Fundos perfilados defensivos: alocação a obrigações desce e a ações sobe


Com base em dados da Morningstar Direct, de dezembro de 2019, examinamos uma vez mais a evolução média da alocação dos fundos perfilados defensivos ao longo dos últimos dois anos, com um especial enfoque no último mês do ano. Para tal iremos focar-nos nas classes de ativos e geografias das carteiras médias dos produtos e utilizar a nossa habitual distribuição dos fundos perfilados nacionais pelos três perfis de risco. A partir de agora já estão incluídos na análise os novos fundos perfilados da GNB Gestão de Ativos, uma vez que os fundos lançados durante o período em análise apenas são considerados nas médias três meses após o seu lançamento.

Para João Zorro, gestor da GNB Gestão de Ativos, o mês de dezembro “terminou com os mercados a valorizarem e a evitarem as típicas correções de final de ano, o que dá boas indicações sobre o atual enquadramento de investimentos”. Do lado do mercado de crédito, “o high yield, os mercados emergentes e a dívida subordinada foram os que mais valorizaram. A dívida pública praticamente manteve-se inalterada, com a aversão ao risco italiano a pesarem”, conta. Quanto ao mercado acionista, o  profissional explica que o “desempenho no mês foi todo ele positivo, com o mercado inglês a destacar-se, fruto dos resultados eleitorais”.

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O mês de dezembro revelou-se bastante positivo graças ao anúncio do acordo da “primeira fase” entre os EUA e a China e à vitória confortável dos Conservadores nas eleições no Reino Unido. Como se pode comprovar no gráfico acima, os investidores procuraram ativos com maior risco, neste caso as ações.

Apesar da balança da alocação dos fundos perfilados mais defensivos continuar a pender para o lado das obrigações, a verdade é que desde outubro que as ações têm vindo a ganhar terreno, e fecharam 2019 nos 18,61%, um valor que não era alcançado desde novembro de 2018.

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Para Pedro Vieira, gestor da IMGA, os mercados obrigacionistas foram penalizados pela subida das taxas de juro, enquanto os spreads de crédito estreitavam, nomeadamente na componente high yield.

A equipa de gestão do Santander Select Defensivo, por exemplo, manteve a estratégia que tem vindo a adotar nos meses anteriores. “Com base no seu carácter defensivo, o fundo manteve uma alocação elevada a obrigações de dívida soberana e de empresas europeias”, explica Stefano Amato, gestor das duas gamas de fundos perfilados da Santander AM.

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No caso da alocação da componente obrigacionista, a exposição a obrigações da Europa Desenvolvida foi aquela que mais alteração sofreu no mês em análise. Após ter aumentado ligeiramente em outubro ao atingir os 50,30%, em dezembro desceu para os 46,22%, valor que se traduz numa queda de 4,08%. Ainda assim é o terceiro valor mais elevado dos últimos dois anos.

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Em termos de distribuição geográfica da componente acionista, a equipa de gestão do Santander Select Defensivo manteve a sua aposta na diversificação e em aumentar a exposição a ações da Europa, tendo também diminuído a exposição a ações de mercados emergentes. Uma escolha que, nas palavras de Stefano Amato, se deveu especialmente devido ao aumento das tensões geopolíticas no Médio Oriente.

Mas não foi apenas da Santander AM que veio a aposta na Europa Desenvolvida. Este movimento foi sentido um pouco por todos os fundos perfilados defensivos, em particular pela Caixa Gestão de Ativos através do fundo Caixa Wealth Defensivo, da Caixa Gestão de Ativos, que aumentou a exposição a este tipo de ativos em mais de 10%.

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