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Faz cinco anos que uma crise começou...


Há uma certeza. Em 2007, de forma mais evidente a meio do ano, começaram as surgir os primeiros sinais consistentes de que havia algo de errado no 'reino' financeiro. Tanto do lado de cá, como do lado de lá do Atlântico. Surgiram os primeiros 'estilhaços' do 'subprime': nos Estados Unidos, com Bear Stearns e Countrywide Financial a registarem quebras acentuadas nos resultados devido ao crédito imobiliário; e na Europa, com o BNP Paribas a congelar os resgastes de três fundos de investimento que tinham aplicações de derivados de crédito hipotecário.

Passaram-se cinco anos e, independentemente do número de crises, o certo é que, utilizando um chavão, já nada é como era antes. Mas também não há um 'admirável mundo novo', a lembrar o título de um livro de Aldous Huxley.

A crise no sector financeiro, que teve como ícone a falência do histórico banco de investimento norte-americano Lehman Brothers, 'saltou' do 'subprime', transformou-se num problema de liquidez e de crédito. E há outra certeza. A de que a confiança dos investidores quase desapareceu dos mercados... e teima em voltar. Também porque os efeitos continuam a fazer-se sentir nos mercados, nos fundos de investimento, entre outros, e porque o foco está muito para além da banca, e, de certa forma, muito mais próximo dos cidadãos.

Os problemas nas economias desenvolvidas, sobretudo a crise da dívida soberana na Zona Euro, contribuíram para prolongar a instabilidade e incerteza, assim como para travar despesas e investimentos, nomeadamente devido às medidas de austeridade em vigor nos países alvo de ajuda financeira externa. O efeito positivo é que se poupa mais.

Os investidores continuam a aguardar pela implementação de medidas concretas para travar a crise na Zona Euro e, por conseguinte, regressar mais activamente ao mercado.

Enquanto isso, do lado da regulação, muito continua por fazer, cinco anos depois do início da crise do 'subprime'. À 'espreita' estão agora um conjunto de directivas e regulamentos que, temem os profissionais do mercado, possam ser excessivos e, no limite, ficarem aquém do objectivo de protecção do pequeno investidor.

A crise tomou conta do vocabulário há cinco anos atrás. Dentro de cinco anos continuaremos a falar diariamente de crise?

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