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Fundos de ações: as apostas das gestoras internacionais para 2017


A classe de ações europeias continua a ser a principal aposta dos responsáveis das gestoras internacionais para enfrentar o novo ano, embora o entusiasmo por este mercado se tenha reduzido de forma muito significativa em comparação com há doze meses atrás. É o que revela o questionário realizado pela Funds People entre os máximos responsáveis de algumas entidades estrangeiras com representação na Península Ibérica.

O questionário, para além de perceber qual será o fundo estrela da entidade para o próximo ano, o seu objetivo é saber se um ano depois aconteceram mudanças ou não relativamente ao produto assinalado. Por ordem alfabética, os máximos responsáveis das gestoras internacionais detalham o seu fundo estrela para o próximo ano e os motivos que os levaram a tomar essa decisão.

Ines_Correia_Oliveira_Millenium_WMUA recomendação nas ações, de Nuria Trio, para 2017 é o Amundi Funds Equity Europe Conservative. A diretora geral adjunta da Amundi para a Ibéria assinala esta estratégia para aproveitar o potencial das ações europeias, mas com um enfoque conservador que tenta maximizar o risco de queda e amortizar o seu impacto. “O fundo utiliza um processo de investimento que tem por base dois pilares: a qualidade e a diversificação. O primeiro filtro na construção da carteira é portanto o factor qualidade, procurando identificar empresas que possam beneficiar do crescimento do mercado e que contem com as caraterísticas de elevada eficiência operacional, alta rentabilidade e um baixo ou nulo nível de endividamento. A segunda fase consiste em construir uma carteira diversificada que limita as posições individuais a um máximo de 2,5% da carteira e estabelece também limites sectoriais para evitar a concentração em alguns deles. A equipa de gestão procura para além disso identificar empresas que se comportem de forma descorrelacionada para reduzir a volatilidade e amortizar as perdas em caso de quedas de mercado. Um fundo adequado para aqueles investidores que procurem exposição ao potencial de rentabilidade das ações europeias e das suas oportunidades de crescimento, mas com um menor nível de risco e com um horizonte de longo prazo”.

Ines_Correia_Oliveira_Millenium_WMUO produto de ações selecionado por Beatriz Barros de Lis, diretora geral da AXA IM para Ibéria, é o AXA Rosenberg US Enhanced. Segundo explica, no próximo ano esperam que se mantenha o debate sobre a gestão passiva, a ativa e as vantagens de cada uma. “Acreditamos que optar apenas pela gestão passiva pressupõe perder oportunidades de geração de alpha. Assim, os fundos enhanced indexing, nos quais nós apostamos, incluem o melhor de dois mundos: a flexibilidade da gestão ativa e custos contidos. A equipa de Rosenberg, que é a que gere o AXA Rosenberg US Enhanced, continua com um estilo sistemático. O seu processo de investimento reúne uma análise fundamental em profundidade com uma execução sistemática e rigorosa para oferecer um leque de soluções de investimento desenhadas aos diferentes perfis de risco e retorno. A seleção de títulos é ativa e bottom-up, mas a execução sistemátic, a amplitude e a profundidade da cobertura vai até um universo de 20.000 títulos de todo o mundo”.

Ines_Correia_Oliveira_Millenium_WMUA eleição de Andre Themudo, vice president da BlackRock, é o BGF Global Equity Income Fund. O profissional explica que este “fundo assenta em pilares na sua construção”. Foca-se “em empresas de alta qualidade pagadoras de dividendos estáveis e crescentes, num enfoque de investimento de longo prazo e na flexibilidade na gestão”. Entende que é um fundo que “permite não só capturar uma potencial evolução no mercado de ações tanto europeias como americanas, mas também de outras regiões que acreditamos que têm potencial para 2017 como Japão ou mercados Emergentes”.

Ines_Correia_Oliveira_Millenium_WMUO BNY Mellon Global Income Fund é a opção eleita por Sasha Evers, diretor geral da BNY Mellon IM para Portugal e Espanha. O fundo é gerido pela Newton, especialista da entidade em investimento temático global com sede em Londres. “A Newton é especialista na gestão de ações enfocadas em empresas capazes de gerar dividendos atrativos. A equipa de gestão deste fundo faz muito fincapé em indentificar aquelas empresas a nível global capazes de sustentar a distribuição de dividendos a longo prazo. A estratégia original tem mais de 10 anos de história”. Num mundo de crescimento baixo e inflação baixa, a Newton opina que a contribuição de dividendos para a rentabilidade total das ações será uma porção cada vez mais importante. “É chave identificar empresas a nível global com balanços sólidos e com um dividendo atrativo relativamente à média do seu índice (FTSE World)”.

