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Fundos monetários em euros subscrições limitadas após corte nas taxas juro do BCE


O corte de 25 pontos base nas taxas de juros anunciado na semana passada pelo Banco Central Europeu (BCE) e, mais concretamente, a decisão de deixar sem remuneração os depósitos dos bancos junto da instituição (depósitos marginais), provocaram um efeito imediato nos fundos monetários em euros de curto prazo. As grandes sociedades gestoras que dominam o mercado dos produtos monetários impuseram limites temporários a novas subscrições a fim de não prejudicarem os actuais participantes deste tipo de fundos, uma vez que a partir de agora será mais difícil conseguir rendibilidades.

As três maiores gestoras mundiais deste tipo de produtos, JP Morgan AM, BlackRock e Goldman Sachs AM (GSAM), comunicaram aos seus clientes esta limitação temporária até que se analisem novas abordagens de investimento que lhes permitam manter os actuais resultados. A Amundi, outro dos grandes actores neste cenário, não tomou a mesma decisão porque os seus produtos não são a uma prazo tão curto e nesse sentido não estão afectados pelo corte nas taxas de juro.

Os fundos monetários a mais curto prazo obtêm grande parte do seu rendimento através de papel comercial e certificados de depósito. No entanto, agora terão que procurar novas abordagens dado que os bancos não poderão remunerá-los e, por sua vez, estes não conseguirão rendimento junto do BCE.

Os gestores dos fundos monetários têm pela frente um cenário que se move em “território desconhecido na história, com taxas muito baixas ou até negativas para os rendimentos de emissões de alta qualidade”, segundo comunicou a GSAM aos seus clientes.

Até agora, uma das operações que realizavam os grandes fundos monetários era colocar parte do seu dinheiro em depósitos bancários com prazos de um dia ou uma semana, por exemplo. Dinheiro esse que os bancos colocam no BCE com uma taxa de juro de 0,25%. Os fundos recebiam por estas operações remunerações que podiam estar nos 0,10% ou 0,15%. Após a decisão de deixar os depósitos dos bancos junto do BCE sem remuneração, esta prática torna-se impossível e há que procurar alternativas.

Entretanto, as gestoras optam por não aumentar o património dos fundos que estão em vigor para que os participantes possam manter a rendibilidade das operações antecipadamente realizadas. Na situação de existirem novas subscrições, o que aconteceria era a diluição do rendimento e, por conseguinte, prejuízo para os actuais investidores.

JP Morgan AM

Os fundos da JP Morgan AM que temporariamente não aceitam subscrições e transferências de outros fundos são JPMorgan Liquidity Funds – Euro Liquidity Fund, JPMorgan Liquidity Funds – Euro Government Liquidity Fund, JPMorgan Funds – Euro Money Market Fund, JPMorgan Investment Funds – Euro Liquid Market Fund e JPMorgan Series II Funds – EUR.

A gestora comunicou esta decisão aos seus clientes deixando claro que tal não tem quaisquer implicações no reembolso ou saídas destes fundos. Igualmente advertiu que a novas entradas de dinheiro serão possibilitadas “quando isso não colocar em risco o beneficio dos actuais participantes”.

GSAM

Na GSAM, a restrição a novas entradas afecta o fundo GS Euro Liquid Reserves Fund, que estabeleceu 25 milhões de euros como limite diário de subscrição por cada conta, salvo raras excepções. Encerrado temporariamente está o fundo GS Euro Government Liquid, apesar de neste caso ser sem limite de valores. Este produto já tinha sofrido limitações temporárias em Dezembro último, quando ocorreu outro foco de tensão nos mercados monetários. Uma limitação posteriormente retirada.

A GSAM explicou, também, aos seus clientes que como consequência do que se vive no mercado no presente e da própria raiz da decisão do BCE, se espera uma redução significativa nas taxas de juro a um dia e que a entrada de dinheiro nestes fundos provocaria uma diluição do rendimento para os actuais participantes.

BlackRock

Os fundos geridos pela BlackRock e afectados por esta situação são o BlackRock Institutional Euro Liquidity Fund e BlackRock Institutional Euro Government Liquidity Fund. A entidade informou da restrição de subscrições no momento e que em alguns casos considerariam entradas de modo intermitente. Fontes da própria sociedade gestora asseguram que continuam “a monitorizar a situação avaliando as opções mais adequadas para proteger os interesses dos nossos clientes”.

Por sua vez, a Amundi afirma que “a estrutura dos seus fundos monetários não os leva a impor nenhuma restrição a subscrições. Continuamos a avaliar de perto a situação dos mercados e estamos preparados para tomar qualquer atitude quando tal for necessário”.

Os fundos monetários a mais curto prazo são dos mais procurados na actualidade e são especialmente utilizados por empresas como forma de rentabilizar os seus picos de tesouraria.