Estudo da CMVM: Características associadas a uma boa rentabilidade dos fundos de ações nacionais


No Relatório Anual sobre os Mercados de Valores Mobiliários de 2017, a CMVM destacou a atualização em 2017 de um estudo realizado em 2009 com o objetivo de avaliar se a um maior dinamismo da gestão dos fundos de investimento de ações nacionais podia ser associada a uma também maior rentabilidade. O supervisor pretendeu, além de outros melhoramentos, estender a análise até 2015, o que permitiu averiguar até que ponto a relação entre ativismo de gestão e a rentabilidade poderá ter sido alterada na sequência da crise financeira internacional.

Com recurso a uma amostra de todos os 23 fundos de investimento abertos de ações nacionais que estiveram em atividade no período compreendido entre 31 de dezembro de 2001 e 31 de dezembro de 2015, a CMVM utilizou dois indicadores de ativismo: o turnover corrigido das carteiras e o indicador Finger-Kreinen - desenvolvido originalmente para medir a similitude da estrutura de exportações entre dois espaços económicos. Foi também considerado um indicador composto de interação entre estas duas últimas variáveis. De realçar que a entidade supervisora dá nota de que a maioria dos fundos considerados investem principalmente ou na totalidade em ações nacionais.

Resultados do estudo

Segundo o exposto no relatório anual, o estudo “permitiu concluir que os fundos que, em simultâneo, mais negoceiam e mais reconfiguram as suas carteiras foram penalizados em termos de rentabilidade”. Mais além, o regulador expõe que os resultados obtidos permitiram ainda concluir que “a rentabilidade dos fundos de investimento em ações nacionais continua a ser essencialmente explicada pela rentabilidade do mercado e que a dimensão dos fundos tem um efeito negativo nessa rentabilidade, quer antes quer depois da crise  financeira internacional. Estes resultados questionam, assim, a ideia de que os fundos de ações nacionais beneficiam de economias de escala na gestão, porventura por não terem atingido ainda uma dimensão suficiente para poderem beneficiar dessas economias”, pode ler-se no relatório.

Em suma, a entidade supervisora dos mercados financeiros aponta como características associadas a uma boa rentabilidade uma carteira estável, pequena dimensão dos fundos, turnover limitado e comissionamento reduzido. Indica ainda que “nenhum dos 23 fundos que compuseram a amostra deste estudo reuniu globalmente estas características”.

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