Ines_Correia_Oliveira_Millenium_WMUA grande aposta de Mariano Arenillas para 2017 é o DWS Top Dividend. Segundo explica o responsável do Deutsche AM para Ibéria, trata-se de um produto que investe em empresas de todo o mundo que distribuem um dividendo sustentável superior à média do mercado. “O objetivo do fundo é superar a rentabilidade de fundos comparáveis (Global Equity Income) e das ações globais. A diversificação geográfica e sectorial e o seu enfoque defensivo fazem com que o fundo atue como um híbrido entre as estratégias mais voláteis de ações e obrigações, que atualmente oferecem rentabilidades muito baixas. O Deutsche AM é pioneiro líder na Europa neste tipo de estratégias, que oferecem um perfil de rentabilidade/risco assimétrico”, assegura Arenillas.

Ines_Correia_Oliveira_Millenium_WMUA estratégia de ações que recomenda Sebastián Velasco para 2017 é um fundo de ações americanas: o FF America Fund. Segundo explica o responsável da Fidelity para Ibéria, trata-se de um fundo que investe principalmente em empresas dos EUA, subvalorizadas, apoiadas numa exaustiva análise bottom-up. “A economia norte-americana goza de boa saúde, com uma taxa de desemprego em mínimos, um consumo que está no auge, energia barata e um mercado imobiliário dinâmico. A administração de Trump vai girar em torno do crescimento via orçamentos estatais e, embora exista o risco de que consiga levar a cabo a sua agenda protecionista, inclusive neste cenário o mercado norte-americano resistirá devido à cultura de poupança para a reforma fomentada no próprio âmbito empresarial”, afirma o responsável.

Ines_Correia_Oliveira_Millenium_WMUA opção eleita por Ramón Pereira para o próximo ano dentro dos fundos de ações é o Franklin Mutual Global Discovery. Segundo explica o responsável da Franklin Templeton Investments para Portugal e Espanha, a filosofia do fundo é puro “deep value”. “O fundo não toma decisões ativas de Asset Allocation, mas usa um enfoque puro “bottom up”, sem nenhum tipo de limitação por sector ou país. O gestor procura empresas cujo valor de mercado não reflita o valor intrínsico, nem o valor real da empresa. São muito escrupulosos na hora de fixar um preço objetivo, e aqui sim seguem um processo de venda muito disciplinado (exemplo: Nestle, Danone: no ano passado)”, explica.

Ines_Correia_Oliveira_Millenium_WMUAs expetativas da Goldman Sachs AM são de que o mercado de ações americanas continue a seguir o seu caminho de bull market durante 2017. Por isso, Lucía Catalán, responsável da gestora para Iberia e América Latina, recomendam o GS US CORE, fundo que tem como objetivo bater o S&P 500 com um tracking error abaixo dos 3%. “Importa destacar o ranking do fundo dentro do seu universo, num dos mercados mais difíceis para um gestor ativo como são as ações USA: o fundo situa-se no primeiro quartil da sua categoria desde o seu lançamento a 3 e a 5 anos. Trata-se de um fundo neutral por estilo e que vai ter uma exposição sectorial muito parecida à do S&P 500. Estas caraterísticas fazem do GS US CORE uma solução muito eficiente para aumentar a exposição ao mercado de ações nos EUA com baixo risco. A estratégia passa por olhar para o S&P 500 como ponto de partida e ir tomando posições relativas em função de quais sejam as convicções da equipa a partir da análise fundamental, o que é complementado pela análise de sentimento e momentum. Uma das caraterísticas diferenciadoras do fundo é que tem a capacidade de se adaptar rapidamente às mudanças de tendência nos mercados graças ao uso que faz das ferramentas de análise de big data para identificar empresas com um potencial de subida, antecipando-se ao resto dos participantes do mercado”.

