Fundação Oriente: “Espera-nos uma grande volatilidade na valorização dos ativos em carteira”


Poder-se-á dizer que os relatórios e contas das Fundações nacionais são uma boa “matéria-prima” para as gestoras de ativos nacionais. Nesse sentido, depois de conhecidas as contas da Fundação Champalimaud e da Fundação Gulbenkian, hoje mostramos-lhe que números apresenta a Fundação Orientequarta maior em património -  relativamente ao ano de 2017.

As “notícias” relativamente ao ano passado começam com o reporte de um decréscimo nos ativos financeiros detidos para negociação pela Fundação, rubrica que se refere, segundo o relatório e contas, “às aplicações financeiras e de tesouraria detidas pela Fundação, geridas quer no estrangeiro quer em Portugal”. O ano passado terminou com um montante de 148,78 milhões de euros alocados a esta rubrica, valor que compara com os 161,85 milhões de euros de 2016. Este é um decréscimo que a entidade justifica “pelo reembolso antecipado de 25,20 milhões de euros das obrigações Lusenerg 2011-2018 e pelo termo das Obrigações Lusenerg 2011-2017 com o reembolso de 3.000 milhões de euros”. Segundo o documento, “o produto destes reembolsos foi aplicado no reforço quer das carteiras de aplicações financeiras detidas pela Fundação em praças financeiras estrangeiras, quer em depósitos a prazo”.

Metade do património gerido no estrangeiro

Pode dizer-se que metade dos ativos financeiros da entidade são geridos por entidades estrangeiras. A Fundação fala de “carteiras de títulos sob gestão discricionária de instituições financeiras no estrangeiro especializadas na gestão de ativos”, sendo que nestes bancos especializados são definidos “parâmetros para a limitação do risco” das carteiras. Segundo o relatório e contas da entidade são em específico 42,5% do conjunto dos ativos financeiros que estão alocados a estas entidades, o correspondente a 63,23 milhões de euros. Este é um valor que compara com os 44,95 milhões de euros de 2016, e a Fundação apresenta dois motivos para a variação positiva registada de um ano para o outro. Por um lado, falam do já referido “reembolso antecipado das obrigações Lusenerg 2011-2018”, enquanto por outro atribuem a variação positiva à “variação de mercado positiva registada pelo conjunto de aplicações que compõem aquelas carteiras de títulos e que se traduziu numa rentabilidade anualizada, líquida de comissões de gestão, de 6,58%”.

Composição da carteira de investimentos da entidade situada no estrangeiro

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Fonte: Relatório e contas 2017

Visível na tabela acima, e também especificada no próprio relatório, é a componente da carteira de investimentos no estrangeiro. “O peso das componentes de menor risco – liquidez (depósitos), obrigações representativas da dívida pública de Estados soberanos de rating superior, obrigações emitidas por grandes empresas internacionais – ultrapassava os 46% do total no final de 2017, enquanto que a exposição a ações e outros ativos de idêntico risco era de 54%”, pode ler-se. De destacar nesta mesma rubrica de aplicações financeiras geridas no estrangeiro o investimento que a Fundação leva a cabo em unidades de participação no fundo Novenergia II – Energy & Environment (SCA). A entidade destaca no relatório, que está a decorrer, ao longo do exercício de 2018, uma operação de alienação dos ativos sob gestão deste fundo, que resultará numa distribuição aos participantes. Neste sentido, a Fundação deverá beneficiar de "um significativo reforço de liquidez, a ocorrer com maior probabilidade nos finais de 2018 ou mesmo apenas em 2019"

No que se refere às aplicações geridas em Portugal (no quadro abaixo) a quantia claramente decresceu no ano em causa – o documento mostra um decréscimo de 35,24 milhões de euros de 2016 para os 6,49 milhões de 2017. Um decréscimo que a Fundação justifica pelo “reembolso das duas emissões de Obrigações Lusenerg” e ainda pelo “efeito residual do reembolso da participação detida no fundo imobiliário fechado Lusimovest”.

Composição da carteira de investimentos da entidade situada em Portugal

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Fonte: Relatório e contas 2017

Lista de riscos

No relatório e contas da Fundação houve ainda espaço para algumas palavras sobre as perspetivas da mesma para o ano seguinte, sendo de pouco positivismo o tom da Fundação relativamente aos mercados financeiros. No relatório escrevem que “as expetativas sobre os mercados financeiros em 2018 e os fatores de risco condicionam a performance" e "não deixam grande margem para otimismos”.

Enumerando grandes riscos como “a incerteza política na área euro e a possibilidade de um recrudescimento das tensões nos mercados financeiros”,  a Fundação fala de um “enquadramento internacional menos favorável do que aquele que tem sido considerado em muitas projeções baseadas num crescimento global da economia relativamente robusto”.

Desta lista não deixam também de fora “a possibilidade de um agravamento das tensões geopolíticas e da incerteza política a nível internacional, bem como de um aumento do protecionismo a nível global”, ou a “eventual guerra comercial entre os EUA e os seus parceiros comerciais”.

Plano de relativa intranquilidade

Juntando a esta lista outros riscos aos quais não deixam de estar atentos, a Fundação faz uma reflexão: “Os investidores em ativos financeiros terão de estar preparados para movimentos desordenados e episódios de turbulência do mercado financeiro, ou seja, espera-nos uma grande volatilidade na valorização dos ativos em carteira”. Neste sentido, prosseguem, e asseguram que “num plano de relativa intranquilidade” a que os investidores estão sujeitos, da Fundação preferem não assumir uma postura de otimismo relativamente “aos rendimentos esperados da gestão dos ativos financeiros” da entidade. São contundentes: “Os dados conhecidos à data deste relatório não deixam antever conforto quanto à adequação da rentabilidade esperada no final do ano aos objetivos e necessidades da fundação”.

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