Fundação Oriente passa a considerar real estate na sua abordagem de investimento


Os resultados da Fundação Oriente relativos ao ano de 2018 demonstram que pouco se alterou no que toca aos ativos financeiros detidos para negociação, pelo menos no que toca ao valor associado a esta rubrica. A Fundação terminou 2018 com 148,52 milhões de euros alocados aos ativos financeiros, o que compara com um valor que, embora apenas ligeiramente inferior face a 2017 (de 148,78 milhões de euros),  a instituição faz questão de justificar no próprio documento relatório e contas: “O decréscimo registado em relação ao exercício de 2017 é explicado pelo saldo líquido entre o reembolso de aplicações financeiras e as variações de mercado das carteiras de aplicações financeiras”.

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A componente da variação do mercado foi precisamente uma das justificações mais mencionadas pela Fundação ao longo do documento. No que toca às aplicações financeiras geridas no estrangeiro, onde são consideradas as carteiras de títulos sob gestão discricionária de instituições financeiras no estrangeiro, especializadas na gestão de ativos, a entidade reporta um valor de 60,86 milhões de euros no final de 2018, face aos 63,23 milhões de 2017. “A variação de mercado negativa registada pelo conjunto de aplicações que compõem aquelas carteiras de títulos”, escrevem, é a razão apontada pela entidade para o decréscimo que se traduziu numa “rentabilidade anualizada negativa, líquida de comissões de gestão, de 5,48%”.

Ativos geridos no estrangeiro continuam a ser core

Os portefólios geridos no estrangeiro constituíam no final de 2018 uma parte importante (41%) do conjunto de ativos financeiros da Fundação. Portefólios que a entidade reporta serem geridos no estrangeiro por “bancos especializados”, para os quais “são definidos parâmetros para limitação do risco”. Neste conjunto, o peso das componentes de menor risco – liquidez (depósitos), obrigações representativas da dívida pública de Estados soberanos de rating superior, obrigações emitidas por grandes empresas internacionais – ultrapassava 46,4% do total, no final de 2018, enquanto a exposição a ações e a outros ativos de idêntico risco era de 53,6%.  

Aplicações financeiras geridas no estrangeiro 

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“Selectividade” na composição destas carteiras. É o adjetivo utilizado pela entidade para classificar a estratégia de gestão de ativos destes portefólios. Reforçam a necessidade da “defesa da integridade do capital investido”, uma política que a fundação considera “mais condizente e a que melhor defende o seu perfil de investidor institucional, em prol da preservação da sua solidez financeira e da sustentabilidade do seu tipo de atividade”. O reflexo do referido, assinalam, está refletido nos resultados: “As rentabilidades destes portfólios, quando analisadas a médio/longo prazo, permitem verificar, por um lado, uma adequada relação risco/retorno e, por outro, níveis de rentabilidade normalmente superiores à obtida pela aplicação da liquidez nos mercados monetários em instrumentos financeiros de curto prazo, diferencial que se acentua neste prolongado ambiente de baixo nível das taxas de juro em que estamos a viver”.

Nas aplicações financeiras geridas no estrangeiro importa destacar ainda as unidades de participação detidas pela Fundação no Fundo Novenergia II - Energy & Environment (SCA), SICAR. Um fundo que, segundo a entidade, distribuiu aos seus participantes no ano passado “cerca de 15 milhões de euros, tendo à Fundação Oriente cabido receber 2.032 milhares de euros em 2018”. Referência também ao facto de o fundo ter como termo de existência 9 de março de 2019, tendo sido “desencadeada uma operação de alienação da referida sociedade holding NHC, que culminou com a assinatura de um contrato de venda em 20 de fevereiro de 2019”.

BPG e BBVA: as escolhas em território nacional

No que se refere ao montante mais diminuto das aplicações financeiras, ou seja as aplicações geridas em Portugal – contabilizadas em 6,20 milhões de euros – à semelhança do que acontecia um ano antes continuavam a estar maioritariamente repartidas entre ações e obrigações. O decréscimo no valor registado face ao ano de 2017 é explicado pela entidade pelo “reembolso de parte da participação detida no Fundo ES Iberian que está no seu termo, em fase de desinvestimento, quer pelas depreciações de mercado registadas no conjunto destas aplicações”.

Como é reforçado também, as aplicações geridas em Portugal correspondem ao somatório dos ativos sob gestão direta da Fundação – 3,06 milhões de euros – com as carteiras sob gestão do Banco Português de Gestão – 3,12 milhões de euros - e as sob a alçada do BBVA – 26,67 mil euros.

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Propriedades de investimento na mira

Uma mudança de perspetiva de investimento. É o que a entidade acaba por dar a entender nas palavras que profere quanto ao futuro. É referida a vontade de  reduzir a concentração em ativos financeiros negociados em mercados, de forma a ser obtido “um fluxo mais certo e mais regular de rendimentos, que assegure o financiamento sem sobressaltos das atividades da fundação”.

Escrevem que nesse sentido está “gizado um plano de investimentos orientado para outras fontes alternativas de rendimentos, como sejam as “Propriedades de Investimento”, que tenham associados contratos de arrendamento de longo prazo com entidades sólidas e credíveis assegurando valores de renda claramente mais favoráveis do que os proporcionados pela prolongada conjuntura de baixas taxas de juro”.

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