Ines_Correia_Oliveira_Millenium_WMUA grande aposta de Íñigo Escudero é o Invesco Pan European Equity. Segundo o responsável da Invesco para Ibéria e América Latina, 2017 vai ser marcado pela rotação sectorial que se começou a produzir na Europa. “Para a equipa de ações europeias da Invesco, a dispersão que ainda existe entre as valorizações dos sectores quality/growth e value – ou seja, entre os títulos defensivos e os cíclicos – geram oportunidades atrativas  de investimento neste mercado. Com uma gestão puramente fundamental, os gestores do fundo Invesco Pan European Equity Fund combinam uma análise top-down e bottom-up, centrada em procurar as ineficiências do mercado através das valorizações. Com um enfoque flexível, não seguem nenhum índice de referência, embora invistam única e exclusivamente onde veem valor, sem limitações geográficas nem sectoriais. Graças à sua aposta nos sectores mais subvalorizados, batem em 4 pontos percentuais o seu índice de referência no último trimestre. A longo prazo é quartil 1 da sua categoria a 5 e 10 anos”, afirma Escudero.

Ines_Correia_Oliveira_Millenium_WMUJavier Dorado, responsável da J.P. Morgan AM para Portugal e Espanha, assinala o JPM Europe Equity Plus. Segundo explica, trata-se de um fundo de bolsa europeia que se diferencia do resto principalmente porque pode tomar posições curtas, beneficiando do mau comportamento de títulos caros, sem momentum nem qualidade nos seus balanços. “A posição líquida será sempre cerca de 100%, já que toma posições longas para compensar as curtas (fá-lo com  um intervalo de 140-40). Acreditamos que está muito bem posicionado para aproveitar as oportunidades que a região europeia oferece no cenário atual de recuperação económica. Este fundo apresenta um comportamento histórico muito atrativo, e é geridopor uma equipa muito estável com uma longa trajetória”, explica Dorado.

IMGA_IM_Gestao_de_AtivosA eleição de Javier Mallo em ações para 2017 é o Legg Mason Royce US Small Cap Opportunities, fundo gerido pela Royce, gestora especializada em pequenas empresas. Tal como detalha o responsável da Legg Mason Global AM para Portugal e Espanha, trata-se de um produto com uma carteira altamente diversificada de pequenas e micro empresas de estilo value. “É um fundo muito adequado para diversificar a exposição a ações americanas, classe de ativos que pode ver-se favorecida pelas valorizações tão interessantes como as a que cotam as small caps value em comparação com as small caps growth, o aumento de atividade de M&A, as perspectivas de crescimento e o facto de que a maioria destas empresas beneficiam do consumo interno nos EUA. Além disso, o peso em sectores como as infraestruturas, consumo e tecnologia pode favorecer a classe de ativos depois das eleições nos EUA”.

IMGA_IM_Gestao_de_AtivosA aposta de Ignacio Rodríguez Añino para o novo ano, para esta classe de ativos, é o M&G European Strategic Value Fund. Segundo explica o responsável da M&G para Portugal, Espanha e América Latina, este fundo tem como objetivo principal proporcionar crescimento de capital a longo prazo (cinco anos ou mais) seguindo uma estratégia de investimento value. “Investe pelo menos 80% da carteira em ações de empresas europeias (incluindo o Reino Unido) que estão subvalorizadas. O seu gestor, Richard Halle, tenta criar um cabaz de ações diversificadas que os outros investidores tenham valorizado indevidamente. Este cabaz inclui ações correspondentes a um universo de entre 60 e 100 empresas, com um período de investimento de entre três e cinco anos e distribuídos de forma equilibrada por regiões e sectores, o que lhe permite contornar os possíveis riscos que advêm de uma sobreponderação a uma região ou sector. Richard apoia-se na visão de que a longo prazo, o investimento em value obtém resultados superiores aos do mercado. Com este fundo, a equipa de gestão estrutura o processo de investimento em duas fases: A primeira fase é quantitativa, e centra-se em identificar os títulos situados no quartil mais barato de cada sector dentro do universo europeu de investimento. A segunda fase consiste em analisar as características financeiras, empresariais e da equipa de administração das empresas pré-selecionadas. O objetivo, neste caso, é evitar armadilhas de valor. Além disso, a gestão do risco tem um papel fundamental na gestão da carteira e por isso, Richard trabalha em estreita colaboração com a equipa de gestão de riscos para garantir que o factor determinante da rentabilidade seja a seleção de valores”.

