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Francisco Amorim (Jupiter AM): “Não alterámos a nossa filosofia de relação com o cliente - permanecemos próximos, fornecendo um serviço de qualidade”


O primeiro trimestre de 2020 foi um período particularmente agitado tanto para investidores como para as casas gestoras. Entre os movimentos bruscos dos mercados e a propagação do novo coronavírus pelo globo, estas entidades não só procuraram formas de amenizar as perdas sentidas nas suas carteiras, como também tiveram de satisfazer a sua quota-parte de responsabilidades para com os seus clientes. Francisco Amorim, Sales Manager da Jupiter Asset Management, relata a forma como estes desafios atingiram a casa britânica.

Face às oscilações do mercado e à reação dos seus clientes, o profissional assume que neste aspeto “o panorama não se alterou assim tanto” e que “a vasta maioria dos clientes continua a ser claramente avesso à incerteza”. “Os clientes mantêm-se conservadores e reagem de forma receosa quando se dá uma forte queda no mercado; mantivemos uma mensagem clara quanto aos investimentos, sempre com uma perspetiva de longo prazo, tolerando fases de alta volatilidade”, coloca.

Posto isto, a chave para a manutenção da confiança dos clientes na entidade assenta sobretudo na relação que a mesma mantém com aqueles que lhe confiam o seu património. E neste aspeto, Francisco Amorim é perentório: “Na Jupiter não alterámos a nossa filosofia de relação com o cliente: permanecemos próximos, fornecendo um serviço de qualidade em termos de informação”. Uma adaptação rápida ao cenário do teletrabalho contribuiu para que mantivessem “o mesmo nível de serviço para os nossos clientes e investidores como anteriormente acontecia”, acompanhando de perto “os seus requisitos e facultando informação clara e relevante sobre os nossos fundos”, com a diferença de que tudo passou a ser feito remotamente. “Acreditamos que os nossos clientes já conhecem a nossa abordagem e o seu feedback tem sido muito positivo”, partilha.

Confiança no processo

Contudo, a reação positiva por parte dos clientes revelou-se para lá da satisfação com o serviço de proximidade da gestora: também nos momentos mais críticos do primeiro trimestre o conforto dos clientes com os processos e estratégias da casa gestora foi evidente. “Durante o sell-off de março os clientes estiveram confortáveis com as nossas decisões estratégicas e de alocação”, afirma Francisco Amorim.

“Por um lado, tivemos investidores que mantiveram uma visão de longo prazo e permaneceram investidos, conhecendo bem a nossa filosofia de investimento e estando cientes em todas alturas do que estávamos a fazer, fruto dos nossos esforços de comunicação”, coloca o profissional. Porém, este grupo exemplarmente alinhado com as ideologias da casa gestora contrasta com outra “fação” que “decidiu desinvestir e vender posições, de forma a gerar liquidez e esperar por mais clareza na evolução do vírus”. Não obstante, à medida que o mercado foi recuperando das suas perdas “e o medo diminuiu, começámos a assistir a um progressivo reinvestimento por parte deste grupo”, relata o profissional.

No desafio uma oportunidade

À primeira vista seríamos tentados a assumir que este sell-off foi mais abundante em desafios e trabalhos acrescidos para a gestora do que propriamente em oportunidades e vantagens. Contudo, Francisco Amorim afirma que são movimentos de mercado como este que possibilitam aos gestores e selecionadores de fundos a hipótese de obter informação com mais qualidade sobre “a forma como se comportam diferentes fundos de diferentes gestoras em períodos de condições extremas, e o valor de alfa que conseguem gerar ao longo das diferentes fases do ciclo”.

“Também tem sido interessante ver a forma como alguns temas que eram populares antes da pandemia praticamente desapareceram”, aponta o profissional português, referindo-se, por exemplo, à temática do ESG. “Naturalmente eles voltarão, mas isto é de certa maneira ilustrativo da forma como os investidores priorizam diferentes tópicos dependendo do mercado”, expõe. Neste âmbito, para a casa gestora britânica, a estratégia vencedora deste período é clara: “na nossa opinião, portefólios de alta convicção, orientados para o longo prazo, mostraram novamente a sua robustez e solidez”.

A Jupiter AM revelou recentemente os detalhes da incorporação da Merian Global Investors, na qual as duas gestoras já vêm a trabalhar há alguns meses. Fique a conhecer neste artigo todos os pormenores deste negócio.

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