Esta semana vou estar de olho... nos índices de confiança na Zona Euro e no primeiro debate Trump-Biden


(O 'Esta semana vou estar de olho em...' desta semana é da autoria de Tiago Lavrador, economista do Novo Banco.)

O crescimento do número de infeções de Covid-19 na Europa continua a condicionar de forma clara as perspetivas para a evolução da atividade, com repercussões também sobre o sentimento dos investidores e os níveis de aversão ao risco.

A divulgação, esta terça-feira, dos índices de confiança apurados pela Comissão Europeia para o mês de setembro permitirá avaliar como está a evoluir o sentimento dos agentes económicos na Zona Euro. As expectativas no sector dos serviços, em particular no turismo e restauração, deverão permanecer fortemente condicionadas pelo agravamento do número de infeções de Covid-19 na maioria dos países europeus, com maior incidência em Espanha e França. A clara divergência que estará a ocorrer entre os desempenhos dos sectores da indústria e dos serviços foi evidenciada, na passada semana, pelos índices PMI. Enquanto a indústria prossegue em setembro a aceleração dos meses anteriores, particularmente expressiva na Alemanha, os serviços estarão a sofrer uma contração da atividade. A economia dos Dezanove, no seu conjunto, parece, assim, ter desacelerado, o que tinha sucedido já em agosto. Estes dados ilustram a fragilidade da recuperação em curso na Zona Euro e a incerteza quanto à sua evolução nos próximos meses, certamente condicionada pela eventual necessidade de introdução de medidas mais restritivas sobre a atividade.

Para além da incerteza que representa a evolução da Covid-19, é elevada também a incerteza de natureza política em torno das eleições presidenciais de 3 de novembro nos EUA. Esta terça-feira terá lugar o primeiro dos três debates entre Donald Trump e Joe Biden. Num momento em que a vantagem que Biden vinha a revelar nas sondagens parece estar a esbater-se, o debate merecerá ser acompanhado com atenção. Argumentando que o voto por correspondência se encontra sujeito a uma maior probabilidade de fraude, Trump tem vindo a ameaçar vir a pôr em causa os resultados eleitorais, não se comprometendo com uma transferência pacífica de poder, no caso de uma vitória de Joe Biden. Uma última nota para a publicação, na sexta-feira, dos dados referentes ao mercado de trabalho nos EUA no mês de setembro. Poderão continuar a apontar para um aumento do número de postos de trabalho criados, mas a um ritmo que tem vindo a perder vigor face ao observado nos meses imediatamente após o levantamento das medidas de confinamento mais restritivas.

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