Fundação Champalimaud: 2019 foi ano de elevados retornos


2019 foi um ano excelente para os ativos de risco, pelo que se revelou um ano positivo para a Fundação Champalimaud. Segundo é revelado no relatório e contas divulgado recentemente pela entidade, “a carteira de investimentos financeiros da Fundação terminou o ano com uma valorização de 12,6%, a que corresponderam ganhos de 55,78 milhões de euros. O valor global dos ativos financeiros, no fim do ano, era de 520,2 milhões de euros”. No documento é também mencionado que todas as classes de ativos registaram rentabilidades positivas, embora a classe do mercado cambial se tenha visto limitada devido ao custo de cobertura de ativos não expressos em euro.

Quanto à política de investimentos da Fundação, esta manteve-se "passiva" com uma alocação top down determinada por tipos de ativos, uma perspetiva de longo prazo e caracterizada pela diversificação de investimentos. “A Fundação visa ultrapassar o desempenho do mercado, dentro do seu perfil de risco, selecionando os melhores fundos para cada categoria de ativos e escolhendo-os em função, simultaneamente, do reconhecimento dos gestores e de resultados comprovados”, referem. A entidade revela também que recorre a investimentos em títulos específicos, escolhidos na perspetiva de otimização de resultados.

Ações e fixed income contribuem para a performance

A boa performance registada pela Fundação foi, em boa parte, impulsionada pela carteira de ações que atingiu um retorno no ano de 24,2%, o que correspondeu a ganhos de mais de 29,1 milhões de euros. “É importante referir que a estratégia de opções de compra cobertas (covered calls) sobre ações dos EUA, que foi seguida para mitigar eventuais descidas nos preços, limitou os retornos potenciais da componente de ações da carteira ao longo do ano”, comentam no relatório e contas.

O mercado de fixed income foi também um dos maiores fomentadores a seguir ao acionista, do retorno global, com 12% de ganhos, a que corresponderam 24,6 milhões de euros. Por ler-se no documento que “este desempenho resultou, em grande parte, da exposição a títulos de alto rendimento, particularmente com a exposição da Fundação a obrigações de bancos convertíveis (AT1 ou CoCos) acima referidos”.

No segmento dos alternativos, foram registados ganhos de 11,4% que se traduzirem em 9,8 milhões de euros. De acordo com a Fundação, o principal motor deste retorno veio da exposição da carteira em hedge funds, que tiveram um desempenho particularmente favorável, com ganhos de 18%.

Uma vez que os resultados do segmento cambial foram negativamente afetados pelo custo da cobertura para os investimentos em dólares ou em libras, na Fundação optaram por manter uma exposição mínima a moedas que não o Euro, exceção feita às moedas cuja cobertura é ineficiente, como para commodities ou nas moedas dos mercados emergentes.

Apesar dos bons resultados de 2019, antecipa-se que o desfecho de 2020 seja bastante diferente. Embora o ano, tenha começado a todo o vapor, os efeitos do coronavírus traduziram-se num impacto muito negativa na economia global e nos mercados financeiros

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