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Fatima Luis: “Ainda existem oportunidades no mercado de obrigações”


O contexto atual dos mercados de obrigações parece ser um cenário invulgar e que levanta algumas questões. Fatima Luis, senior portfolio manager da Mirabaud, esteve em Portugal e explicou à Funds People porque razão ainda vale a pena investir em obrigações. Para a gestora, apesar dos dados indicarem o fim do ciclo e considerar que as obrigações “estão mesmo caras”, “ainda é possível obter um bom retorno ajustado ao risco”. De facto, a conjuntura económica parece favorecer esta classe de ativo, uma vez que se regista um crescimento, ainda que moderado, e porque existem sinais desiguais no que diz respeito à inflação.

Outra das razões pelas quais se mantêm positivos em obrigações tem que ver com o facto de não se justificar um cenário de “subidas rápidas das taxas de juro, que possam quebrar este ciclo”, referindo-se, especialmente a políticas monetárias. Inclusive, se o crescimento de 2%/3% se confirmar na Europa e nos Estados Unidos, Fatima Luis acredita que “não há razão para que voltemos a ter juros tão altos como antigamente”.

Tendo em conta o contexto atual do mercado, a gestora acredita que “é cada vez mais difícil encontrar valor”. Como tal, neste momento favorecem o segmento high-yield de qualidade e mercados emergentes. “Na europa, o sector financeiro ainda oferece yields atrativas”, enquanto que, por outro lado, existe a preferência pelo mercado de high-yield americano em detrimento do europeu, uma vez que este “está bastante correlacionado com as políticas do Banco Central, existindo muita pressão para que as yields subam, o que pode levar a uma grande perda de capital”, afirma a gestora. 

Quanto aos mercados emergentes, apesar da preferência, acredita que estes “estão um pouco caros em termos de yields e spreads”. Fatima Luis destaca, ainda, o sector energético, que considera estar num nível interessante, tendo registado uma subida bastante aliciante, pois “os balanços dessas empresas encontram-se mais estáveis, oferecendo um rendimento bastante atrativo”, revela.

Como encontrar valor num mercado onde “está tudo bastante caro”?

A solução é ter uma equipa de analistas que procurem as ideias a que chamamos exóticas, ou seja, ideias que não são bem seguidas pelo mercado e segmentos de mercado onde existem oportunidades. No fundo, temos a experiência de análise numa equipa muito concentrada em encontrar essas oportunidades – esse é o nosso ponto forte”, revela a gestora. A estratégia passa, assim, por uma análise bottom-up, uma vez que, neste momento, “as valorizações estão bastante niveladas”. A gestão dos títulos em carteira, por sua vez, tem características muito particulares, isto porque “cada ativo tem um racional diferente”. “Não temos uma perspectiva old to maturity, depende da razão pela qual estamos a investir em certos ativos. Temos essa perspetiva em ativos nos quais o objetivo é apenas receber o cupão, tendo em conta a sua estabilidade de preço. Por outro lado, em ativos que estão muito baratos e que acreditamos que serão influenciados por algum determinado evento, apenas quando este ocorre efetivamente é que reduzimos a exposição”, exemplifica a gestora.

Fatima Luis revela que a gestão da duration é feita com recurso a futuros: “futuros de treasuries e do bund, por exemplo”. “Em termos de outros derivados, utilizamos índices como os CDX e iTraxx para a redução de risco”. Desta forma, evitam a venda forçada de títulos para redução da duration, o que a curto/médio prazo beneficia o fundo: “há momentos em que o mercado high-yield, por exemplo, fica bastante caro e acreditamos que poderá haver uma correção. Em vez de vender os títulos que depois podemos não conseguir voltar a comprar por uma questão de liquidez, reduzimos a duration através dos derivados”, ilustra Fatima Luis.

Contexto Ibérico e panorama da política monetária na Europa e nos EUA

Quanto à evolução da dívida corporativa e soberana de Portugal e Espanha, a preferência recai sobre a dívida corporativa, ainda que não exista muito valor no segmento ibérico. “Temos exposição à EDP e à República Portuguesa em dólares, um ativo muito mais barato que o soberano em moeda local porque tem um prémio pelo risco cambial.

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