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Fundos multiativos: as grandes apostas para investir em 2020


A cada ano, a Funds People realiza um inquérito junto dos máximos responsáveis pelas entidades gestoras internacionais com o objetivo de saber qual o fundo misto, de toda a gama disponível da entidade gestora, em que apostam como primeira opção para investir no próximo ano. Esta sondagem, que cumpre este ano a sexta edição em Portugal, revela quais são os produtos concretos nos quais apostam e as razões que os levam a selecionar tal estratégia. Apresentamos os resultados por ordem alfabética. 

Marta MarínO fundo multiativo selecionado por Marta Martín é o Amundi Funds Multi Asset Conservative, “um produto multiativo conservador de baixa volatildade que procura mitigar as quedas que podem advir de um maior risco em obrigações e uma crescente volatilidade entre classes de ativos”. A sua alocação flexível em obrigações e uma participação limitada a um máximo de 30% em ações, pode fazer dele uma alternativa a um fundo de obrigações. Tem como objetivo alcançar retornos competitivos ajustados ao risco utilizando um orçamento de volatilidade entre 5 e 7%. Gere ativamente o risco de duração e mantêm uma elevada qualidade creditícia antecipando-se a possíveis subidas de risco de crédito. “A carteira é construída alocando o risco em quatro pulares de investimento: estratégia macro, estratégias de cobertura, diversificação com estratégias satélites pouco correlacionadas e estratégias de seleção de instrumentos de elevada qualidade”, indica a diretora geral da Amundi para a Península Ibérica. 

A grande aposta de Beatriz Barros de Lis é o AXA WF Global Flexible Property, produto que se apresenta como uma solução para todos aqueles investidores que procuram exposição ao sector imobiliário, como via de Beatriz Barros de Lisdiversificação da carteira, mas que não querem renunciar à liquidez. “Através deste fundo, os participantes obtêm uma exposição fácil aos maiores mercados imobiliários do mundo, com a vantagem de poder aceder ao investimento a qualquer momento. A estratégia aplica um enfoque de 360 graus, cobrindo todo o espectro de investimentos imobiliários: ações cotadas e obrigações emitidas por sociedades de investimento imobiliário, enfoque que permite reduzir a volatilidade do mercado. Além disso, está diversificado entre ações, obrigações e ativos subjacentes”, explica a diretora geral da AXA IM para Portugal e Espanha. 

O produto assinalado por Aitor Jauregui, responsável da BlackRock para Portugal, Espanha e Andorra, como a Aitor Jaureguimelhor ideia de investimento para o próximo ano é o BGF Global Multi-Asset Income. “Trata-se de um fundo multiativos com inclinação para a geração de rendimentos. O fundo é gerido por Michael Fredericks, Justin Christofel e Alex Shingler. Tem um objetivo de distribuição de 5% anualmente e a sua estratégia está orientada para a minimização do risco em períodos de elevada volatilidade através de uma ampla diversificação e flexibilidade para utilizar diferentes classes de ativos. Alavancando-se na tecnologia da BlackRock, a equipa de gestão está repartida por todo o mundo, o que faz com que seja otimizada a análise bottom-up e se ganhe profundidade de mercado”, destaca. 

Sasha EversO fundo misto que recomenda Sasha Evers é o BNY Mellon Global Real Return Euro, produto gerido pela Newton, gestora especializada em estratégias multiativos. O que destaca o diretor geral da BNY Mellon IM para a Península Ibérica e América Latina é que o fundo procura obter um rendimento ao nível de Euribor +4% a cada ano, com um horizonte de investimento de três a cinco anos, antes de comissões. “O fundo investe com enfoque global, num conjunto de classes de ativos líquidas (ações, obrigações, instrumentos monetários, matérias-primas, infraestrutura, energias renováveis). Também pode utilizar derivados simples com o objetivo de executar operações de cobertura (por exemplo, calls de obrigações e puts de ações). É uma estratégia flexível focada na geração de retornos através de uma alocação de ativos dinâmica. É interessante para investidores conservadores, já que tem um objetivo claro de preservação de capital. A estratégia protegeu o património em anos difíceis como 2008, 2011 e 2018”. 

