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Estratégia com múltiplas fontes de rendimento


O fundo Kames Global Diversified Income Fund impõe logo pelo seu nome uma das suas caraterísticas essenciais na sua gestão e também no objetivo a que se propõe: “Diversificação”. Esta foi seguramente uma das palavras mais repetidas por Vincent McEntegart, investment manager do produto, numa entusiasta conversa com a Funds People Portugal. Na próxima semana, a gestora organiza em Lisboa um evento onde abordará precisamente este fundo

O fundo multi-ativos da gestora inglesa foi claramente desenhado para entregar rendimento aos seus clientes, mas seria redutor fixar o seu objetivo por aí. “Esta estratégia foca-se primariamente na parte do income, mas não de forma exclusiva. Queremos com este fundo providenciar também algum crescimento do capital. Acreditamos que o temos feito até agora”, começou por dizer confiante Vincent McEntegart.

O objetivo do fundo é portanto muito claro: conseguir alcançar uns ambiciosos 5% de yield anuais, sem descurar a parte do crescimento do capital. “Embora 5% possa parecer um número exagerado, falamos de valor bruto de comissões. Atualmente o fundo apresenta uma yield bruta de 5,4%, mas líquida, é de 4,5%”, esclarece.

Liquidez: Santo Graal

A diversificação do produto bebe também da sua capacidade de investir de forma global “em todos os mercados a que tem acesso”, embora “todos os ativos comprados tenham de ser negociáveis numa base diária”. Esta última caraterística, embora seja de certa forma uma condicionante na gestão, é para o profissional uma grande mais-valia para os investidores, numa indústria por vezes ‘impositiva’ no que toca à permanência nas estratégias. “Com este fundo o investidor tem controlo do seu próprio dinheiro. Mesmo que invista hoje e amanhã decida que precisa do dinheiro, consegue tê-lo de volta. Nesta indústria muitas vezes o que acontece é que se quer que os investidores permaneçam investidos para sempre. Isso é positivo, claro, mas os investidores devem ter o direito de poder mudar de ideias, e recuperar o seu dinheiro quando assim o entenderem, dentro de determinados limites, claro”, afirma.

Posicionamento portefólio

Com uma alocação de ativos que apelida de “ativa”, nos últimos três anos, em termos genéricos, o portefólio a cargo de Vincent McEntegart, teve entre 30% e 40% alocado a obrigações e entre 25% e 40% alocado a ações (esta última percentagem é mais diminuta atualmente). A componente de alternativos e REITs tem, por sua vez, vindo ganhar terreno dentro do portefólio. Para o profissional o balanceamento entre as componentes de ações, obrigações e outros ativos é notória na carteira e adensa-se ainda mais quando a análise é feita por “país, sector, etc”. 

aloca

Air craift leasing

Uma das particularidades da carteira deste fundo é, por exemplo, o investimento em empresas de leasing de aviões, área que no final de julho acrescentava ao portefólio uma contribuição de 0,28% para a yield do fundo. “As empresas desta área onde investimos estão cotadas na bolsa de Londres; são empresas que têm dívida e ações, e nós investimos precisamente na parte de capital. Como investidores em ações nós somos co-detentores dos aviões que a empresa está a comprar”, começa por explicar. Embora tal como um carro os aviões sofram uma “desvalorização ao longo do tempo” e isso deva ser “tomado em consideração”, Vincent McEntegart acredita que os aviões têm uma grande vantagem: “Podem ser movidos para onde a procura existe, o que não acontece por exemplo com o imobiliário”.

Ainda assim, este último tipo de investimento também pode ser encontrado em carteira, sempre com uma salvaguarda de liquidez. “O investimento em REITs,  por exemplo, é importante para nós por causa da sua negociação diária; num fundo deste género esta é a única maneira de conseguir exposição a imobiliário comercial. Pode mesmo dizer-se que os REITs se comportam como as ações, o que poderá ser o motivo que justifica o facto de alguns reguladores ainda não os terem introduzido nas suas jurisdições”, recorda.

REIT_Kames

Uma pequena nota também sobre a alocação a dívida do sector bancário, que para o profissional “é uma área onde têm conseguido ver yields atrativas”. Atualmente alocam a esta classe de ativos cerca de 10% do portefólio.

Abordagem multidisciplinar e colegial

Vicent McEntegart não é o único ‘comandante’ deste fundo. Responsável pelo fundo está também Jacob Vijverberg. Sob a tutela da equipa de multiativos, a equipa troca constantemente ideias sobre as decisões a implementar no produto, e pode mesmo dizer-se que estas são colegiais. Multidisciplinar, a abordagem ao fundo contempla também os inputs de outras equipas da Kames Capital, como é o caso da equipa de ações ou de obrigações.