IMGA_IM_Gestao_de_AtivosLaura Donzella, responsável da Nordea para a Ibéria e América Latina, elege como primeira opção em ações para o ano de 2017 é o Nordea 1 – Emerging Stars Equity Fund. “Este fundo oferecer uma carteira de ações em países emergentes que se foca em empresas que cumprem critérios ESG. As empresas são selecionadas num processo de investimento fundamental bottom-up que procura identificar empresas que possam beneficiar das mudanças estruturais em tecnologia, demografia, globalização e sustentabilidade. O resultado é uma carteira de elevada convicção com um perfil de crescimento, a preços razoáveis.

IMGA_IM_Gestao_de_AtivosComo complemento do investimento global em ações, Gonzalo Rengifo acredita que é possível ampliar os critérios de diversificação e horizonte de investimento mediante megatendências independentes do ciclo económico, que incluem crescimento e inovação tecnológica numa ampla variedade de sectores e mercados. “É o caso das tecnologias disruptivas, que estão a fomentar novos modelos de negócio. Ao mesmo tempo, a segurança cibernética é um desafio, enquanto que a nova geração de robôs, com custos significativamente menores afeta todas as indústrias com crescimentos anuais estimados de mais de 10%. Este investimento é concretizado através do Pictet Digital, o Pictet Security e o Pictet Robotics”, explica o diretor geral da Pictet AM para a Ibéria e América Latina.

IMGA_IM_Gestao_de_AtivosAlmudena Mendaza, responsável da Pioneer Investments para a Ibéria, elege o Pioneer Funds – European Equity Value, um fundo de investimento em ações europeias com estilo “value”, e em que cada posição tem um peso equitativo na carteira, com um horizonte de investimento a longo prazo e baixa rotação da carteira, com um enfoque conservador. Tem conseguido bater o seu benchmark (MSCI Europe Value) de forma muito consistente a 1, 3, 5 anos e desde o seu lançamento. Segundo Mendaza, “a carteira aplica uma filosofia de investimento baseada em value e um processo centrado em vário valores. Enfoque conservador: consideramos que a preservação de capital é a base para garantir o crescimento do património. Prudência: insistimos em manter uma margem de segurança em cada investimento. Combinação de qualidade e valor: o objetivo é adquirir empresas de qualidade e não centrar-se unicamente em movimentos de subida ou descida sem restrições. Aplicamos um processo bottom-up orientado para a análise que nos permite concentrar os investimentos sem influência dos índices de referência”.

IMGA_IM_Gestao_de_AtivosCarla Bergareche, diretora geral da Schroders para a Ibéria, acredita que as ações são mais interessantes em comparação com outros ativos, dado o contexto de taxas de juro reduzidas. “As valorizações e a possível recuperação dos lucros na Europa poderá representar um notável potencial de subida, se perante uma seleção de valores adequada. Acreditamos que as estratégias de investimento baseadas no atual dinamismo estão a chegar ao limite, pelo que apostamos na procura de oportunidades contrarian, baseadas em fundamentais e numa análise bottom-up. O Schroder ISF Euro Equity, um fundo que investe em ações da Zona Euro com um estilo bottom-up e um enfoque flexível, não se centra em sectores concretos mas procura oportunidades identificando ineficiências nas valorizações das empresas por parte do mercado. O fundo beneficia de uma carteira diversificada com títulos value e growth. A análise profunda de empresas elaborada pela nossa experiente equipa de analistas permite-nos identificar oportunidades subvalorizadas e catalisadores de inversão de tendências, como por exemplo umas melhores perspectivas de procura ou uma mudança na equipa de administração. Por último, conta com um histórico de rentabilidade sólido em condições de mercado muito diversas”.

IMGA_IM_Gestao_de_AtivosSegundo Juan Infante, responsável da UBS AM para a Ibéria, depois do auge económico vivido durante 10 anos com o seu pico entre os anos de 2010 e 2013, os mercados emergentes entraram numa prolongada etapa de desaceleração que coincidiu com uma rentabilidade baixa à medida que a competitividade se erodia e o crédito crescia. Na sua opinião, os mercados emergentes podem oferecer aos investidores oportunidades de investimento em ações prometedoras durante os próximos anos. “Os drivers estruturais continuam sendo fortes e as valorizações mostram-se atrativas para os investimentos a longo prazo. Mesmo que os fundamentais tenham melhorado, o universo de investimento não é homogéneo, o que requer uma abordagem muito seletiva”, afirma. Em consequência, a sua grande aposta para 2017 é o UBS Global Emerging Markets Opportunity.

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