De acordo com Mario González e Álvaro Fernández Arrieta, diretores de desenvolvimento de negócio do Capital Grant Leon (Capital Group)Group para Portugal e Espanha, num contexto de maior incerteza e menor rentabilidade, os investidores poderão beneficiar de uma estratégia multiativos que ofereça uma combinação de crescimento e proteção. “O Capital Group Global Allocation beneficia dos 45 anos de experiência da casa nesta classe de ativos onde conta com mais de 400.000 milhões de dólares em ativos. O fundo é conservador, moderado, que investe em ações, obrigações e liquidez com limites de investimento claros e bem definidos. Em ações, investe primordialmente em empresas globais, defensivas, de qualidade e com um compromisso com o pagamento de dividendos. A parte de fixed income é também muito conservadora, investindo principalmente em obrigações com grau de investimento (nunca pode ter mais de 5% em high yield). O fundo é Gold Morningstar (só existem dois entre os mais de 300 da sua categoria) e primeiro quartil de rentabilidade a um, três e cinco anos”. 

Segundo Mariano Arenillas, é claro que o nível elevado dos preços dos ativos cotados faz com que 2020 pareça Mariano Arenillasum ano difícil de navegar. Poderemos assistir a eventos geopolíticos determinantes que exigirão uma elevada dose de flexibilidade e adaptação a um contexto que muda muito rapidamente. “Para isso, uma das opções com as quais podemos contar são os fundos multiativos flexíveis, onde as equipas de gestão com uma reconhecida trajetória de investimento gerem os rendimentos da carteira de acordo com um nível de risco máximo estabelecido. Estamos a falar, para perfis moderados, do DWS Concept Kaldemorgen, que conseguiu consolidar em 2019 ganhos superiores a 10% com uma acertada gestão de ações, obrigações e moedas, principalmente”, indica o responsável da DWS para a Península Ibérica. 

A estratégia que indica Sebastián Velasco, diretor geral da Fidelity para Portugal e Espanha, para o ano de 2020 Sebastián Velascoé o FF – Global Multi Asset Income, um fundo que investe em todos os tipos de ativos geradores de rendimentos a nível mundial, de forma muito flexível e baseando-se na análise do panorama económico global em cada momento. “Em ações, o gestor gosta da China (que estimulou a sua economia durante 2019 e poderá resolver a sua disputa comercial com os EUA), assim como o resto dos mercado asiáticos pela sua valorização relativa e melhores perspetivas de receitas, apoiadas em políticas fiscais acomodatícias e uma baixa inflação. Em obrigações, aposta na dívida em moeda local dos mercados emergentes devido à sua baixa inflação e à política acomodatícia dos seus bancos centrais. Por último, também favorece as obrigações de dívida pública chinesa, que têm uma classificação de grau de investimento e oferecem uma yield atrativa, além da diversificação em relação a alguns mercados desenvolvidos mais caros”, explica Velasco. 

O produto que assinala Lucía Catalán como a melhor aposta para investir em 2020 é o GS Global Multi-Asset Lucía Catalán_goldman sachsConservative. Tal como indica a diretora geral da Goldman Sachs AM para a Península Ibérica e América Latina, “o fundo é parte da gama de fundos com três perfis de risco (conservative, balanced e growth), com uma rentabilidade objetivo de 6% e com uma volatilidade entre 5% e 6%, sendo agnóstico em relação ao índice. É gerido pela equipa de Global Portfolio Solutions da Goldman Sachs AM, especializada em construir produtos multiativos, com um enfoque em gerar rentabilidades, em estreita ligação com uma exaustiva gestão do risco. Investe em diferentes classes de ativos e estratégias da GSAM, aproximadamente 25% em ações, 65% em obrigações e 10% em prémios de risco alternativos, seguindo uma alocação de ativos dinâmica e diversificada, que inclui o recurso a derivados e ETF. Atualmente, situa-se no primeiro quartil a um, três e cinco anos”. 

