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Entre a incerteza, os investidores europeus voltam aos fundos de obrigações


Vendo como estavam posicionados os investidores no fim do ano, era previsível que não estivessem preparados para um arranque de exercício tão bom. Agora os dados de fluxos do primeiro trimestre confirmam que o aforrador europeu perdeu-se no rally de 2019. Segundo os últimos dados da Lipper, a indústria europeia assistiu a saídas líquidas no valor de 58.300 milhões de euros no primeiro trimestre. Continua a tendência de 2018, o primeiro ano de saídas líquidas desde 2012.

Segundo explica Detlef Glow, responsável de análise EMEA na Lipper, o movimento explica-se devido à guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, o possível retorno de crise do euro, um contexto de subidas de taxas nos Estados Unidos e de um abrandamento geral da economia e dos lucros empresariais.

Só duas grandes categorias de fundos registaram entradas líquidas: os fundos de obrigações (+34.800 milhões de euros) e os fundos imobiliários (+1.100 milhões). Os que mais sofreram foram os fundos de ações (-39.600 milhões).  

“Os investidores europeus reduziram o risco das suas carteiras”, refere Glow, mas há nuances. O sector mais popular por fluxos foi o de obrigações de mercados emergentes em divisa forte (+11.300 milhões) e também houve apetite por obrigações globais em dólares com a divisa coberta (+8.000 milhões) e corporativos em euros (+6.000 milhões).

Também é de destacar a dualidade do apetite – ou a falta dele – em ações. Em geral, os fluxos foram negativos, mas não por uma fuga generalizada da bolsa, mas porque os investidores europeus desfizeram posições do seu mercado local. Enquanto o sector de bolsa global foi o segundo por vendas e o de bolsa de mercados emergentes também está entre os dez melhores, os de bolsa europa, bolsa da zona euro e bolsa europeia ex-UK estão entre os dez piores. Podemos comprovar isto no gráfico seguinte:

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As gestoras que estão a triunfar este ano

Por empresas, a gestora com melhores vendas líquidas é a PIMCO (+8.300 milhões), seguida da Crédit Mutual (+3.700 milhões), da AllianceBernstein (+3.300 milhões), da Generali (+2.900 milhões) e da Vanguard (+2.800 milhões).

Por classe de ativos, a BlackRock foi a que melhor captou o apetite por obrigações, a UBS por ações (+6.700 milhões), a Union Investment por fundos mistos e a Folssbach von Storch por alternativos.

O lento despertar dos ETF na Europa

Outra das tendências em destaque é o tímido mas persistente crescimento da gestão passiva na Europa. No primeiro trimestre os ETF registaram vendas líquidas de 27.200 milhões de euros, o que eleva os ativos sob gestão nesta classe de produtos aos 725.000 milhões de euros.

Pode parecer uma tendência curiosa já que contrasta com as saídas de dinheiro dos fundos de investimento, mas como recorda Glow, os ETF também vieram de entradas líquidas positivas em períodos semelhantes, como a crise financeira de 2008 (+52.800 milhões) ou a crise do euro em 2011 (+16.700 milhões).           

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