Unidos
4. Lyxor FTSE Italia Mid Cap PIR (DR) ETF 0,46% França
5. iShares FTSE Italia Mid-Small Cap ETF 0,41% Irlanda
6. Eurizon Equity Small Mid Cap Italy 0,39% Luxemburgo
7. Eurizon Azioni Pmi Italia 0,37% Itália
8. Hartford Multifactor Global SmallCap ETF 0,22% Estados Unidos
9. Amundi ETF FTSE Italia PIR DR 0,18% França
10. Eurizon PIR Italia Azioni 0,17% Itália

Os 10 fundos que mais investem no Manchester United

Ranking Fundo Peso na carteira (%) Domicílio do fundo
1. Baron Focused Growth Fund 5,40% Estados Unidos
2. Baron Partners Fund 5,10% Estados Unidos
3. Jupiter UK Growth Fund 3,00% Reino Unido
4. Jupiter UK Dynamic Growth 2,90% Luxemburgo
5. AIG Focused Multi-Cap Growth 1,96% Estados Unidos
6. VY Baron Growth Portfolio 1,68% Estados Unidos
7. Baron Growth Fund 1,68% Estados Unidos
8. Baron Small-Cap Growth Strategy-UBS 1,68% Estados Unidos
9. TETON Westwood Mid-Cap Equity Fund 1,65% Estados Unidos
10. Finsbury Growth & Income 1,64% Reino Unido

OS 10 fundos que mais investem no Borussia Dortmund

Ranking Fundo Peso na carteira (%) Domicílio do fundo
1. HAIG MB Max Global 3,87% Luxemburgo
2. HAIG MB Max Value 3,50% Luxemburgo
3. Nissay World Sport Mother Fund 3,00% Japão
4. 4Q-Value Fonds 2,40% Alemanha
5. Oberbanscheidt Global Stockpicker 1,80% Alemanha
6. Wallberg Blackstar African Fund 1,20% Luxemburgo
7. Oberbanscheidt Global Flexibel UI 1,04% Alemanha
8. ComStage SDAX ETF(Collateral Portfolio) 0,96% Luxemburgo
9. Allianz Invest Aktienfonds 0,82% Áustria
10. ComStage 1 SDAX ETF 0,66% Alemanha

Fonte: Morningstar Direct. Nota importante: nem todos os fundos mencionados estão registados para venda em Portugal.

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