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Filipa Pita (Dolat Capital): “As previsões do BCE para 2020 não são otimistas. A expetativa do PIB para a zona euro é de uma contração de 8.7%”


(Este texto não constitui uma recomendação nem consultoria de investimento. A Dolat Capital presta consultoria de investimento de natureza específica aos seus clientes, tendo por base, entre outras, o seu perfil de risco e objetivos financeiros. Rendibilidades passadas não constituem uma garantia de rendibilidades futuras.)

O 1º trimestre de 2020 apresentou-se como um dos períodos mais complexos para os mercados financeiros. Num cabaz representativo de 25 classes de ativos apontados pela Bloomberg, apenas os “ativos de refúgio”, US Treasuries, Bunds, Ouro, USD, CHF e JPY, registaram rendibilidade positiva. No entanto, verificou-se, nestes ativos, oscilações atípicas com o mercado dos Treasuries a sofrer problemas de liquidez, a volatilidade do Ouro a atingir máximos desde 2008 e o USD a verificar uma das piores semanas desde 1985.

No 2º trimestre, concretamente na 3ª semana de março, assistimos a uma recuperação significativa dos ativos de risco, suportados pela confiança dos investidores em programas de estímulos monetários e fiscais sem precedentes. O arsenal de “bazucas” utilizadas pelas autoridades monetárias e de governo foi verdadeiramente integral: reduções drásticas de taxas de juro, o regresso de programas de compra de ativos e injeções de liquidez nos mercados monetários. A título de exemplo, a resposta fiscal por parte dos governos do G7 em agregado, representou um valor superior a 10% do PIB nacional destes países.

No plano setorial, em que para além do efeito devastador nas indústrias da aviação e turismo, a pandemia levou à adoção “viral” e irreversível de novos modelos de negócio e tecnologias, destacamos o armazenamento em cloud, reuniões virtuais e o e-schooling/e-learning que passaram a ser o “novo normal”

Não obstante a fase atual de desconfinamento e reabertura das economias locais, vivemos um grau de incerteza económica elevado e caso ocorra uma nova vaga da pandémica, o efeito poderá ser dramático para alguns setores de atividade. As previsões do BCE para 2020, não são otimistas, uma vez que a expetativa do PIB para a zona euro é de uma contração de 8.7%. No entanto é esperada uma recuperação significativa em 2021, prevendo-se um valor de crescimento de 5.2%. Relativamente à taxa de desemprego, prevê-se que em 2020 estabilize num patamar inferior a 10% e haja um agravamento marginal de 0.3% em 2021.

Em períodos de incerteza, os investidores enfrentam o dilema clássico de desfazer as carteiras e limitar perdas, ou até mudar de estratégia de investimento. Sublinhamos que períodos negativos são absolutamente naturais. Como referência, desde 1980, o índice MSCI World sofreu 15 correções superiores a 10% e 5 Bear Markets, ou seja, períodos com quedas superiores a 20%. Independentemente da falta de visibilidade do momento atual, somos apologistas de que deve manter-se uma perspetiva de longo-prazo nos investimentos e explorar seletivamente as oportunidades que surgem nas crises em geral, esta naturalmente não é exceção. O fundamental é permanecer com as carteiras investidas, evitar incorrer em riscos idiossincráticos, reforçando a diversificação em instrumentos financeiros não complexos, custos baixos e classes de ativos “core” como Ações Globais, Obrigações de Governo, com elevada qualidade creditícia, e, naturalmente o Ouro. Nesse sentido, e citando John Bogle, fundador da gestão passiva e da Vanguard: “Stay the Course”.

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