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Estarão os ETFs a perder fôlego? Os fluxos abrandaram em setembro


Ao longo de 2016, os fluxos mensais para fundos cotados mantiveram-se em torno dos 3.200 milhões de euros na Europa. Este dado, proporcionado pela Lyxor AM, contrasta fortemente com o registado em setembro, quando caiu 2.000 milhões. Poderá ser um sinal de esgotamento, ou será um acontecimento isolado? A empresa francesa estuda as tendência observadas durante o mês passado e indica que, apesar do passo atrás, o volume de ativos geridos passivamente no continente situa-se em 480.000 milhões, 7% mais que no final de 2015.

Um dado significativo é que os fluxos de entrada se reduziram tanto nos ETF de ações como nos de fixed income, mesmo que em ambos os casos, o saldo mensal se tenha mantido positivo. Concretamente, durante o mês de setembro entraram 865 milhões de euros para fundos cotados de ações, dos quais 555 milhões dirigiram-se para fundos que replicam o comportamento das ações norte-americanas. Segundo Marlène Hassine, responsável de análise de ETF da Lyxor AM, isto pode ser explicado pelos “comentários positivos da Fed sobre a robustez da economia e a sua disposição para normalizar as condições monetárias antes que acabe o ano”. Também atraíram capital os ETFs de ações emergentes: 580 milhões de euros, um balanço positivo, mesmo que inferior ao de meses anteriores e concentrado nos índices mais amplos.

Hassine comenta o que parecem ser sinais de mudança de uma tendência nas ações europeias: depois de dois meses de fortes reembolsos, em setembro estes limitaram-se a 203 milhões. O balanço foi também negativo para os ETFs de ações japonesas, algo que a especialista atribui ao facto de “as atuais políticas parecerem incapazes de reiniciar decididamente as dinâmicas inflacionárias”.

Outra notícia destacada neste bloco foi a reversão, pelo primeira vez em 2016, da tendência nos ETFs de Smart beta, que viram sair 686 milhões de euros, depois de registarem um nível record de subscrições. Devido à redução das incertezas nos EUA, na Lyxor também observaram reembolsos fortes (602 milhões de euros) em produtos de mínima volatilidade.

Os fluxos de entrada para produtos de fixed income reduziram-se para 1.000 milhões de euros. A tendência mais destacada foi o interesse em ETFs que investem em dívida soberana emergente, que atraíram 1.300 milhões de euros. Foram igualmente chamativas as entradas de dinheiro em ETFs que investem em obrigações indexadas à inflação, 164 milhões de euros. Por outro lado, registaram-se reembolsos de 481 milhões de euros em produtos que replicam o comportamento da dívida de países desenvolvidos, embora a entidade não especifique quais.

O último destaque sobre as tendências em setembro está relacionado com os fluxos para matérias primas. Neste caso, podemos falar de uma confirmação da tendência que se viu também nas ações: somente os ETFs que replicam o comportamento do ouro viram entrar dinheiro (166 milhões), enquanto que o resto dos índices gerais de outras referências viram sair 93 milhões, pelo que o saldo total foi positivo em apenas 73 milhões de euros para o conjunto da classe de ativo.

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