Emanuel Vieira, CFA (Partners2U): “Consideramos que a economia norte-americana deve manter-se líder no crescimento económico ao nível das economias desenvolvidas”


A globalização tornou as grandes economias mais interdependentes em termos de desempenho. O ciclo de maior protecionismo iniciado em 2018 foi mais benéfico para os Estados Unidos e mais prejudicial para Europa e China. As eleições presidenciais norte-americanas em 2020 serão um dos principais focos dos mercados, já que uma reeleição de Trump ou uma derrota deste deverão ter impactos distintos nas expectativas dos investidores.

Os riscos que mais nos preocupam são o risco sistémico assente no maior volume de dívida recorde emitida em todo o mundo e numa escala um pouco menor os riscos de um revés nos recentes desenvolvimentos positivos entre China e Estados Unidos. Nesta medida, a necessidade que Trump possa sentir para alterar um rumo desfavorável nas sondagens pode revelar-se num desenvolvimento inesperado com repercussões nos mercados de capitais.

Num cenário mais central, consideramos que a economia norte-americana deve manter-se líder no crescimento económico ao nível das economias desenvolvidas, com os bons dados do emprego a suportarem o consumo e a confiança. Apesar do acordo a ser assinado entre China e Estados Unidos, a economia chinesa deverá manter o ritmo de abrandamento económico, ainda que se mantenha com uma taxa de crescimento muito superior à dos outros grandes blocos económicos. Japão e Europa poderão surpreender pela positiva, a reboque de uma melhoria nas condições económicas globais, com a Europa a beneficiar de um eventual acréscimo de políticas fiscais expansionistas (nomeadamente com a Alemanha a “ser convertida”). A inflação também poderá surpreender em alta o consenso, o qual não está a considerar devidamente o impacto do expansionismo monetário.

A nossa preferência de alocação é pensada numa ótica integrada. Face aos pontos médios, consideramos que a Classe de Obrigações oferece pouco valor tendo em conta o risco implícito, que as Ações podem continuar a ter um bom comportamento absoluto  e relativo face às outras classes, que a Liquidez pode ser uma componente de maior relevo na gestão das volatilidades do que a Classe de Obrigações e que nas Commodities possa haver algum valor adicional face à sua tendência normal como investimento financeiro.

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