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Eleições no Reino Unido: ‘vitória doce’ também para os investidores?


Poucos estavam à espera que o desfecho fosse este. Os dias que antecederam as eleições no Reino Unido marcaram uma série de debates sobre a eventual – e previsível coligação – que teria de ser formada depois das urnas fechadas. Cenários e sondagens falharam. David Cameron foi reeleito para o cargo de primeiro ministro, com o Partido Conservador a conseguir alcançar maioria absoluta no parlamento britânico, com pouco mais de 330 deputados.

“Esta foi a vitória mais doce de sempre”, referia David Cameron após conhecidos os resultados, que “eliminaram” o avanço tanto do Partido Trabalhista britânico, como dos próprios liberais (que atualmente eram parceiros de coligação no governo).  E para os mercados financeiros, a que sabe esta vitória do partido conservador?

Estabilidade para o sector privado

As próprias gestoras internacionais preparavam-se para um desfecho distinto e comungavam da ideia de que uma surpresa eleitoral traria incerteza para os investidores. Ainda assim alguns dos profissionais já perspetivavam sobre a eventual maioria do Partido Conservador. Para Paras Anand, diretor de ações europeias da Fidelity Worldwide Investment, a permanência de um governo liderado pelos conservadores “será bem vinda para o mercado”. Na opinião do profissional “os líderes empresariais fizeram ouvir as suas preocupações no caso de uma mudança de liderança, pelo que esta situação política será vista como a melhor hipótese para que a recuperação económica prossiga”.

Azad Zangana, Economista da Schroders, também partilha da mesma opinião. “No curto prazo, a clareza trazida pelas eleições irá aumentar a atividade económica, com as famílias e os empresários a poderem tomar decisões com uma maior certeza, nomeadamente em relação aos impostos e às leis”. Rory Bateman, head of UK & European Equities da mesma entidade, acrescenta que “os principais beneficiários dos resultados são as empresas que sofreram com o aparente aumento de popularidade do Partido Trabalhista, nos recentes meses”.

O que os investidores podem esperar

Relativamente ao impacto concreto nos mercados, os especialistas também são unânimes sobre o positivismo dos resultados. Dominic Rossi, diretor mundial de ações na Fidelity Worldwide Investment, entende que “os mercados se vão sentir aliviados com a maioria conservadora”, já que “as políticas de consolidação fiscal vão manter-se, em conjunto com medidas competitivas para os impostos das empresas”. O profissional espera mesmo que “os mercados de ações e o FTSE 100, que bateu o seu record em abril, continuem a sua tendência de subida”. Rory Bateman denota mesmo que no pós resultados “a libra esterlina recuperou cerca de 1,25% contra o dólar americano; 2,5% contra o euro, enquanto que os futuros do FTSE 100 estão a subir 1,7%, com ganhos fortes nas ações da banca e nas utilities, que eram os principais sectores ameaçados pelas políticas dos Trabalhistas”.

Referendo sobre permanência na Europa é para cumprir

Nas primeiras palavras que proferiu depois da eleição, David Cameron encarregou-se de assegurar que irá realizar o referendo sobre a permanência do Reino Unido na Europa. Este talvez possa ser um dos pontos de incerteza para os mercados, no longo prazo. Rory Bateman vê como pouco provável que este se realize no curto prazo, mas confessa o seguinte: “Não sabemos quão significativa é a ameaça de um possível ‘Brexit’, dado que Cameron não deixou transparecer durante a campanha se estava “dentro” ou “fora””.

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