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ESMA: “Reduzir e melhorar os custos é muito importante para a indústria”


Foi pela voz do presidente da ESMA (European Securities and Markets Authority), Steven Maijoor, que se ouviu pela primeira vez na “Alfi European Asset Management Conference”, levada a cabo ontem e hoje no Luxemburgo, alguns dos temas “quentes” que estão atualmente a marcar o panorama da indústria de fundos europeia.

Numa conferência marcada pelo inevitável tema da gestão ativa vs passiva, ou pelos temas mais disruptivos, como fintech ou blockchain, o presidente da autoridade fixou-se, em primeira análise, no tópico quente do Brexit. “Este assunto é muito importante para toda a área dos serviços financeiros, mas também no que toca aos locais de negociação. Esperamos que algum passo importante seja tomado antes do verão”, assegurou.

Custos... e mais custos

Não menos importante, Steven Maijoor seguiu para aquele que acabaria por ser um tema recorrente na conferência: a proteção do investidor e o custo da performance. Falando das mudanças que a MiFiD II e os PRIIPs exigirão à indústria, o profissional realçou que “é necessário ter em mente que a redução dos custos é ainda mais importante num contexto de taxas de juro baixas”, pois “numa altura em que é difícil conseguir-se um retorno decente num determinado investimento, é importante reduzir os custos de distribuição dos produtos”. Sobre MiFID II acrescentou que “num ambiente e quadro regulatório em que os investidores podem comparar os custos que lhe são imputados irá obviamente existir um aumento na concorrência na indústria de gestão de ativos”.

Positivo quanto ao papel que a indústria de fundos europeia pode ter no futuro, o profissional mostrou-se “um verdadeiro crente de que a união de mercados de capitais pode estimular e ajudar a indústria de fundos europeia a ter um papel importante no sistema financeiro global”. A título de exemplo apontou que “não deixa de ser incrível que a quantidade de aforradores médios na União Europeia seja duas vezes mais alta do que nos EUA”.

Contudo – e voltando ao tema dos custos – o especialista colocou mais uma vez a tónica nos elevados preços. “Os fundos domiciliados na UE são bastante mais caros do que os norte-americanos”, referiu, justificando com a antiguidade da área do investimento nos EUA, bem como a sua maior eficiência.

Por fim, o presidente da ESMA quis tocar no ponto da estabilidade na gestão de ativos. “Sabemos que o tema da estabilidade financeira tem sido, nos últimos anos, mais abordado em relação ao sector bancário. Contudo, agora, temos visto que as autoridades do sistema financeiro estão a olhar para possíveis veículos de estabilidade na área da gestão de ativos”, referiu, citando algumas das grandes ferramentas já implementadas para manter essa estabilidade. Lembrou a exigência de níveis de alavancagem mais “saudáveis” no âmbito da gestão de ativos, ou a exigência de determinados níveis de liquidez nos fundos de investimento.

Terminando com o mesmo tema com que iniciou a sua intervenção, o presidente da ESMA deixou o aviso: “Reduzir os custos e melhorá-los, é muito importante para a indústria de gestão de ativos”.

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