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Estrutura, organização e investimentos: como olham as gestoras nacionais para o ESG


Os factores “E”, “S” e “G”  identificados por cada uma das atividades que responderam à consulta pública sobre finanças sustentáveis da CMVM também foram objeto de análise do relatório síntese sobre o assunto, elaborado recentemente pelo regulador.  

No caso da indústria de gestão de ativos e dos  fundos de pensões, os respondentes deram primazia à análise dos factores ESG sob dois prismas distintos, conta a CMVM. São eles ao nível da “estrutura e da organização interna das sociedades gestora, e ao nível dos investimentos que estas realizam por conta dos respetivos clientes”. Por outras palavras, o regulador elenca que para os questionados, a integração dos fatores ESG é algo que depende da estrutura, organização e estratégia de cada uma das entidades gestoras e da política de investimentos prosseguida pelos respetivos fundos de investimento e/ou fundos de pensões, bem como da relevância que cada um dos fatores ESG assume nas carteiras sob gestão”.

Governação: difícil de avaliar

“Factor crítico de avaliação”. Foram estas as palavras usadas pelo regulador para descrever a forma como os respondentes olharam para a governação. “A governação foi considerado um fator crítico de avaliação dos respetivos investimentos, estando as componentes ambiental e social a aumentar, progressivamente, o respetivo peso nas análises realizadas, ao nível, por exemplo, dos países objeto de investimento (através da consideração, na análise, das políticas ambientais e sociais seguidas)”.

No que ao tema “produtos ESG” diz respeito, a CMVM reportou que os respondentes assinalaram “o desenvolvimento e cálculo de índices com critérios de sustentabilidade, a admissão e negociação de ETFs e de produtos estruturados indexados a esses índices, a admissão à negociação de green bonds e a promoção do financiamento a segmentos de empresas com especial contributo para a sustentabilidade”. A “onda comercial” relativa a este tipo de estratégias também foi assinalado por quem contribuiu para esta consulta pública. “Foi mencionado que a componente “ambiente” é aquela que tem gerado mais produtos, sobretudo índices e produtos indexados, seguida da temática de “governação” que começa a revelar maior interesse, enquanto a componente exclusivamente “social” ainda se encontra num estágio inicial”, pode ler-se no documento de reflexão.

Consultados foram ainda os elementos de sustentabilidade que cada organização respondente identifica na sua empresa, bem como a avaliação dos respetivos impactos. Os tão conhecidos PRI (Principles for Responsible Investment) foram, entre outros princípios internacionais, apontados pelos respondentes como “princípios internacionais que reforçam o compromisso público das instituições relativamente ao cumprimento destas exigências”. Prova disso é o facto de já quatro entidades do universo de gestão de ativos nacional serem signatárias destas normas. Falamos da BPI Gestão de Activos, Caixa Gestão de Activos, Ocidental Pensões e Hawkclaw Capital Advisors.

Financiar entidades sustentáveis

Entre um conjunto abrangente de políticas adotadas, que constituem elementos de sustentabilidade, como as políticas de exclusão, políticas de sustentabilidade, etc, a CMVM ressalta o facto das entidades relacionadas com a prestação de serviços financeiros e o mercado financeiro terem indicado “diversos aspetos relacionados com a capacidade de financiar atividades sustentáveis e promover instrumentos financeiros baseados em fatores ESG”, nomeadamente “o desenvolvimento e promoção de soluções financeiras que apostem na proteção do ambiente, tais como as energias renováveis e a eficiência energética” ou a “análise de risco social e ambiental nas operações de crédito, bem como avaliar os impactos nas alterações climáticas dos projetos de financiamento”.

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