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Esta semana vou estar de olho... nas repercussões na última Cimeira Europeia, na reação à inflação na Zona Euro e no evoluir da “Guerra Comercial”


(O 'Esta semana vou estar de olho em...' desta semana é da autoria de João Paulo Caldeira da Silva, do Novo Banco)

Na agenda da Cimeira Europeia realizada entre 28 e 29 de junho estiveram em cima da mesa três temas de importância estrutural para o futuro da União Europeia:

- A política de imigração e de acolhimento de refugiados;

- O aprofundamento da união económica e monetária da Zona Euro;

- As incontornáveis negociações relativas ao Brexit.

O desentendimento entre a CSU e a CDU, no que diz respeito à política de imigração e de acolhimento de refugiados, causou tensões dentro do governo de coligação alemão, que poderão pôr em causa a sua sobrevivência, no caso de, durante esta cimeira, não ser possível chegar a um entendimento para a abordagem deste tema ao nível da União Europeia.

No final da cimeira franco-alemã, realizada na segunda semana de junho, a chanceler Merkel e o presidente Macron anunciaram, que iriam propor a criação de um orçamento comum para a Zona Euro durante a realização desta Cimeira (para além de também terem manifestado oficialmente a sua vontade de que o European Stability Mechanism evolua para um verdadeiro Fundo Monetário Europeu). Dado que a criação deste orçamento não reúne unanimidade de opiniões, a forma como decorrer o debate sobre este tema tem o potencial de influenciar os mercados de forma visível.

A persistente incerteza relativamente às negociações relativas ao Brexit começa a dar consistência à possibilidade da União Europeia e do Reino Unido não chegarem a um acordo até à data limite (19/3/2019), o que implicaria um Hard Brexit, que não é do interesse de nenhuma das partes envolvidas, à exceção dos mais fervorosos adeptos da saída da Grã Bretanha da União Europeia.

A estimativa do Eurostat para a inflação homóloga na Zona Euro, relativa a junho, foi conhecida na passada sexta feira, sendo que, no caso de se terem verificado desvios positivos relevantes em relação às expectativas dos investidores (2% na taxa homóloga e 1,1% na taxa subjacente), o efeito sobre os mercados não deixará de se fazer sentir (sobretudo no seguimento das recentes Reunião de Política Monetária e Fórum de Política Monetária do Banco Central Europeu, de onde prevaleceu uma postura essencialmente cautelosa e acomodatícia por parte deste banco central).

Um pouco à semelhança das negociações relativas ao Brexit, o escalar da atual “guerra comercial” entre os EUA e os seus principais parceiros comerciais tem-se assemelhado a uma novela onde a cada novo episódio o enredo se baralha mais. Numa altura em que a aplicação de medidas retaliatórias em relação às primeiras medidas protecionistas por parte dos EUA se tornaram uma realidade, tudo se conjuga para que estes últimos respondam com uma nova escalada de medidas restritivas ao livre comércio, das quais se destacam a imposição de uma tarifa alfandegária de 20% sobre a importação de veículos automóveis provenientes da União Europeia e a implementação de medidas restritivas e, até, impeditivas do investimento chinês nos EUA. Tendo em conta esta possibilidade, bem como a manifesta intenção tanto da União Europeia, como da China em não se deixarem intimidar, o coro de avisos de que esta postura unilateral da Casa Branca tem o potencial para desencadear uma recessão a nível global ganha cada vez mais volume.”

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