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Exame aos hedge funds: o que fizeram num ano como 2019?


O auge que registaram os ativos alternativos nos últimos anos obedece sobretudo à necessidade crescente que os investidores têm de encontrar fontes de rentabilidade num contexto no qual os rendimentos esperados dos ativos tradicionais tendem a descer. A grande dúvida está em se este tipo de ativos alternativos estão ou não a cumprir essa função de atuar como elemento de geração adicional de alfa, ou, pelo menos de descorrelação das carteiras.

Não obstante, o mundo dos ativos alternativos é tão amplo que impede de chegar a uma conclusão geral. Temos de vê-lo por cada tipo de investimento e, talvez, um dos mais conhecidos seja o que se realiza através de hedge funds.

Segundo os dados que publicou recentemente o HFRX, provedor global de índices deste tipo de fundos, estes conseguiram fechar 2019 com boas rentabilidades. A nível geral, o HFRX Global Hedge Fund Index acabou o ano com ganhos de 8,62%, o que representa o seu melhor desempenho anual desde 2009. O número, ainda que muito positivo, não representa uma grande diferença face à obtida por muitos fundos tradicionais. E também se regista um grande alfa a favor dos hedge funds face aos produtos tradicionais quando se esmiúça o seu comportamento em função de cada categoria.

Por exemplo, o HFRX Equity Hedge Indez ganhou 10,71% em 2019, o seu melhor desempenho anual desde 2013 e, surpreendentemente, quando se esmiúça por estilo de investimento não foi a estratégia growth, mas a value que melhor rendimento conseguiu. Concretamente, o HFRX Fundamental Value Index registou um ganho de 13,86% no ano, face aos 11,54% que registou a estratégia de crescimento, tornando-se assim na estratégia de hedge funds que se tornou a mais rentável do ano em termos absolutos.

Quanto às estratégias mais tipicamente ligadas a estes fundos alternativos, o melhor comportamento foi o do HFRX Event Driven Index, que registou 9,9%, a sua melhor rentabilidade anual em três anos e o pior número foi para ao índice HFRX Market Neutral que fechou com uma queda de 1,87%.

O que esperar de 2020?

A grande dúvida está se este bom comportamento dos hedge funds de 2019 se repetirá também este ano que ninguém espera que vá ser tão positivo como o ano passado no que ao comportamento de mercados se refere. Na Lyxor são otimistas e num recente relatório no qual se analisam as tendências da indústria defende que é precisamente o aumento da volatilidade que se espera para o mercado o que justifica o bom comportamento que preveem que tenham algumas estratégias de hedge funds.

“Sobreponderamos as estratégias special situations e os estilos muito orientados para o valor, com um viés adicional em direção à pequena capitalização. Continuamos a apostar em estratégias long short credit, que provavelmente voltarão a beneficiar da liquidez mundial, com uma dispersão crescente à medida que os dados do crédito comecem a deteriorar-se. Também vamos sobreponderar as estratégias macro centradas nos mercados emergentes para tirar partido do aumento da dispersão económica e de mercados, assim como de diversos temas diferentes. Ainda privilegiamos as estratégias Merger Arbitrage, que proporcionam carry não correlacionado”, afirma a gestora.

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