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Especuladores do Mundo, uni-vos para risottar


Crise financeira e nações falidas. Who cares ? Acabou de ser lançado o Belvenie
50 para comemorar os 50 anos do David Stewart à frente da destilaria (ouviste,
Pedro?)

Foi-me pedido que vos servisse de guia ao que a vida tem de bom: os
vícios. Como primeiro tema resolvi escolher o risotto, uma obsessão antiga. Sei
que isto é um choque para muitos mas risotto não é arroz empapado. Risotto é
um método de preparação de um tipo de arroz com determinadas propriedades
que lhe permite absorver o caldo utilizado durante o lento processo de
cozedura. Sendo um prato do Norte de Itália, as variedades de arroz indicadas
para risotto são de origem italiana. Podem encontrar em qualquer supermercado
a mais comum – Arborio – e em alguns o meu preferido - o Carnaroli. Com
o Arborio é fácil cozinhar demais. Com o Carnaroli é raro ficar demasiado
cozinhado. Perfeito para amadores como vocês.

Existe uma troika do Risotto: Refogado, Álcool e Caldo. Tal como a outra
não é negociável e a sua desobediência traz graves consequências. A escolha
destes 3 elementos vai depender da proteína. Um risotto de lingueirão terá
necessariamente de contemplar um refogado de chalotas, vinho branco e caldo
de peixe ou marisco. Para um risotto de carne é mais aconselhado um refogado
de alho, vinho tinto e caldo de carne ou vegetais. Podem encontrar chalotas nos
supermercados ou nos mercados (os outros). O caldo (não confundir com caldo
Knorr) é um líquido no qual restos – ossos de carne, espinhas de peixe, cascas
de marisco ou vegetais foram cozidos e coados. Já estou a imaginar a vossa
pergunta: “Vasco, posso usar água?” Não. Se não vão usar caldo mais vale fazer
um arrozinho de tomate malandro que serve muito bem. E se não têm tempo
para o confeccionar poderão encontrá-lo já feito no supermercados do El Corte
Ingles (sim, o mesmo sítio onde compraram a prancha de snowboard que só
usaram uma vez).

Vamos então à confecção: fazer o refogado com azeite. Adicionar o arroz. Quando
o arroz ficar translúcido com um ponto branco no meio, adicionar o álcool. Mexer
constantemente até estar absorvido. Juntar uma colher de caldo quente e mexer
até estar absorvido. Repetir a adição do caldo até estar pronto. “Como é que sei
que está pronto ?” Prova. No final juntar um pouco de caldo um noz de manteiga
e queijo para obter a consistencia cremosa.

Se seguiram as instruções a letra, deve estar optimo. Senão provavelmente não
tem talento para a cozinha e o melhor é mandar vir do Mezzaluna.

Foto: Risotto de Chouriço de Porco Preto (adaptado de uma receita da Taberna 2780)

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