Tags: Obrigações | Ações | EUA | Legal |

Eleições EUA: que resultado, que orçamento e que impactos?


A grande preocupação actual dos mercados relacionada com as eleições norte-americanas prende-se com a política orçamental que será definida em 2013, pelos efeitos na economia e no investimento, e sobre a qual paira a sombra do chamado 'fiscal cliff' (que se trazduz num corte - automático - da despesa e num aumento de impostos), cuja possibilidade não está ainda descontada nos mercados.

"Num ano de eleições, o Governo coloca uma pausa na implementação de medidas, à espera do desfecho. Penso que a questão mais importante é o que vai acontecer no próximo ano em termos orçamentais, qual será o impacto na economia. Para nós a maior preocupação prende-se com a negociação do orçamento para o 2013, independentemente de quem vença as eleições", referiu Carla Bergareche, directora da Schroders para Portugal e Espanha, à Funds People Portugal.

A 6 de Novembro, os Estados Unidos vão, não só, eleger um presidente, mas também escolher uma nova composição do Senado e da Câmara de Representantes. E é precisamente baseado nestes três pilares que as gestoras de activos internacionais traçam um cenários sobre o significado das vitórias de Democratas, Republicanos ou de uma partilha de poderes, na política orçamental e consequentes impactos na economia e nos mercados financeiros.

"Com o S&P 500 próximo de máximos recorde, os mercados têm ainda que descontar o 'fiscal cliff' e assumir que a infidade do QE [quantitative easing] irá abafar outros factores", refere um relatório sobre as eleições norte-americanas, do BlackRock Investment Institute (BII). Sublinha que "os mercados financeiros conseguem focar-se apenas numa coisa assutadora de cada vez" e que, depois de a crise da dívida soberana "ter sido o tubarão mais próximo do barco durante anos", agora "o 'fiscal cliff dos EUA - uma tempestade perfeita de subida dos impostos e cortes na despesa que pode ter que entrar em vigor a 1 de Janeiro - está a chegar à frente".  

Num num relatório de Setembro, intitulado "The Fiscal Choice: Cliff, ledge ou ladder", a JP Morgan Asset Management (JPAM) destaca que, enquanto Republicanos e Democratas não concordarão de que forma o défice deve ser resolvido, quem deveria ter um aumento de imposto e em que área se deveria cortar, deverá haver menos debate sobre o ritmo adequado de redução do défice. Contudo, um dos grandes perigos do ambiente presente é que seja conseguido um compromisso que continue a impôr um peso fiscal grande na economia em 2013", sendo que o que os Estados Unidos necessitam é de "um plano para reduzir o défice de forma lenta e sustentada", é referido no relatório.

Quanto aos investidores, ao mesmo tempo que "podem esperar que o bom senso prevalecerá", devem também "estar preparados para lidar com as consequências de uma diversidade de desfechos a nível fiscal", acrescenta a JPAM.

Cenários BlackRock

Os cenários desenhados à volta dos possíveis resultados das eleições presidenciais variam entre as duas instituições, com a JP Morgan Asset Management a considerar quatro (embora saliente que um deles é menos provavável), mais umdo BlackRock Investment Institute.

O BII classifica um primeiro cenário de 'Sky Dive' (ou queda livre) e que seria a reeleição do democrata Barack Obama para um segundo mandato, o que resultaria "numa queda livre o penhasco [cliff]". Neste caso refere que "poderia ser conseguido um acordo no imposto sobre rendimentos em Janeiro, mas que uma nova batalha acerca do tecto da dívida estaria a 'cozinhar-se'". As expectativas para um boa política fiscal são "abaixo de zero, o que torna fácil para Washington surpreender pela positiva - e desencader um 'risk rally", acrescenta.

O segundo cenário, 'Bungee Jump' (salto no vazio, preso a um cabo pelos pés) seria a vitória do candidato Mitt Romney e a tomada do Congresso pelos republicado, com a previsão que "o aumento de impostos seria revertido retroativamente e o tecto da dívida seria aumentado antes de um acordo global sobre o orçamento". Como reacção do mercado a expectativa seria de "euforia inicial, possibilidade de posterior desapontamento se não for conseguido nenhum progresso real para fazer face aos problemas estruturais do orçamento", sublinha.

O terceiro cenário, que o BII classifica de 'Hard Stop' (paragem brusca), seria um em que "os legisladores acordariam no cortes de algumas despesas e depois conseguir um acordo orçamental no verão de 2013". Neste caso, a reacção esperada do mercado seria de "êxtase", mas os activos de risco poderiam ser alvo de um 'sell off' se o acordo for visto apenas como um penso rápido", refere ainda o BlackRock Investment Institute.

Cenários JP Morgan

A JP Morgan Asset Management considera quatro cenários após as eleições. O primeiro - domíno dos Democratas -,  parte do pressuposto que Obama é reeleito e consegue o controlo tanto do Senado como da Câmara dos Representantes; "de uma perspectiva de investimento, a boa notícia é que este cenário imporia só um peso fiscal moderano na economia"; do lado negativo, "a combinação de impostos mais elevados sobre o rendimento com dividendos e ganhos de capital e a imposição de uma taxa Medicare de 3,8% sobre estas fontes de rendimento, resultaria numa significativa redução dos 'cashflows' depois de impostos nas acções".

No segundo cenário - o domínio dos Republicanos -, que tem por base a vitória de Mitt Romney e o domínio do Senado e da Câmara pelos Republicanos, o impacto fiscal na economia também seria moderano, refere a JPAM, que acredita que esta administração "poderia também tentar passar tanto a reforma fiscal como a 'entitlement reform' em 2013". Do ponto de vista do investidor, acrescenta, "uma adminstração completamente republicana poderia favorecer as acções face às obrigações".

Num governo dividido (presidente reeleito e republicanos mantêm controlo da Câmara dos Representantes, "existe um risco significativo que um compromisso pudesse envolver um acordo para aceitar significativos cortes na despesa (para satisfazer os Republicanos) juntamente com mais impostos para as famílias de rendimentos mais elevados (para haver acordo dos Democratas)". De um ponto de vista do investimento, "as acções seriam negativamente afectadas, pela combinação de crescimento económico muito fraco com impostos mais elevados sobre dividendos e rendimentos de capital", enquanto as obrigações do Tesouro deveria manter-se próximas dos níveis actuais.

No último cenário - governo dividido II -, e que a JPAM considera como o menos provável dadas as sondagens (vitória de Romney com Democratas a manterem o controlo do Senado), o défice orçamental "cai de forma moderada", com o mercado accionista a ser "impactado negativamente por impostos mais altos sobre dividendos e ganhos de capital". Contudo, sublinha, "ao promover o crescimento da economia enquanto reduz simultaneamente o défice, este cenário poderia aumentar a confiança dos investidores", devendo provavelmente ser negativo para as obrigações do Tesouro, acrescenta o relatório da JP Morgan Asset Management. 

Empresas

Notícias relacionadas

O Mais Lido

Próximos eventos