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FOMC e DBRS: expectativas e impactos


Depois de uma segunda-feira de descanso para celebrar um dos eventos mais marcantes da história contemporânea do nosso país, entramos hoje numa semana de trabalho curta, mas rica em eventos económicos com impacto nas expectativas dos investidores e, consequentemente, no comportamento dos mercados financeiros. De especial relevo, teremos na sexta-feira a tão aguardada revisão do rating de Portugal por parte da DBRS.

João Lampreia, responsável pela área de research do BiG - Banco de Investimento Global, dá a sua interpretação e expectativas acerca dos principais eventos da semana.

Terça-feira, 13:30 GMT, encomendas de bens duradouros nos EUA:

“O mercado incorpora uma expectativa de recuperação das encomendas de bens duradouros nos EUA em março de 1,7% face ao período homólogo, o que compara com uma leitura negativa no mês de fevereiro de -3%. Consideramos que este indicador tem registado alguma flutuação no período recente – ainda que dentro de um intervalo relativamente apertado (-4% / +3%), pelo que apenas um valor muito distante face ao consenso de mercado e/ou amplitude referida anteriormente – cenário que não acreditamos - poderá acarretar algum tipo de impacto nas diferentes classes de ativos.”

Quarta-feira, 9:30 GMT, PIB britânico, e às 19:00, divulgação das conclusões da  reunião de abril do FOMC:

“Em relação à evolução do PIB no Reino Unido, o mercado antecipa uma taxa de crescimento de 2,1%, o que a concretizar-se acentuará a trajetória descendente da evolução desta economia, num período em que a discussão/votação pública em torno de um eventual Brexit atinge um momento nevrálgico. Salientamos que a economia britânica registou, pela última vez, um crescimento homólogo inferior a 2% em março de 2013, pelo que subsistem riscos no downside, ainda que o respectivo impacto (potencialmente negativo) se afigure de natureza essencialmente local.”

“Já no que concerne as conclusões da reunião de abril do FOMC, convém recordar que o tom proeminentemente dovish do FED, diferindo as expectativas de novas subidas de taxa de juro de referência – mercado desconta subida de 25 p.b. apenas em dezembro – contrasta de forma vigorosa com a expectativa de mercado que reinava no início do ano (cerca de 3 subidas). A suavização dos riscos exógenos a partir do final de fevereiro, nomeadamente o incremento da confiança no momentum económico da economia Chinesa, a recuperação muito significativa do mercado de commodities e a própria fragilidade do USD em relação aos peers, traduzem um agregado de factores que nos levam a acreditar num eventual discurso mais hawkish do FED ao longo de 2016, ainda que estas minutas da reunião de abril (relativamente prematuras na atual fase de recuperação do ciclo de curto-prazo) poderão necessariamente não confirmar esta visão.”

Quinta-feira, pela madrugada, divulgação da taxa de inflação e política monetária no Japão e às 8:55 e 13:00 GMT, respetivamente, a divulgação dos dados do desemprego e inflação na Alemanha:

Não acreditamos em alterações ao nível da condução da política monetária no país do Sol Nascente (“Nippon!”), uma vez que os efeitos destas políticas já se encontram relativamente esgotados (vs expectativa de mercado), isto depois de já no mês passado, o BoJ ter cortado a taxa de referência para valores negativos (-0,1% respectivamente). Pensamos que a mais que provável inação do BoJ (ao manter a política de compra de ativos em JPY 80 tri/ano) poderá implicar uma eventual reversão técnica de curto prazo ao nível do cross JPYEUR e/ou JPYUSD que acumula valorizações substanciais de 6% e 10% respectivamente no período YTD, o que traduz essencialmente um movimento de short squeeze face ao posicionamento curto manifestamente crowded num conjunto de divisas de países/blocos (Japão e Europa) que exibem políticas monetárias amplamente expansionistas. Refira-se que uma eventual correção do Iene no mercado cambial poderá, inversamente, gerar efeitos positivos no principal índice acionista nipónico que acumula desvalorizações em 2016 acima de 11%, em resultado de um suposto rally de alívio de alguns dos principais nomes exportadores do país.”  

Já a taxa de desemprego na Alemanha encontra-se a níveis mínimos históricos (6,2%), não se prevendo qualquer alteração nesta tendência, nem qualquer tipo de impacto sobre as diferentes classes de ativos.”

Por fim, na sexta-feira pelas 10:00 GMT, a divulgação da taxa de desemprego e PIB na Zona Euro, e sem uma hora agendada, a revisão do rating de crédito de Portugal por parte da agência canadiana DBRS:

A divulgação da taxa de desemprego na Zona Euro deverá corroborar a tendência de recuperação que se vem observando desde 2013, sendo uma consequência direta da recuperação macroeconómica dos países da periferia. Ainda assim, estamos em crer que no médio prazo, a ausência de reformas estruturais e/ou o seu diferimento nos países do Sul da Europa, acrescido de riscos políticos que culminam com uma retórica/ação Governativa que acaba por desvirtuar o caminho de maior competitividade que trilhou o passado recente nos países mais afectados pela crise são factores que poderão inibir, pelo menos, uma recuperação mais forte e sustentada ao nível do mercado laboral – refletindo-se, por ventura, numa eventual estabilização da taxa de desemprego agregada aos níveis atuais (10,3%).”

 “Em relação à tão ansiada revisão do rating de Portugal pela agência canadiana DBRS (tem menos de 3% de quota de mercado entre as agências de rating!) – única que mantém a notação da República em investment grade e salvaguarda, por isso, a elegibilidade dos colaterais da dívida portuguesa para (re)financiamento junto do BCE via programa de QE – não antecipamos qualquer alteração ao rating atual, pese embora deverá continuar a observar-se eventuais avisos “à navegação política” (que aliás têm sido mais frequentes no período recente) cuja índole se revela de natureza essencialmente idiossincrática. Não obstante, será menos um overhang que continua a pairar sobre os ativos portugueses (dívida e equity), pelo que acreditamos que os ativos de risco domésticos poderão registar um desempenho globalmente positivo (ainda que já muito estará descontado pelo mercado), traduzindo uma eventual subida moderada do índice de ações português e uma eventual compressão de spreads da dívida portuguesa face às Bunds germânicas – as quais na maturidade a 10 anos mantêm-se a níveis relativamente elevados (quase 300 p.b.).”

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