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Em tempos de coronavírus, esta gestora de ETF americana quer abrir aos investidores da China


Há algum ativo que possa superar as tecnológicas norte-americanas? Sim, as tecnológicas chinesas. Num ano de intensa incerteza comercial como 2019, a bolsa da China superou o S&P 500 em rentabilidade. A China pode ser a segunda economia mundial, mas o seu crescimento acaba de começar. Assim o defende Jonathan Krane, fundador e CEO da KraneShares, a gestora de ETF americana especializada em ativos chineses que acaba de desembarcar na Europa. Krane reconhece que não pode ser totalmente imparcial na sua opinião sobre o gigante asiático. O seu idílio com a China remonta quase duas décadas, quando lá fundou uma empresa de meios e entretenimento. “Decidi criar a KraneShares porque não conseguia acreditar no quão subponderados estavam os investidores na China com todo o crescimento que estava a ver com os meus próprios olhos”, conta.

Há espaço no mercado para outra gestora de ETF e principalmente esta, que só investe em ativos chineses? Ele defende que sim. Krane tem uma paixão por investir em negócios antes que explorem o seu potencial. Anteriormente comprou uma equipa de futebol nos Estados Unidos, o Queenboro FC, em conjunto com o ex futebolista espanhol David Villa. Uma aposta num desporto ainda emergente e associado ao feminino na América do Norte. “As pessoas continuam a ver a China como um nicho, mas é a segunda maior economia do mundo. Qualquer empresa que queira ser global tem de ter um plano de expansão na China”, insiste.

A sua responsável de negócio internacional, Xiaolin Chen, partilha alguns números para apoiar o seu argumento. Em 2013, o sector dos serviços superou o industrial como principal contribuidor para o PIB chinês. Esta recuperação de sucesso explica-se em grande parte pela rápida urbanização do país. “Mais de 20 milhões de pessoas mudam-se para as cidades todos os anos. Isso é um crescimento de 640% na população das cidades chinesas nas últimas décadas. Para que tenham uma ideia, é um despovoamento equivalente à população da Europa e mais do dobro do que a do Reino Unido”, explica Chen. Com a urbanização chega a melhoria nos rendimentos das famílias e com isso a expansão do consumo nacional. Tal é assim que o comércio online da China duplica o norte-americano.

A história da urbanização da China é potente, mas ainda representa apenas 40% do país. Quando os Estados Unidos apresentavam esse nível de ruralização, tinham acabado de sair da Segunda Guerra Mundial. “Vejo na China de hoje muito dos Estados Unidos dos anos 40”, comenta Krane. “Nesses anos nasceu o sonho americano. Quando falo com amigos na China nota-se a esperança das pessoas. Por isso é que trabalham tanto; porque sentem que podem aspirar a uma vida melhor. Os investidores deveriam sentir o pulso da sociedade. Agora a China está a impulsionar a iniciativa Belt and Road tal como os americanos lançaram o Plano Marshall. Na verdade, acredito que chegou o momento da China”, sentencia.

Não se mostram preocupados com o impacto global a longo prazo do coronavírus na economia asiática. “A China continua a ser o principal mercado para o comércio, é um parceiro comercial demasiado importante. O país só sairá reforçado disto”, assegura Krane.

Após ter surgido um espaço no mercado americano, agora querem desembarcar na Europa. Lançaram três dos seus ETF em formato UCITS: o l KraneShares CSI China Internet UCITS ETF (KWEB:LN), o KraneShares MSCI China A-Shares UCITS ETF (KBA:LN) e o KraneShares MSCI China ESG Leaders UCITS ETF (KESG:LN).

Porquê ETF? “Os ETF são o produto de investimento que mais rápido está a crescer na Europa. Mais até do que os fundos. São mais baratos, mais eficientes e mais transparente”, resumem. E porquê a Europa? “É o nosso passo para globalizar a empresa. Sentimos que a Europa compreende a história de crescimento da China. Vemos uma grande procura dos investidores para aumentarem a sua exposição a ativos chineses”, afirma Chen.

Chegam a Portugal pela mão da Silcarv Consulting. Tal como encontrou em Villa um sócio, a KraneShares conta com o apoio da China International Capital Corporation (CICC), o maior banco de investimento na China e acionista maioritário há dois anos. “Isso é uma vantagem para os nossos clientes. É ter um acesso privilegiado a informação e experiência em primeira mão”, assegura Krane.

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