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"Esta semana vou estar de olho nos desenvolvimentos do Brexit, guerra comercial e dos resultados nos EUA


(O 'Esta semana vou estar de olho em... desta semana é da autoria de Nuno Serafim, executive board member da IM Gestão de Ativos)

(i)O modelo proposto por Theresa May, que aponta para um acordo aduaneiro de difícil implementação em contrapartida da adoção de muitas das regras e regulação europeias, divide fortemente o Governo britânico pois contraria o principio original do Brexit. Esta proposta, carece igualmente de clareza suficiente para impedir a deslocalização de Inglaterra de alguns setores estratégicos, como o setor bancário e automóvel, com consequências obviamente negativas para o modelo de crescimento do Reino Unido. Face ao exposto, as negociações do Brexit estão num novo impasse a apenas nove meses do Reino Unido abandonar a União Europeia e a pouco mais de 18 meses do fim do período de transição. Novos desenvolvimento aguardam-se esta semana após uma reunião interna do Governo britânico a realizar esta sexta-feira. Entre os cenários, não podemos descartar a possibilidade da queda de May e convocação de novas eleições.

(ii)As tarifas de 25% sobre uma lista de importações chinesas ascendendo a 34 mil milhões de dólares entram em vigor esta sexta-feira – lista essa que deverá ser estendida a mais 16 mil milhões de dólares de produtos importados nos próximos dias – e deverão desencadear a resposta das autoridades chinesas sobre importações dos EUA de igual montante. A administração Trump promete que em caso de retaliação chinesa as tarifas poderão recair em cerca de 500 mil milhões de importações, ou seja, virtualmente todos os produtos importado da China. Os desenvolvimentos em torno da guerra comercial são críticos para a evolução do preço das principais classes de ativos no curto prazo sendo que a batalha não se trava apenas entre EUA e China. O setor automóvel europeu é também um dos visados por Trump e resta saber se chegaremos a uma solução negociada entre as duas partes que poderá resultar na abolição de qualquer tarifa sobre as importações de automóveis para a Europa, quer dos EUA, quer do Japão ou China. Esta solução carece de uma aprovação prévia por parte de todos os países da União Europeia e da reciprocidade por parte dos EUA nas importações de veículos europeus. Ambas, não parecem fáceis. De referir, que no caso alemão as exportações de veículos para os EUA representam cerca de 0,8% em percentagem do PIB ao passo que as exportações norte-americanas são praticamente irrelevantes no produto norte-americano. Uma negociação com impacto bastante assimétrico nas duas economias e que dá vantagem clara aos EUA.

(iii)A época de resultados referente a Q2 nos EUA começa a ganhar dinâmica nesta semana em especial com a divulgação dos resultados dos grandes bancos. Para este trimestre espera-se um crescimento de 20% dos resultados, em termos agregados, com forte contributo dos setores energético e materials, tecnologia e também do setor financeiro, para o qual se espera um crescimento de 22%. A concretização das expetativas de crescimento dos resultados deverá suportar o mercado de equity mesmo com as restrições decorrentes do impacto das tarifas no comércio global.

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