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Em tempos de incerteza, agarramo-nos ao value


Uma guerra comercial, uma macroeconomia com sinais de fragilidade, países emergentes altamente endividados... as desculpas para se estar negativo relativamente aos mercados são várias. E, contudo, o tom da Amundi está longe do medo que se está a estender entre os investidores nos dias de hoje. Não é que não hajam zonas cinzentas hoje em dia. Se tivesse de citar os principais desafios para a carteira do First Eagle Amundi International Fund, Robert Hackney, diretor executivo da First Eagle Investment Managers, destacava a elevada alavancagem mundial, a militarização da China e o fim do QE.

Mas mais do que riscos, Andreas Wosol, diretor de gestão value multi cap e gestor senior do Amundi Funds II – European Equity Value, classifica-os como ruído. A fragilidade económica na Europa está a ocupar os headlines, mas para este gestor o problema maior para o seu fundo é o risco idiossincrático de uma empresa. Ou seja, enganar-se na sua convicção. E os terramotos políticos na Europa? “A Itália nunca teve um orçamento regular, por isso, porquê preocupar-se agora?”. Por isso, defende que não estará tão receoso como alguns parecem estar . “Se investe em negócios viáveis, estes são mais resistentes, têm a capacidade de se adaptar”, argumenta.

O regresso da volatilidade é uma das grandes preocupações do momento, mas para Wosol o risco mais importante é a perda permanente de capital. Hackney concorda: “O segredo para ultrapassar o mercado é não perder”. Nos últimos 30 anos, durante mais de 20, o First Eagle Amundi ficou atrás nos bull markets. Mas bastou 9 anos em baixa, onde também não acompanharam com a mesma intensidade as quedas, para ultrapassar os índices em termos brutos. O seu método: diversificação e paciência.

Isto porque o antídoto para não sucumbir ao pânico em alturas de correção é um processo sólido de investimento. Na sua definição mais ampla, o value é a procura de oportunidades a um preço atrativo. O que não quer dizer que quem não se considera value compra caro. Na Amundi aplicam essa filosofia partindo do valor intrínseco de uma empresa. “O que um investidor entendido estará disposto a pagar pelo negócio inteiro em liquidez”, explica Hackney. Ou seja, que nem os índices de referência nem as comparações relativas entram no processo.

Tal como o especialista da First Eagle reconhece, o investidor encontra-se num contexto de maior risco-menor recompensa comparativamente com o passado. E para isso, reivindicam o papel dos seus dois escudos: o ouro e a liquidez pura e dura. Mas para além disso tudo, em tempos de incerteza, “agarramo-nos ao value”, afirma Hackney.

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