Esta semana vou estar de olho... na yield curve brasileira


(O 'Esta semana vou estar de olho em...' desta semana é da autoria de Rui Alpalhão, presidente da FundBox Holdings)

Provavelmente a maior parte dos operadores vão estar de olho em Itália, graças ao salvínico orçamento que Bruxelas repudiou, mas vou pôr a vista no outro lado do Atlântico, mais na tradição portuguesa. O Brasil é um país mais antigo do que a Itália, e uma criação original portuguesa. Além destas duas boas razões para estar habitualmente de olho no Brasil, esta semana fica marcada pela eleição do Presidente Jair Bolsonaro, aliás um brasileiro de indisfarçável origem italiana. Pouco se tem falado de Bolsonomics, dada a escassez de opiniões sobre temas económicos do novo Chefe de Estado brasileiro, cuja plataforma eleitoral teve bases mais básicas, passe o pleonasmo, o que é uma razão mais para estar de olho no comportamento das taxas de juro brasileiras, sempre um espelho da economia, na primeira semana do novo poder. Ora as taxas brasileiras estão em mínimos históricos, mas ainda assim a Selic está – e as expectativas são que se mantenha – a 6,5%, o que contrasta com as baixíssimas taxas portuguesas e europeias. O Brasil tem um rating especulativo BB-, e agora que Portugal ostenta orgulhosamente (demais?) um rating tangencialmente de investment grade talvez não seja má ideia aproveitar a experiência da vida com ratings especulativos num mercado onde os ditos ratings se traduzem em taxas que se vejam.

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Bolsonaro será, seguramente, um Presidente mais pró-mercado do que Haddad seria, mesmo que não seja, em termos absolutos, grande amigo do mercado. O seu ministro da Fazenda, Paulo Guedes, já não é um boy mas é um PhD de Chicago. Talvez os mercados sejam amigos de Bolsonaro, o real reaja positivamente e se assista ao flattening da curva. Vou estar de olho na dita.

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