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Quais os desafios ao aplicar ISR em mercados emergentes?


Os principais desafios são a falta de transparência e padrões de divulgação mais baixos do que os mercados desenvolvidos, bem como barreiras linguísticas e acesso limitado a informação imparcial. Os desafios originam, em parte, de motivos culturais e, em parte, da relativa imaturidade dos mercados emergentes. Enquanto na Europa e nos EUA existem cada vez mais padrões de indústria e regulamentos relacionados com a divulgação financeira no geral e ESG em particular, nos mercados emergentes estes são menos latentes. Claro que, isto foi a situação nas economias de mercado desenvolvidas há cerca de 20 anos atrás, e não irá demorar muito tempo até que os mercados emergentes a alcancem.

É possível fazer uma avaliação ESG a empresas de mercado emergentes?

É possível, mas até que os padrões de divulgação sejam suficientemente altos nos mercados emergentes não existem dados insuficientes para utilizar estratégias estabelecidas de ISR, tais como aquelas utilizadas nos mercados desenvolvidos. É por isso que acreditamos que os mercados emergentes requerem uma metodologia de ISR inovadora.

A primeira parte da nossa metodologia é avaliar a o cumprimento dos principais padrões internacionais por parte da empresa. Talvez o enquadramento mais útil seja o da UN Global Compact.

A segunda é medir o envolvimento em atividades controversas, tais como exposições materiais a conteúdo para adultos, álcool, armamento, jogo, nuclear, tabaco e atividades de negócios em países com regimes opressivos.

A terceira é analisar o corporate governance, tal como o nível de independência do conselho de administração, diversidade do conselho, votação dos acionistas e direitos dos acionistas, identificando e excluindo empresas com padrões baixos de governance que poderão colocar em risco o futuro da empresa.

Por fim, identificamos empresas que estejam melhor colocadas para fornecer soluções para tirar partido das tendências de sustentabilidade global. A estratégia da Candriam é diferente, na medida em que, aloca às tendências que fornecem soluções aos grandes desafios de sustentabilidade de hoje. Vemos estas tendências como sendo as alterações climáticas, o esgotamento dos recursos, sistema de saúde, alterações demográficas, economias em desenvolvimento e interconectividade além fronteiras.

Como é que escolhe ações para a carteira?

Acreditamos que a nossa abordagem de seleção de ações é única, na medida em que, aliamos a nossa análise exclusiva de ISR a um processo de seleção de ações exclusiva de mercados emergentes.

O nosso processo de investimento e de seleção de ações baseia-se numa abordagem de dois passos. O nosso processo único de triagem de ISR ME reduz o conjunto de investimentos dos mercados emergentes para um conjunto de “ISR-aprovados” que se torna a base para o nosso processo de investimento exclusivo de mercados emergentes. Esta abordagem baseia-se na nossa crença numa combinação de uma abordagem temática – procurar por tendências de investimento de apoio e “bolsas de crescimento” – com triagem fundamental de ações e análise que dá origem a um excedente de retorno maior a longo prazo, bem como proteção face a quedas. A análise fundamental foca-se em empresas de qualidade com preços atrativos com um crescimento de sustentabilidade forte e rentabilidade.

O processo de construção de carteira resulta numa carteira concentrada?

O processo de investimento resulta numa construção de carteiras concentradas a médio e longo prazo com cerca de 100 nomes de convicção enquanto se mantém amplamente diversificada por país, setor, empresas individuais e temas.

Conseguimos alcançar isto através da força das nossas equipas multidisciplinadas. A nossa equipa experiente em mercados emergentes tem um registo histórico de quase duas décadas, tendo os três gestores de fundos trabalhado juntos durante mais de 10 anos. Combinamos as capacidades dessa equipa com a nossa equipa independente e dedicada de ISR de oito pessoas. Cada um dos analistas ESG é especializado num setor.

É uma vantagem única, cremos nós, para um gestor de ativos ser capaz de integrar uma abordagem especialista em seleção de ações em mercados emergente com uma estratégia personalizada de ISR.

Porque devem os investidores estar interessados nesta estratégia?

Apela aos investidores porque tem um impacto positivo no ambiente, ajuda a melhorar os padrões sociais e incentiva uma abordagem responsável para tomadas de decisões empresariais.

A estratégia cumpre particularmente, as necessidades dos investidores que operam em jurisdições onde são obrigados a divulgar o seu impacto ISR. Esta obrigação já existe em alguns países e isto poderá acontecer cada vez mais, no seguimento do acordo sobre as alterações climáticas de Paris.

Os investidores estão, também, cada vez mais sob pressão pela sociedade civil para divulgar e reduzir a sua pegada de carbono.

Resulta?

Simultaneamente com as importantes considerações ESG, o desempenho é, obviamente, uma questão fulcral dos investidores. A estratégia ISR de mercados emergentes da Candriam incorpora alfa de ambos os métodos de triagem ESG e processo de gestão financeira exclusivo. Enquanto que pode ter um pior desempenho que o benchmark por curtos períodos de tempo, o bias da estratégia para nomes de qualidade através do processo de seleção de ações significa que superou bastante bem nos últimos anos e espera-se que o faça num horizonte de investimento a médio e longo prazo.

Poderá ver a entrevista de Wim Van Hyfte no seguinte link.

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