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Fintech: algumas curiosidades


A revolução tecnológica está a provocar uma profunda transformação a várias níveis. É um fenómeno transversal que afecta de forma direta o mundo empresarial, independentemente do sector. A adaptação por parte das empresas àquilo que se supõe ser uma erupção da tecnologia na sociedade e na economia é crucial para a sobrevivência ao século XXI. Algumas são uma realidade. Outras estão em plena fase de desenvolvimento.

1. O investimento mundial em novas empresas de tecnologia financeira passou de 4.100 milhões de dólares em 2013 para 21.000 milhões de dólares apenas um ano depois. As expectativas de que aconteçam mudanças significativas no sector está a aumentar e muitos asseguram que a hora de transformação chegou às finanças.

2. Um questionário realizado entre millennials norte-americanos mostra que 71% preferem ir ao dentista do que ouvir o seu banco, enquanto que quatro bancos norte-americanos figuram entre as 10 marcas menos valorizadas. Neste contexto estão a fomentar a chegada de novos adversários bancários com modelos de negócio potencialmente disruptivos, como o banco telefónico Mondo, que oferece serviços bancários através do telemóvel, com análises de gastos digitais e orçamentos.

3. 44% dos millenniuals norte-americanos faz pagamentos através do telemóvel, enquanto 13% usa moedas digitais. Nos EUA, prevê-se que os pagamentos alcancem o valor de 142.000 milhões de dólares (gráfico 1). Também é evidente um distanciamento em relação ao uso de dinheiro em cash (gráfico 2), favorecido em parte pelos esforços da luta contra à evasão fiscal do estado, e o seu potencial do ponto de vista de taxas negativas (dado que o dinheiro electrónico não pode ser guardado debaixo do colchão).

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4. Por incrível que pareça quase 50% dos pagamentos que as empresas norte-americanas fazem ainda são feitas através de cheques em papel. O atual sistema interbancário dos EUA, Automated Clearing House (ACH), que começou a funcionar em 1974, ainda demora entre 2 e 3 dias a liquidar as transações. Isso acontece devido à natureza fragmentada do mercado bancário norte-americano, os elevados níveis de regulação e aos estritos controlos internos.

5. A Fed está a trabalhar num novo sistema que poderá estar operativo num prazo de 5-10 anos, e que seria inspirado no modelo Faster Payments Service Britânico, que foi apresentado em 2008, e que reduziu os prazos habituais das transferências dos clientes a apenas umas horas. Do mesmo modo que as transferências através do telemóvel atraíram consigo pagamentos mais rápidos, esses pagamentos rápidos poderão dar lugar a novas soluções financeiras móveis, numa espécie de ciclo de inovação.

6. A inovação nos pagamentos não é algo que esteja a ser unicamente impulsionado pelas empresas pequenas e de recente criação. A Visa, agora, assemelha-se mais a uma empresa tecnológica do que a uma financeira, por causa do seu ênfase nas novas tecnologias de pagamento e no desenvolvimento de ferramentas de análise para os vendedores. Embora os europeus assumam como garantidos os pagamentos contact & contactless, em todo o mundo este universo representa apenas 33% das transações com cartões. 

7. Muitos mercados emergentes estão na vanguarda dos pagamentos alternativos devido às baixas taxas de penetração dos serviços bancários (50% da população mundial não tem acesso a um banco). Concretamente, a brecha entre as taxas relativamente altas de posse de telefones móveis, e o escasso acesso aos serviços financeiros (gráfico 6) tem fomentado o desenvolvimento de pagamentos móveis. MPesa um serviço lançado pela primeira vez no Quénia em 2007 pela Safaricom, é provavelmente o caso de maior êxito.

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8. Atualmente, a negociação de muitos títulos baseia-se em sistemas antiquados de contratos negociados entre compradores e vendedores. Em média, ainda restam quase 20 dias para liquidar operações com empréstimos sindicados e o custo total para a indústria financeira da compensação, liquidação, e gestão de tudo o que acontece depois de uma operação, oscila entre 65.000 e 80.000 milhões de dólares ao ano.

9. Uma ‘blockchain’ permite operar e verificar de forma instantânea as transações, sem um registo central. A utilização de redes descentralizadas para pagamento e liquidações poderá ajudar os bancos a poupar milhares de milhões de dólares por ano (entre 15.000 e 20.000 milhões por ano a partir de 2022, segundo o Santander) melhorando e externalizando os processos administrativos de liquidação lentos e ineficientes. Isto reduziria o volume de garantias retidas nos sistemas de pagamentos internacionais e os custos de transação.

10. A ‘blockchain’ poderia ampliar os pagamentos flexíveis aos diferentes sectores. Por exemplo, se um utilizador tiver a possibilidade de pagar instantaneamente cinco cêntimos por ler um artigo, os media poderiam resolver os problemas que têm para monetizar o seu conteúdo na internet, já que eliminariam inconvenientes e custos derivados da contratação de subscrições anuais. 

11. A tecnologia é um grande catalisador de inovação no âmbito do crédito. A utilização das ferramentas de análise baseadas em big data, combinadas com a comercialização e distribuição através da internet, é a base para que a concessão de crédito por vias alternativas retire  cada vez mais quota de mercado aos bancos.

12. O crowdfunding está a mudar a forma como as pessoas e empresas comercializam produtos, serviços e ideias. Registou um crescimento relevante nos últimos anos (gráfico 14) em vários sectores (gráfico 15). Aproximadamente 10% dos filmes admitidos a concurso nos festivais de Sundance, SXSW e Tribeca foram financiados através do Kickstarter20, uma plataforma orientada para as artes, que financiou 101.951 projetos com 2.300 milhões de dólares de 10 milhões de pessoas.

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