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Fundos assumem menos risco de taxa de juro do que a gestão de patrimónios


Dados divulgados pela CMVM no Relatório sobre os Mercados de Valores Mobiliários mostram a evolução da distribuição do investimento em obrigações nas carteiras agregadas dos OICVM nacionais por origem geográfica, bem como a evolução da duração média entre as diferentes subclasses de fixed income.

Segundo se pode ler no relatório, no que respeita à origem geográfica dos emitentes, registou-se, com exceção do caso de Portugal, uma diminuição global do valor investido em dívida emitida por empresas de França, da Espanha, de Itália, da Alemanha e, em especial, dos EUA. Já nas obrigações soberanas verificou-se uma redução do peso da dívida de França e de Portugal. “Apesar da contínua melhoria da notação de risco de crédito da República Portuguesa, o estreitamento das yields para mínimos históricos poderá explicar esta evolução”, comentam da CMVM. Por outro lado, os OICVM reforçaram signicativamente as aplicações em dívida pública italiana, “eventualmente numa ótica de procura de retorno dada a subida das taxas italianas em mercado secundário. As aplicações em dívida soberana espanhola e alemã também aumentaram, embora menos intensamente”.

Evolução da duração

Já no que se refere à exposição ao risco de taxa de juro no mix de ativos dos OICVM, a CMVM mostra no gráfico que esta se encontra em máximos no que se refere à dívida pública nacional. Dado o recuo significativo da duração da dívida pública estrangeira, a duração da dívida soberana, no geral, coincide em cerca de pouco mais de três anos. “No caso da dívida pública portuguesa, a duração da dívida dos fundos é inferior à do stock da dívida pública nacional e, por conseguinte, a exposição dos fundos ao risco de taxa de juro é relativamente reduzida”, comentam do regulador dos mercados.

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Já a dívida privada mostra uma duração bastante inferior. A dívida nacional na carteira dos OICVM nacionais não vai além do um ano, enquanto a dívida privada estrangeira mostra uma duração média perto de 2. “Em geral, a duração modificada da carteira de obrigações dos OIC é inferior à da carteira de obrigações da gestão individual por conta de outrem, pelo que a sensibilidade do preço das obrigações a alterações das taxas de juro varia não só consoante o tipo de dívida detida, mas também com o tipo de gestão”.

A CMVM dá conta, no entanto, que na dívida pública a duração é bastante mais aproximada entre os fundos (3,3 anos na dívida pública nacional e 3,2 anos na dívida pública estrangeira) e a gestão individual (4,9 anos na dívida pública nacional e 4,5 anos na dívida pública estrangeira).

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