Esta semana vou estar de olho… na divulgação mensal do indicador de criação de emprego Non Farm Payrolls nos EUA


(O contributo desta semana é da autoria de João Lampreiachief investment strategist do BiG.)

Na semana que antecede a comemoração do quatro de julho nos EUA e em que a psique dos mercados manter-se-á muito focada na propagação, ainda relativo à primeira onda, do Corona Virus para alguns dos Estados mais populosos e solarengos dos EUA (California, Texas e Florida), o destaque macroeconómico incidirá na divulgação mensal do indicador relativo à criação de emprego dos Non Farm Payrolls (NFP). No início de junho, o NFP (relativo a maio) ostentou a maior surpresa de sempre, concretizando uma recuperação de 2,5 mn de postos de trabalho e que excedeu em praticamente 10 mn o consenso de mercado que apontava para uma quebra de 7,5 mn. Uma explicação para tamanha divergência é a possibilidade de um nível de recontratação escondida das empresas e por diferentes fatores contabilísticos num período em que se materializou o desconfinamento em muitos Estados norte-americanos. Já a taxa de desemprego depois da subida histórica em abril para 14,7% retrocedeu para 13,3%, ainda que por erros contabilísticos o pico da taxa de desemprego real na era pós-Covid deverá estar mais perto dos 15% (5 p.p. acima do observado na última crise). Curiosamente, o S&P 500 acabou por fazer máximos no pós-Covid na sessão imediatamente seguinte ao número fabuloso de NFP´s divulgados a 5 de junho, espelhando um padrão clássico “Buy the rumour, sell the news”. Este facto, adicionado a uma perda de fulgor do mercado das ações no último mês e a propagação natural do vírus a outros estados nos EUA são um indício claro que não teremos uma recuperação rápida do output perdido, mesmo que o crescimento de emprego volte a superar as expectativas do mercado. O nível de liquidez continua a comandar o mercado em relação aos fundamentais – mas esse facto merece outra análise em separado.

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