Explorando um dos mercados mais desconhecidos do mundo: o das obrigações municipais dos EUA


As obrigações municipais de infraestruturas são o principal mercado de financiamento para a construção de infraestruturas públicas nos Estados Unidos. Basicamente, estas obrigações fornecem acesso a investimentos líquidos em infraestruturas com rentabilidades e riscos semelhantes aos de fixed income. Os 50 Estados do país têm grandes economias por si só e, em alguns casos, o seu PIB é comparável ao de nações soberanas. Por exemplo, o PIB da Califórnia é equivalente ao de França. Tal como explicam na BNY Mellon Investment Management, estabelecido em 1812, este mercado sobreviveu e prosperou sob numerosos contextos políticos e económicos.

“O valor relativo das obrigações municipais face aos treasuries e às obrigações corporativas americanas continua a ser atrativo, sobretudo se nos concentrarmos no seu histórico de pouquíssimos incumprimentos, as suas vantagens de diversificação face a outras classes de ativos e a sua exposição que engloba todo o país”, destacam na gestora americana. Mas… o que costuma ser financiado com dívida municipal de infraestrutura americana? Normalmente emitidas por estados, cidades e pelas suas autoridades municipais locais, existem dois tipos principais de obrigações municipais.

“Em primeiro lugar estão as obrigações gerais, não garantidas por ativos específicos, pelo que a sua amortização depende da plena fé, do crédito e do poder tributário do seu emissor. Em segundo lugar estão as obrigações de rendimentos suportadas pelos fluxos procedentes de projetos sustentáveis específicos como, por exemplo, geração de eletricidade ou sistemas de tratamento de águas”.

O que se costuma financiar com dívida municipal de infraestrutura americana? Basicamente, diferentes projetos vinculados aos transportes (portos, aeroportos, túneis, pontes, rodoviárias ou transportes públicos), à energia (transmissão e distribuição de gás natural, geração de eletricidade ou transmissão elétrica), às infraestruturas sociais (centros de estudos superiores e universidade; hospitais e cuidados de saúde) e à água (água potável, águas residuais ou a transformação de resíduos em energia).

“Num mundo sedento de rendimentos, as obrigações municipais representam uma das melhores oportunidades disponíveis, e até um investimento potencialmente superior se tivermos em conta o risco relativamente baixo que acarretam. De uma perspetiva de rentabilidade até ao vencimento, oferecem uma yield mais alta do que a das obrigações corporativas de classificação semelhante, e consideravelmente superior à da dívida pública americana”, referem na entidade.

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Olhando agora para a segurança, a dívida municipal tem um histórico de menor incumprimento do que a corporativa. De facto, com base em dados históricos, a probabilidade de que as obrigações municipais BBB incumpram é uma décima parte da do crédito. Além disso, as taxas de recuperação são significativamente superiores à média dos emissores corporativos.

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A que se deve isto? “As autoridades municipais não atuam com perspetivas de lucro como as empresas, e costumam ser monopólios naturais. Tratam-se de atores responsáveis que demonstraram atender ao serviço da sua dívida de forma correta e oportuna. O mercado municipal também oferece uma grande diversificação face aos ativos de risco, ao ter uma correlação negativa com as ações. As obrigações corporativas estão correlacionadas positivamente com as ações”, destacam na BNY Mellon IM.

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Ainda que o mercado exista há 200 anos, apenas recentemente é que os investidores internacionais começaram a aprender sobre esta classe de ativos.

“Os investidores não precisavam das rentabilidades que oferecem estas obrigações, ao contar com alternativas abundantes. Ao considerar-se como um mercado nicho no qual operavam principalmente investidores de retalho americanos, os investidores estrangeiros não o exploraram. No passado, todas as obrigações municipais tinham um tratamento tributário favorável para os contribuintes americanos, o que reduzia o seu retorno: agora, contudo, existem títulos disponíveis para os investidores estrangeiros estruturados para quem não necessita desse tratamento fiscal”, concluem.

A importância do resultado eleitoral

As perspetivas de financiamento para os estados e governos locais estará altamente dependente da agenda do próximo presidente dos Estados Unidos. No caso de uma vitória democrata, Joe Biden indicou que, como presidente, dará prioridade a um aumento substancial da ajuda federal para os estados e governos locais. “No caso de um segundo mandato de Donald Trump, será menos provável que o seu governo apoie estas administrações no alívio da sua dívida”, explica Katie Deal, analista da T. Rowe Price.

“O equilíbrio do poder no Senado determinará a medida na qual o próximo presidente pode implementar a sua agenda. Uma maioria republicana (status quo) provavelmente aprovará menos programas de financiamento para os governos estatais e locais do que se os democratas tivessem a maioria no Senado”, conclui.

 

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