Tags: Negócio |

Eventuais consequências das eleições gregas marcam a semana


A Grécia voltou a ser o centro das atenções, com o presidente a antecipar as eleições presidenciais para 17 de dezembro, na esperança de reforçar a maioria e assim ganhar um pouco mais de legitimidade para avançar com as reformas impostas pela Europa.

A hipótese de o partido Syriza ganhar as eleições (avançado pelas últimas sondagens) assusta o mercado dado que o Syriza propõe avançar com medidas radicais, uma delas a saída do Euro. O facto da Grécia ser o único país Europeu que sujeito a resgate, ainda se mantém sob as condições impostas pela Troika, não impede que surjam problemas de instabilidade política que podem gerar problemas ainda maiores. 

A notícia de antecipação das eleições causou ainda maior mau estar dado que um dia antes a Troika tinha prorrogado o prazo em dois meses para o cumprimento das metas impostas.

Na Grécia, o presidente necessita ser eleito com 180 votos favoráveis, o que não acontece ainda com o candidato proposto pelo actual presidente. Se o presidente eleito não contar com 180 votos favoráveis a lei prevê a dissolução imediata do parlamento e a convocação de eleições legislativas antecipadas. 

Numa primeira análise o impacto desta antecipação de eleições é diminuto, mas se o presidente não reunir os votos necessários e o Syriza vencer as eleições, o problema para a Europa pode ser grande e colocar em causa uma estabilidade que o BCE procura e não encontra. Seria a primeira vez na Zona Euro que um partido que defende o default e a saída do Euro vence as eleições.

No dia do anúncio da antecipação das eleições o Euro atingiou o ponto mais baixo desde julho de 2012 ao ser cotado a 1.2248, num dia em que a bolsa de Atenas perdeu 11,69%, na maior queda dos últimos 27 anos.

O Euro perdeu novamente terreno face ao Dolar até aos 1.2380 (depois de chegar a ser cotado a 1.2470 ainda durante o dia 11/12) , com o Banco Central Europeu a injectar mais 129.84 mil milhões de Euros no sistema financeiro através do segundo leilão TLTRO. Trezentos e seis bancos Europeus recorreram á liquidez, num montante em linha com o esperado. A taxa de juro é de 0.15% num prazo de quatro anos.

A Noruega, em consequência da descida do preço do petróleo e do respectivo impacto no seu orçamento, desceu a sua taxa de juro em 25 pb para os 1.25% avançando também com a informação que as taxas se irão manter assim até meados de 2016. A NOK torna-se assim na divisa que mais perdeu terreno dentro das divisas dos países que compõem o G10 durante o ano de 2014, subindo para lá dos 9.00 face ao Euro.

(Imagem: Lee Duguid, Flickr, Creative Commons)