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Fortes saídas de dinheiro de monetários em euros e entradas em monetários em dólares


Apesar do bom comportamento dos mercados financeiros, 2019 está a ser um ano em que os investidores europeus estão a proteger-se. Prova disso são as fortes captações que se estão a registar nos fundos monetários. Segundo dados da Refinitiv, apesar de a indústria de gestão de ativos ter registado nos três primeiros trimestres do ano entradas líquidas de 200.000 milhões de euros, quase um terço, 62.400 milhões concretamente, foram canalizados através de produtos do mercado monetário.

Até agora, a tendência nos monetários era clara: o dinheiro concentrava-se especialmente nos produtos em euros. Dos 62.400 milhões captados por estes fundos até setembro, 35.200 tinham entrado em fundos denominados em euros e 24.300 em fundos em libras. Os produtos em dólares apenas tinham registado, até à data, entradas de dinheiro no valor de 6.500 milhões. A notícia é que em outubro tinha acontecido uma grande mudança que provocou uma reversão desta tendência.

De acordo com os dados da Broadridge, no mês passado os fundos monetários em dólares registaram entradas líquidas de dinheiro que rondavam os 8.000 milhões, quase o mesmo volume que perderam os produtos em euros (-8.300). Trata-se de uma mudança de tendência notória, que fez com que as entradas nos primeiros 10 meses do ano em monetários em euros se fiquem pelos 27.000 milhões e os monetários em dólares nos 14.000.

A justificação para esta mudança de tendência poderá estar nas diferenças de política monetária aplicadas pelos bancos centrais de cada lado do Atlântico. Enquanto nos Estados Unidos se espera que a Reserva Federal faça uma pausa no ritmo de descida de taxas, na Europa acontece o contrário.

“Existe um claro consenso dentro da Reserva Federal para finalizar um ajuste a meio do ciclo, talvez com mais um ou dois cortes de taxas (incluindo a que teve lugar em outubro); mas as opiniões parecem estar divididas quanto a ir mais além. O desafio que o BCE enfrenta é muito mais delicado, já que as taxas de juro europeias a curto prazo estão a aproximar-se do limite inferior efetivo. É possível que seja necessária mais ajuda do BCE”, afirma Erick Muller, diretor de Estratégia da Muzinich.

O especialista acredita que a meados de 2020 o plano de compras de dívida do BCE poderá aumentar de 20.000 milhões de euros por mês para 30.000 milhões ou mais. Para Gilles Moëc, economista chefe na AXA Investment Managers, a Fed está “numa pausa condicional, sem curso pré-estabelecido”. A guerra comercial entre os EUA e a China será um dos fatores que vão condicionar a política monetária americana. Encontra-se exatamente na mesma situação que os restantes participantes do mercado: o destino do ciclo global atual depende em grande medida de que se materialize rapidamente uma diminuição gradual na guerra comercial”.

“Neste sentido, o ruído da Casa Branca durante as últimas semanas não foi muito reconfortante. A centralidade da guerra comercial também é válida para a Europa. Assim, na nossa opinião, qualquer aumento no investimento alemão depende de boas notícias na frente comercial global”, conclui Moëc, que sublinha que o fluxo de dados nos EUA é ambíguo. “O resultado do problema real, se podemos contar ou não com uma diluição da guerra comercial, ou não em 2020, continua a ser incerto”, opina.

O possível abrandamento económico global é um aspeto a ter em conta, pelo seu impacto no que diz respeito às divergências de política monetária. Neste sentido, Esty Dwek, responsável global de Estratégia de Mercados baixou em novembro a estimativa do seu crescimento para 1,2% para 2020. “Neste cenário, é provável que o BCE se mantenha solidário e comprometido com políticas acomodatícias sob a direção de Lagarde. De facto, os mercados estão a valorizar a possibilidade de outro corte de taxas”, conclui.

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