Evolução das captações líquidas nos últimos nove anos (Parte I, 2008-2011)


Nove anos depois de um dos períodos mais conturbados da história económica mundial, importa analisar a evolução das captações líquidas dos fundos de investimento nacionais. De que forma foram as diferentes categorias impactadas pelos diversos momentos que marcaram o mercado ao longo do período analisado? A análise foi efetuada recorrendo aos dados disponíveis na plataforma Morningstar Direct, e tendo em conta os fundos em operação à presente data, pelo que não foram considerados os efeitos dos fundos liquidados ou mudanças de categoria.

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Fonte: Morningstar Direct, 30 de junho de 2017

O ano de 2008 representou um dos piores anos no que às captações líquidas registas pelo conjunto total dos fundos de investimento nacionais diz respeito. A crise do subprime atingiu de forma significativa o mercado europeu, com impacto óbvio no mercado nacional, expondo as fragilidades do sistema bancário. Neste contexto, os fundos de investimento portugueses ressentiram estas dificuldades e no final de 2008 registaram um saldo negativo entre captações e resgates superior a três mil milhões de euros.

De facto, a crise financeira iniciada no verão de 2007 teve repercussões no saldo de subscrições líquidas de várias categorias. Segundo dados da Morningstar Direct, a categoria Euro Fixed Income registou um saldo negativo de 1.750 milhões de euros no ano em questão. Analisando o saldo registado pelas sub-categorias que compõem esta categoria, observamos que as que maior preponderância apresentaram foram aquelas com maturidades muito curtas, nomeadamente a Euro Corporate Bond – Short Term e a Euro Ultra Short-Term Bond, com cerca de (515) milhões de euros e (620) milhões de euros, respetivamente. No mesmo sentido, a categoria Cautious Allocation registou um saldo total entre subscrições e resgates negativo (o segundo pior no ano de 2008) de 444.9 milhões de euros.

Contudo, e apesar das dificuldades que surgiram no contexto da crise do sistema bancário, o ano de 2009 terminou de forma positiva no que diz respeito às entradas líquidas de dinheiro, fechando o ano com um saldo entre subscrições e resgates positivo de cerca de 827 milhões de euros. Para este resultado positivo, foram fundamentais três categorias distintas: Other Fixed Income, Cautious Allocation e Other Europe Equity. A primeira categoria captou um total de 426 milhões de euros, enquanto que a segunda registou um total de captações líquidas de 408 milhões de euros, e a terceira cerca de 374 milhões de euros.

Os dois anos seguintes (2010 e 2011) voltaram a fechar com captações líquidas negativas, ambos com valores acima de mil milhões de euros negativos. Neste contexto, as categorias que pior saldo entre resgates e subscrições registaram em 2010 foram as de Cautious Allocation e de High Yield Fixed Income, com cerca de (640) milhões de euros e (202) milhões de euros. Não obstante, destaque para a categoria de Allocation que conseguiu registar um saldo de subscrições líquidas positivo, de cerca de 123 milhões de euros.

Em 2011, por sua vez, a categoria Cautious Allocation voltou a figurar como uma das categorias que maior preponderância apresentou no valor total registado, com um saldo negativo de captações líquidas de cerca de 389 milhões de euros. Por outro lado, a crise da dívida soberana nacional teve um impacto claro no saldo entre subscrições e resgates da categoria Euro Fixed Income, fixando-se nos 363,1 milhões de euros negativos. A categoria onde se inserem os fundos de ações nacionais, por sua vez, sofreu de igual forma neste contexto, registando um saldo negativo de subscrições líquidas de cerca de 224 milhões de euros.

O risco associado ao ambiente económico que se vivia neste ano repercutiu-se, por outro lado, no fluxo de entradas líquidas de dinheiro nos fundos que compõem a categoria Moderate Allocation. A procura por ativos mais seguros poderá ser um dos factores que levou a que esta categoria registasse um saldo positivo entre subscrições e resgates superior a 400 milhões de euros.

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