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Fundos mandatados: prós e contras


Os fundos mandatados são fundos onde o promotor é uma instituição e o gestor é outra instituição diferente. Assim, normalmente, o promotor conta com o veículo e com os clientes, e o gestor (ou assessor) é um provedor contratado com um reconhecido prestígio e experiência nessa categoria de ativos ou estratégia de investimento. Este modelo costuma ser levado a cabo quando o promotor prefere concentrar os seus recursos naqueles mercados ou estratégias que considera que podem oferecer um valor acrescentado, subcontratando as capacidades de gestão noutros mercados ou estilos de gestão que considera que não pode ou não lhe interessa suportar o custo de oferecer um serviço de elevado valor acrescentado.

“A diferença entre os fundos mandatados e os modelos de arquitetura aberta de fundos é que no primeiro dos casos existe um compromisso explícito e com um objetivo de certa estabilidade com o gestor (provedor) que recebe o mandato. Contudo, no caso de um modelo de arquitetura aberta, as equipas de assessoria e gestão de carteiras de fundos podem mudar facilmente as suas recomendações sobre os fundos em determinadas categorias, com as consequentes entradas ou saídas de património em fundos objetivo, que serão geridos e promovidos por outras gestoras”, explica Carlos Fernández, professor do Instituto de Estudios Bursátiles (IEB) à Funds People.

As vantagens…

Segundo indica Fernández, a vantagem dos mandatos, do ponto de vista do promotor, é que pode decidir o esquema de preços aplicado ao produto, e também negociar os custos do mandato com a gestora que vai fornecer o serviço. “Estas duas questões são determinantes, especialmente no caso de instituições que contam com patrimónios importantes que podem ser mandatados, e um certo compromisso de estabilidade nesses patrimónios. Além disso, o mandato implica uma relação muito mais próxima com o provedor (a gestora encarregue), e também um controlo muito mais direto sobre o risco, a rentabilidade e a própria atividade de trading vinculada com o exercício normal da gestão do produto, já que o fundo é do promotor”.

Para dar um exemplo muito extremo, nos Estados Unidos existem casas com uma larga trajetória como a Harbor Funds cuja abordagem é promover fundos que são sempre mandatados a terceiros.

… e as desvantagens

Para Fernández, a desvantagem dos mandatos é a menor flexibilidade e o maior compromisso exigido. “A seleção de um provedor no momento de outorgar um mandato requer um rigoroso processo de due dilligence de gestão operacional, a negociação do modelo para que seja suficientemente atrativo para as duas partes, e o desenvolvimento de um modelo de governance sólido no momento de gerir a relação. Aparecem perguntas como: quando deixamos de confiar num gestor a quem confiámos um mandato?; como adequar o mandato às expectativas do promotor deixando liberdade suficiente ao gestor na sua forma de trabalhar?; assinala o especialista.

Também é relevante avaliar em que medida os próprios clientes finais estão preparados para confiar a longo prazo no mandato e em que medida é preciso informar e formar esses clientes de maneira realista sobre a importância de manter o seu património no fundo e deixar o gestor trabalhar mais além dos resultados a curto prazo. “O cliente é soberano e tem sempre mais liberdade do que o promotor no momento de decidir se o mandato está a cumprir as suas expectativas ou não”, afirma o especialista.

A conclusão a que chega Fernández é que o modelo de fundos mandatados é um modelo muito interessante que exige uma grande maturidade e compromisso da parte da instituição promotora, e uma contribuição de valor significativo da parte da gestora que atua como provedora do serviço. “Gerir a comunicação com os clientes finais e estabelecer compromissos realistas sobre a capacidade que o gestor tem para oferecer um resultado que justifique a atribuição do mandato a longo prazo são desafios muito importante para este modelo”, sublinha.

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