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Efeitos colaterais do FCA Asset Management Market Study para as plataformas de fundos


Artigo de opinião de Rodolfo Crespo, analista sénior da Platforum.

All-in fees é a expressão da qual mais se fala hoje na indústria de gestão de ativos no Reino Unido. O regulador britânico lançou recentemente o seu relatório final depois de dois anos a rever a concorrência entre gestoras e vai propor (embora não forçando inicialmente) o uso de uma comissão única que inclua todos os custos que as gestoras de fundos cobram ao investidor final, incluídos os de transação e de custódia.

No entanto, o maior efeito colateral deste estudo pode recair sobre as plataformas. Devido a uma grande influência na distribuição de fundosas plataformas para assessores gerem 450.000 milhões de libras em ativos, e as diretas para o investidor final 170.000, segundo os nossos últimos estudos -, a FCA considera-as uma peça fundamental para fomentar a concorrência na indústria de gestão de ativos e anunciou que começará a auditar o sector nas próximas semanas para dar forma ao futuro Investment Platforms Market Study.

Plataformas para assessores e as diretas serão objeto de escrutínio, mas não está ainda claro se as plataformas institucionais serão objeto do mesmo. O seu crescente uso por parte de algumas entidades que fazem assessoria sugere que o regulador as ignorará.

O regulador quer mais das plataformas

O estudo centrar-se-á na concorrência entre plataformas, mas também na forma como estas permitem ao investidor aceder a produtos que oferecem value for money. Para a FCA, as plataformas podem ter um papel central na redução do custo médio dos fundos, já que muitas têm tamanho para negociar com as gestoras descontos nas comissões daqueles que podem beneficiar o investidor final. Apenas a Hargreaves Lansdown reconhece (e utiliza ativamente como ferramenta de marketing) que tem negociado com um desconto médio de 23% para os fundos da sua famosa lista recomendada Wealth 150+. Na Platforum acreditamos que a FCA vai fazer o possível para que estas negociações deixem de ser casos isolados.

Para além disso, outras áreas de potencial conflito do Asset Management Market Study vão ser investigadas como parte da auditoria do sector de plataformas. É o caso da integração vertical (gestora mais rede de assessoria mais plataforma) ou a influência das agências de rating através das plataformas.

É extrapolável para o resto da Europa?

Plataformas com grande tamanho e influência, possíveis conflitos de integração vertical e concorrência em geral são áreas de atuação certamente extrapoláveis a nível europeu. Mas por agora, com MiFID II à espreita, é pouco provável que os reguladores se fixem apenas nos seus mercados de plataformas locais.

No entanto, a Comissão Europeia prepara um estudo sobre o custo da gestão de fundos na Europa inspirando-se nos trabalhos da FCA. Como no caso britânico, o efeito colateral  poderá muito bem ser uma revisão do mercado de plataformas europeu.

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