Estarão os investidores cansados dos produtos que distribuem rendimentos?


Os mercados foram alvo da realização de mais-valias, tendo como razão base o aumento da incerteza sobre a política monetária mais do que preocupações relativamente ao crescimento global. É óbvio que os activos cíclicos orientados para o crescimento superaram títulos defensivos e os produtos geradores de rendas. Estaremos a testemunhar uma nova tendência? De acordo com o ING Investment Management, percebem-se diferentes direcções nos mercados financeiros que tomaram diferentes segmentos de activos nas últimas semanas.

Assistimos a uma venda massiva de acções de empresas do Japão, que, após o ‘rally’ dos últimos meses, não foi de estranhar. Outros mercados de acções desenvolvidas sofreram quedas relativamente moderadas. Vimos também uma subida brusca da rendibilidade das “obrigações seguras”, a par do estreitamento dos ‘spreads’ de crédito. Como se podem explicar estes movimentos? "A incerteza aumentou, em detrimento das dúvidas sobre a experiência japonesa, o futuro dos modelos de crescimento dos emergentes e as implicações do fim das políticas de flexibilização quantitativa nos países desenvolvidos, especialmente nos Estados Unidos."

No entanto, no ING IM não acreditam que os recentes movimentos de realização de mais-valias se devam à diminuição generaliza do apetite por risco, ligado à incerteza relativamente ao crescimento económico global. Se assim fosse, na gestora consideram que teríamos presenciado a uma maior tendência de queda dos mercados de acções, ‘spreads’ de crédito mais altos e menor rendibilidades das obrigações do governo. “Vemos sinais de uma grande mudança na preferência dos investidores, que estão gradualmente a abandonar activos que distribuem rendimentos em direcção a activos orientados para o crescimento”.

Para ING IM, isto parece ter começado nos finais de Abril e continuou durante a recente correcção dos mercados. "Ao contrário dos quatro primeiros meses, os sectores cíclicos superaram os defensivos durante o mês de Maio. Além disso, outros activos que geram rendimentos como as acções ‘real estate’ e obrigações, estão a enfrentar uma pressão significativa”, afirmam os analistas da gestora holandesa num artigo próprio.

 

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