A ideia que apresenta Íñigo Escudero é o Invesco Balanced-Risk Allocation, um fundo multiativos global queInigo Escudero Invesco investe em três classes de ativos (ações, obrigações e matérias primas), que se comportam de forma diferente em cada momento do ciclo de mercado. “O enfoque do fundo centra-se na paridade de risco: em vez de ponderar por percentagem da carteira, pondera pela contribuição real de cada classe de ativo no risco total da carteira. A equipa de gestão combina uma alocação estratégica de recursos e uma parte tática. A parte estratégica pretende beneficiar da tendência a longo prazo, enquanto a tática procura aproveitar os movimentos do mercado no decorrer do ciclo. A alocação tática pode alcançar os 20% da carteira e é baseada num modelo multifatorial. O objetivo é posicionar-se para obter uma rentabilidade positiva total, independentemente de o mercado se encontrar em subida ou descida”, assinala o diretor de vendas e serviço ao cliente da Invesco para a Península Ibérica e América Latina. 

O fundo que assinala Javier Dorado é o JPMorgan Investment Funds – Global Income Fund e a sua variante, JPMorgan Investment Funds – Global Income Conservative. “São fundos globais multiativos que procuram maximizar a geração de rendimentos para os seus investidores, distribuindo-os de forma periódica. São geridos javierpela mesma equipa de especialistas e seguem o mesmo processo de investimento, diferenciando-se somente nos seus objetivos de rentabilidade e volatilidade. A equipa de gestão investe de forma diversificada numa ampla gama de ativos com o objetivo de capturar as melhores oportunidades de rendimento a nível global. São fundos apropriados para praticamente qualquer tipo de investidor, já que proporcionam um complemento perfeito aos ativos de rendimento tradicionais, cujos rendimentos são cada vez mais escassos neste contexto de taxas de juro, sem renunciar ao potencial de revalorização de capital. Além disso, são fundos realmente diversificados regionalmente a nível global e por classe de ativos. Este perfil e risco equilibrado tem permitido gerar rentabilidades muito atrativas ajustadas ao risco desde o seu lançamento. O JPM Global Income conta já com mais de 10 anos de história, e durante todo este período repartiu trimestralmente de forma consistente um dividendo de entre 4% e 6% anualizados.  O JPM Global Income Conservative, por seu lado, acaba de cumprir três anos e a rentabilidade por dividendo média anualizada desde o lançamento situa-se em torno dos 4%”, destaca o diretor geral da JPMorgan AM para Portugal e Espanha.

O fundo eleito por Gonzalo Azcoitia, responsável do escritório Ibérico da Jupiter Asset Management, é o Jupiter Gonzalo Azcoitia_JupiterFlexible Income, um produto flexível multiativo que tenta fornecer retornos regulares no longo prazo (entre três e cinco anos) com um perfil de risco-retorno moderado, investindo em diferentes classes de ativos à volta do mundo. “Como um fundo global, o Flexible Income investe em várias estratégias que geram retornos através da estrutura de capital de classes de ativos tradicionais e não tradicionais. Para definir as suas alocações de ativos estratégicas, o gestor tira partido da vasta experiência da Jupiter nas diferentes classes de ativos, das fortes capacidades dos especialistas de ações de cada região e da equipa de análise de fixed income. Integrado na plataforma de investimento e risco geral, a equipa de multiativos liderada por Talib Shiekh define as perspetivas macro e toma as decisões de alocação táticas”, explica Gonzalo Azcoitia.

De acordo com Ignacio Rodríguez Añino, responsável pela M&G Investments para Portugal, Espanha e América ignacio rodriguezLatina, “num contexto de taxas de juro baixas e inflação baixa, um fundo como o M&G (Lux) Income Allocation proporciona rendimentos periódicos com o objetivo de partilhar um cupão anual de 4% (distribuído mensal ou trimestralmente) e um crescimento de capital a longo prazo entee 2% e 4%. Gerido por Steven Andrew, este fundo de gestão ativa aplica a filosofia de investimento baseada nas finanças comportamentais qu tão bons resultados tem conseguido nos últimos exercícios. Da mesma forma, e com uma volatilidade que se situa entre os 4% e os 10%, conta com um enfoque muito flexível de seleção de ações com dividendos e obrigações que pagam cupões”. 

