Foto Finish do primeiro semestre: muito poucos ativos chegam à segunda parte do ano em positivo


Acabou o primeiro semestre do ano, um dos mais estranhos de que há memória, tanto a nível social, pelas medidas tomadas no sentido de acabar com a  expansão do coronavírus, como no que diz respeito aos mercados. Não é em vão: nestes seis primeiros meses de 2020 viveu-se tanto a queda mais pronunciada do mercado desde a Grande Depressão até ao maior rally bolsista visto em muito tempo, ao calor das extraordinárias medidas levadas a cabo pelos bancos centrais e governos para limitar ao máximo possível o efeito negativo do COVID-19 na economia mundial.

Embora sejam mais as vozes que apontam que o pior, do ponto de vista de mercado, pode já ter ficado para trás, a incerteza que continua a pairar na evolução da economia e, sobretudo, o medo de que aconteça uma segunda vaga de contágios, assim como o ajuste de valorizações depois do rally das últimas semanas, explica que muitos especialistas continuem a optar pela cautela na hora de modificar as suas carteiras. E isso apesar do balanço geral de mercado continuar a ser negativo no ano para a maior parte dos ativos.

A gestora J.P. Morgan AM assim o demonstra no seu relatório sobre os mercados no segundo trimestre, onde analisa o comportamento de diferentes tipos de ativos não só no segundo trimestre do ano, mas também no conjunto do ano. “Tem sido um trimestre muito favorável para as ações e para o crédito, graças às numerosas medidas de estímulo adotadas pelos bancos centrais e governos, assim como pelo início da reabertura económica em muitos países”, afirma Michael Bell, Global Market Strategist da entidade. Na verdade, como se verifica no esquema abaixo, durante o segundo trimestre do ano os principais mercados de ações registaram lucros de dois dígitos sem exceção, embora, ainda assim, em nenhum dos casos esses lucros tenham conseguido mudar o tom negativo que acumula no ano.

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Diferente é o caso das obrigações. “O pior cenário da crise de COVID-19, pelo qual esta se transforma numa crise de liquidez, conseguiu-se evitar, e os bancos centrais aparentemente não estão dispostos a deixar de oferecer um suporte à liquidez quando for necessário. Este apoio dos bancos centrais tem favorecido o aumento do universo de high yield norte-americano, enquanto que o crédito global investment grade cresceu cerca de 9%, aproximadamente”, afirma Bell. No entanto, no acumulado do ano continuam a ser os ativos defensivos, como as obrigações governamentais dos EUA ou a dívida global ligada à inflação os que continuam a estar nos primeiros postos do ranking de rentabilidades.

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Ao fim e ao cabo, segundo reconhecem na gestora, são muitos os riscos que continuam a enfrentar os mercados e os investidores na entrada do segundo semestre. “Em primeiro lugar, a Reserva Federal e outros bancos centrais têm sido claros relativamente ao facto de apenas poderem emprestar, e não gastar, de modo que não estarão necessariamente em condições de resgatar aquelas empresas que enfrentem problemas de solvência, optando pelas que apenas tenham problemas de liquidez”, aponta Bell. E a este risco soma outros dois: a não contenção do vírus e a ausência da vacina e “a possível fadiga fiscal dos governos, que poderá fazer com que revertam o seu estímulo fiscal mais cedo, antes que o vírus se tenha contido por completo, e a economia e os mercados laborais possam recuperar”, apontam. E a estes há que somar os riscos políticos derivados das eleições dos EUA, as tensões entre a China e EUA e o Brexit.

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