A solução multiativos eleita para o próximo ano por Laura Donzella, diretora de vendas da Nordea AM para a Península Ibérica e América Latina, é o Nordea 1 Stable Return Fund. “Num contexto de abrandamento laura donzellaeconómico e fraco crescimento dos lucros empresariais, boa parte dos investidores se perguntam como podem equilibrar o risco das ações, tendo em consideração que as obrigações governamentais têm uma rentabilidade esperar negativa (o que afeta a sua capacidade para descorrelação) e que os mercados de crédito cotam a valorizações bastante altas. Para navegar entre estes desafios, o Nordea 1 Stable Return Fund tem diversas ferramentas com capacidade comprovada para diversificar as carteiras. Estratégias que vão mais além das obrigações governamentais tradicionais e que exploram de forma sistemática ineficiências nos mercados de divisas, obrigações e ações globais. Depois do forte rally deste ano e perante os múltiplos desafios e incertezas que nos apresenta 2020, acreditamos que a chave para preservar capital  e gerar retornos estáveis estará em equilibrar e controlar os riscos a que estão expostas as nossas carteiras”, assinala.  

De acordo com Gonzalo Rengifo, em 2020 vai ser determinante uma gestão tática capaz de aproveitar Gonzalo_Rengifo_Pictet_AMoportunidades. O diretor geral da Pictet AM para a Península Ibérica e América Latina acredita que uma estratégia multiativos conservadora pode se revelar muito conveniente. “O Pictet Multi Asset Global Opportunities (MAGO) réplica o perfil de risco e rentabilidade das obrigações tradicionais, com um controlo muito estrito do risco, mediante um orçamento máximo de volatilidade de 5% e um objetivo de rentabilidade EONIA + 3%. É possível olhar para esta estratégia como um conjunto de prémios de risco (obrigações, ações e alternativos), geridos de forma muito dinâmica com uma política de proteção de capital muito eficiente. Combina uma análise top-down e bottom-up, começando pela situação macroeconómica, de estilo de investimento contrarian, com seleção de empresas, sectores ou temas onde deteta valor. Denominado em euros, pode ser uma opção para a parte conservadora das carteiras dos investidores que querem rentabilidades razoáveis com proteção ativa contra a volatilidade dos mercados”, considera. 

Ainda que na Schroders continuem com uma visão de crescimento baixo no futuro próximo, também consideram Carlaque algumas das principais ameaças com as quais sofremos este ano começam a dissipar-se. “Temos visto uma redução do risco político associado às guerras comerciais e ao Brexit. Isto permite-nos centrar nos benefícios de uma política mais flexível por parte dos bancos centrais. O Schroder ISF Global Multiasset Balanced oferece exposição aos mercados de forma global, diversificada e flexível, o que permite aproveitar as oportunidades em qualquer região ou classe de ativos. Em linhas gerais vemos que se reduziu  o risco de recessão, pelo que o fundo, no seu posicionamento, aposta em ativos cíclicos como as ações (com uma preferência pelos mercados emergentes e Japão), as matérias-primas (em virtude das favoráveis condições de liquidea), assim como o crédito, em comparação com outros ativos como as obrigações governamentais, que subponderam, ainda que conservem uma certa exposição como eventual proteção se virmos uma maior deterioração no crescimento global”, explica Carla Bergareche, diretora geral da Schroders para Portugal e Espanha. 

Diogo Gomes, diretor de Vendas da UBS AM, elege não um fundo, mas uma gama de fundos: a UBS Strategy Diogo_Gomes_UBS_AMFunds. Esta gama de cinco fundos multiativos diversificados globalmente, numa solução integral, dão acesso à sólida experiência do Grupo UBS. “Lançados nos anos 90, os Strategy Funds são a solução adequada para os investidores que querem tirar partido das oportunidades dos mercados financeiros globais, mas que não têm muito tempo para dedicar aos seus investimentos. Entre as diferentes estratégias, o investidor poderá escolher a que melhor se adapta ao seu perfil de risco. Os UBS Strategy Funds oferecem um acesso fácil à experiência dos profissionais de investimento da UBS Asset Management, sempre em linha com a visão da casa que guia tanto a alocação de ativos estratégica como a tática”, revela o profissional.

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